Ressurge Lima: batom na cueca de Temer, por Marcelo Auler

Coronel Lima e Temer

 

Ressurge Lima: batom na cueca de Temer

por Marcelo Auler

em seu blog

Talvez ele seja o mais antigo aliado do presidente golpista Michel Temer, muito embora não tenha nenhuma sala disponível no Palácio do Planalto. É um “aliado” oculto. Seu nome ressurge a cada nova denúncia de corrupção envolvendo o atual presidente.

Foi assim no final dos anos 90, quando uma estudante de psicologia ingressou com uma Ação de Reconhecimento e Dissolução Estável, Cumulada com Partilha e Pedido de Alimentos (Ação 00632820-2), ajuizada na 3ª Vara de Família, Órfãos e Sucessão, de São Paulo, contra o então presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo (CODESP), Marcelo de Azeredo, apadrinhado do hoje presidente acusado de corrupção.

Na ação, a ex-companheira de Azeredo, Erika Santos, denunciou todo um esquema de corrupção na CODESP a beneficiar três pessoas: Temer, então presidente da Câmara dos Deputados, Azeredo, e o velho amigo do hoje presidente suspeito, coronel aposentado da Polícia Militar, João Baptista Lima Filho.

Na ação movida por Érika, a denuncia da existência da corrupção envolvendo Temer e o seu amigo "Lima". Isto nos anos 90.

Na ação movida por Érika, a denuncia da existência da corrupção envolvendo Temer e o seu amigo “Lima”. Isto nos anos 90.

Eles estariam, conforme as denúncias apresentadas em juízo por Érika, envolvidos com esquemas ilegais no Porto de Santos, tal como mostramos na série de matérias que publicamos no Diário do Centro do Mundo, em julho de 2016, entre elas Como Temer operou no Porto de Santos, segundo ele mesmo e sindicalistas que falaram ao DCM. Nada do que ela denunciou foi apurado a contento, por interferências bastante políticas. Os três ficaram – usando as palavras de Temer no pronunciamento deste sábado (20/05) com relação aos donos da Friboi -, livres e soltos, só que andando pelas ruas de cidades brasileiras. E Temer acabou presidente da República, graças ao golpe do impeachment.

 

Agora, tal como Phenix, ele ressurge no noticiário político, novamente envolvido com o “mui amigo” Temer. Na denúncia à Procuradoria da República, o contador do grupo J&F, Florisvaldo Caetano de Oliveira, responsável pelas entregas de dinheiro a políticos, relatou ao menos dois encontros com Lima Filho. No segundo, Oliveira afirma lhe ter entregue R$ 1 milhão em espécie. Foi o suficiente para o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, autorizar busca e apreensão no escritório e na residência de Lima Filho, ocorridas quinta-feira (18/05). Surge, portanto, a questão:

Se Lima Filho, oficial reformado da Policia Militar paulista e desde 2011 sócio da Argeplan Arquitetura e Engenharia Ltda., situada na Rua Juatuba, na Vila Madalena, não tem ligação oficial com o governo federal, que motivos levariam a J&F a lhe pagar R$ 1.000.000,00? O que explica é sua ligação umbilical com Temer. Este pequeno detalhe já não é suficiente para levantar desconfiança do presidente que se diz honesto?

Esse valor, segundo o depoimento do diretor de relações institucionais da J&F, Ricardo Saud, era destinado a Temer que determinou o pagamento ao coronel. O R$ 1 milhão fazia parte dos R$ 15 milhões que o PT repassou para o PMDB na eleição de 2014 em que Temer concorreu como vice-presidente de Dilma Rousseff, na explicação do executivo da J&F.

Não foi a primeira vez que o coronel Lima Filho surgiu em delações premiadas da Operação Lava Jato. Ele iria ser denunciado pelo sócio da Engevix, José Antunes Sobrinho Filho, como alguém que se apresentava como um interlocutor do então vice-presidente da República. Mas a delação não ocorreu, conforme noticiou o Valor Econômico na reportagem Executivo que havia citado pagamento a Temer desiste de delação:

Na delação, Sobrinho Filho prometia entregar provas do pagamento de R$ 1 milhão a um interlocutor do presidente interino, Michel Temer, como forma de agradecimento pela participação em contrato de R$ 162 milhões da Eletronuclear, referente à usina de Angra 3. Os advogados do executivo afirmam que a mudança de estratégia foi provocada pela absolvição de seu cliente, em maio, em uma das ações da Lava Jato, por falta de provas de participação em crimes relacionados à Petrobras“.

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