Presidente da República não pode falar como se estivesse em uma conversa de botequim, diz diretor do Inpe

Bolsonaro questionou os dados fornecidos pelo Inpe sobre as taxas de desmatamento da Amazônia, afirmando que são mentirosos.

O diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Ricardo Magnus Osório Galvão Imagem: Rodolfo Moreira /Futura Press

Jornal GGN – O diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Ricardo Magnus Osório Galvão, em entrevista ao Estadão disse estar escandalizado com as declarações do presidente Jair Bolsonaro, que mais parecem ‘conversa de botequim’. Galvão iniciou a carreira no Inpe em 1970, fez doutorado em Física de Plasmas Aplicada pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) e é livre-docente em Física Experimental na USP desde 1983.

À frente do Inpe desde setembro de 2016, Galvão falou sobre os comentários proferidos por Bolsonaro para a imprensa estrangeira na manhã desta sexta. Bolsonaro questionou os dados fornecidos pelo Inpe sobre as taxas de desmatamento da Amazônia, afirmando que são mentirosos.

Bolsonaro disse, textualmente, ‘A questão do Inpe, eu tenho convicção que os dados são mentirosos’. E fechou a pérola com um ‘mandei ver quem é o cara que está à frente do Inpe para vir se explicar aqui em Brasília’. Como sempre, Bolsonaro não se pauta em dados, mas em convicções, e disse que ‘isso não condiz com a realidade’. Fechando o desastre com um ‘até parece que ele está a serviço de alguma ONG, que é muito comum’.

A declaração de Bolsonaro ocorre um dia depois dos alertas do sistema Deter-B, do Inpe, que dá em tempo real os focos de desmatamento para que a fiscalização possa ser orientada. Na última divulgação, a área perdida de floresta até meio de julho é a segunda maior da série histórica, que vem desde 2015.

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O Estadão apurou um dado que deveria ser observado pelo presidente: se na quinta de manhã os alertas apontavam para 981 km de desmatamento, na sexta à noite esse número tinha saltado para 1.209 km, atingindo a marca mais alta desde 2015.

O diretor do Inpe preferiu arrefecer os ânimos antes de responder aos ataques do presidente. Sua entrevista ao Estadão é bem completa. ‘A primeira coisa que eu posso dizer é que o sr. Jair Bolsonaro precisa entender que um presidente da República não pode falar em público, principalmente em uma entrevista coletiva para a imprensa, como se estivesse em uma conversa de botequim. Ele fez comentários impróprios e sem nenhum embasamento e fez ataques inaceitáveis não somente a mim, mas a pessoas que trabalham pela ciência desse País’, disse ele.

Galvão considerou a atitude do presidente pusilânime, covarde, e que com a declaração feita em público esperava sua demissão, ‘mas eu não vou fazer isso’. O diretor quer ser chamado em Brasília para explicar o dado e que, lá, Bolsonaro tenha coragem de repetir o que disse olhando-o nos olhos.

Quanto a estar a serviço de ONGs, Galvão é claro. Disse que, como é cientista, não responderá. E citou um grande prêmio Nobel de Física que falou que certas respostas não devem ser dadas, porque são tão absurdas que não estão na natureza.

Leia aqui a matéria na íntegra.

10 comentários

  1. Não tenho certeza se o INPE é um órgão público, mas se for, então seu Diretor deve ser servidor público. E, se for, foi desacatado pelo Presidente que, apesar de seu cargo, não tem o direito de desacatar ninguém, nem mesmo algum eventual subordinado. Parece cabível um processo no lombo do sujeito cuja lingua só o desclassifica cada vez mais, processo por desacato…e algum juiz com a devida vergonha na cara poderia fazer o tal sujeito pagar por sua ignorância, incompetência em seu cargo e por não ter prova do que diz. Bem, o tal diretor disse que gostaria de ir a Brasilia para ver se o boçal lhe diria, olhando nos olhos, a mesma coisa que disse à imprensa. Será que como resposta ele daria um murro na cara ou uma cusparada nas fuças tal qual lhe deu o deputado Jean? Melhor seria se desafiasse o imbecil para um duelo na rampa…é triste mas ainda existem milhares de idiotas que se fiam nas palavras de um boçal……….

  2. “Dentre os governadores de ‘paraíba’, o pior é o do Maranhão, não tem que ter nada com ele”. É uma das mais recentes frases do homem que foi eleito pra buscar soluções que coloquem o Brasil no rumo do crescimento, sem distinção de raça, credo ou categoria social. Acima de qualquer viés partidário, é isso que todo brasileiro decente espera dele. Se esse homem não é capaz ou não está disposto a enfrentar o desafio, é melhor ir embora. O Brasil não pode continuar perdendo tempo.

    • Público desde sempre, uma obra prima da ciência nacional: http://www.inpe.br/

      O enquadramento que o Dr. Galvão aplica é irrepreensível! O convite está feito ao presidente com cara de cadáver, vamos ver se ele aceita!

  3. Bom dia, doutor.

    Pior é ficar fazendo acerto de contas com o grêmio estudantil ou então o diretório acadêmico. Muita gente diplomada tá nessa.

  4. Foi um ministro paraibano quem lascou Bolsonaro! Eu conheci, pessoalmente, o ex-ministro do Superior Tribunal Militar, José Luiz Clerot, o que está falando no áudio, no plenário do Superior Tribunal Militar, durante o julgamento de Bolsonaro, tem um video. Foi nesse julgamento que Bolsonaro foi expulso do Exército Brasileiro pra sempre, por mal comportamento, indisciplina, desobediência ao regime disciplinar do Exército, e tentativa de ataque terrorista: Explodir bombas em Quartéis para chamar a atenção do Comando do Exército e, por isso, foi preso. Boa coisa ele não aprontou! Clerot foi um político paraibano. Foi Ministro Civil do Superior Tribunal Militar e, depois, Deputado Federal por dois mandatos. Eu o conheci, discursando nos palanques eleitorais, aqui, na Paraíba, e a multidão gritava: Clerot! Clerot! Clerot!!! Ele faleceu em 16/04/2018, aos 82 anos de idade, em Brasília/DF. Quem estudou muito, tem experiência e vivência, sabe! (Poeta nordestino de Sousa, no Sertão da Paraíba)

  5. “Presidente da República não pode falar como se estivesse em uma conversa de botequim…”
    Óbvio que pode!
    Tanto pode que fala. E vai ficar pior, cada dia que passa ele vai falar mais.
    Quem avaliza é o congresso os militares o povo minion os homens de bens, os juízes e o “com tudo”
    Nós merecemos. Todo castigo para povo que permite preso político é pouco!
    https://youtu.be/AVH7vuW0wk4

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