Theatro São Pedro muda de gestão e músicos da Orquestra são demitidos

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Foto: Reprodução Facebook

Atualizado com nota da Secretaria da Cultura do Estado

Jornal GGN – Em decisão publicada no Diário Oficial do Estado de São Paulo, a Orquestra do Theatro São Pedro não será mais um grupo profissional, sendo que músicos serão demitidos e substituídos por bolsistas da Escola de Música do Estado de São Paulo (Emesp).

Segundo a página dos músicos da orquestra no Facebook, a mudança foi causada pela transição do contrato da gestão do Instituto Pensarte para a Santa Marcelina Cultura, realizada sem licitação. Com isso, o projeto da orquestra será extinto, afetando mais de cinquenta músicos profissionais. 

Os integrantes da orquestra reclamam que a Secretaria de Cultura do governo do Estado de São Paulo não cumpriu com a promessa de realizar uma “transição tranquila” e que manteria os empregos dos músicos. 
 
Eles também criticam Santa Marcelina Cultura, organização social que é responsável pela Emesp e pelo Projeto Guri da capital, afirmando que ela é uma “ineficaz gestora de cultura” e que possui histórico de extinguir grupos profissionais de músicos.
 
Outro lado
 
Por meio de nota, a Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo afirma que, devido à crise econômica, têm realizado ajustes, mas que eles não irão afetar a “qualidade da programação oferecida”. A pasta afirma que 19 músicos foram desligados, e que a Orquestra terá 22 alunos da Emesp Tom Jobim. 
 
Leia mais abaixo: 
 
 
Bom dia amigos. 
 
Através do diário oficial do dia 06/05/2017, infelizmente, foi confirmado oficialmente o desmonte da Orquestra do Theatro São Pedro, única orquestra especializada em ópera em atividade no Brasil. 
A transição do contrato de gestão do Instituto Pensarte, sem licitação, para a Santa Marcelina Cultura, extingue o projeto original da orquestra nos moldes atuais, ou seja, 55 músicos profissionais, altamente capacitados, que realizaram rigoroso processo seletivo e, desde então vem executando um trabalho de excelência artística. 
 
Com a troca recente do Secretário de Cultura, atualmente representado pelo Sr. José Luiz Penna (PV), nos foi prometida uma transição tranquila, sem traumas e, que preservaria TODOS OS MÚSICOS, conservando assim a alta qualidade da orquestra. 
 
Como visto, a promessa da Secretaria, administrada pelo Partido Verde, não se cumprirá.
 
Hoje, a Santa Marcelina, mostra-se uma ineficaz gestora de cultura: extingue 22 postos de trabalho e substitui por bolsistas com pouca experiência. 
 
Qual a lógica no corte de empregos de músicos profissionais ? Consiste em uma descaracterização da profissão, privilegiando os sub-empregos, lamentavelmente uma tendência no cenário musical nacional atual.
 
A nova OS, que também gere a EMESP Tom Jobim, já possui histórico em extinguir grupos profissionais (vide Camerata Aberta) e nos mostra com a aceitação do edital proposto pela secretaria, que não se preocupa com os alunos que sua própria escola forma. Extingue cargos qualificados, diminuindo as esperanças dos seus alunos de se tornarem músicos profissionais (vale lembrar que qualquer bolsista tem idade limite dentro de qualquer grupo de alta performance).
Pedimos o apoio de todo o público da Orquestra do Theatro São Pedro, para que este projeto premiado e reconhecido pela crítica nacional e internacional não acabe.
 
******Nota oficial da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.*******
 
“A Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, em razão do término do contrato do Instituto Pensarte, e visando à continuidade das atividades do Theatro São Pedro, da Academia de Ópera e da Jazz Sinfônica, informa:
 
1. O corpo do Theatro São Pedro, a Academia de Ópera e o Teatro Caetano de Campos passarão a ser geridos, a partir do dia 2 de maio, pela OS Santa Marcelina Cultura, gestora da Escola de Música Tom Jobim e do Projeto Guri, na Capital e na Grande São Paulo.
 
2. A Jazz Sinfônica passará a ser gerida pela Fundação Padre Anchieta, cuja gestão incluirá como espaço para ensaios o Teatro Franco Zampari.
 
A Secretaria de Estado da Cultura agradece o intenso trabalho realizado pelo Instituto Pensarte. Trabalho que, sem dúvida, resultou em um salto de qualidade na produção operística em São Paulo reconhecida, inclusive, com o prêmio APCA de melhor espetáculo de Ópera em 2016 (Dom Quixote).”
 
Atualização – Nota da Secretaria de Cultura
 
Em razão da crise econômica, os programas da Secretaria da Cultura do Estado vêm passando por ajustes, sem causar prejuízo à população  nem alterar a qualidade da programação oferecida. Entre as medidas adotadas para garantir a preservação dos programas e o novo projeto da Pasta para os corpos estáveis, a Orquestra do Theatro São Pedro (Orthesp) passará a ter 55 músicos (antes eram 52), sendo 22 deles alunos da Escola de Música do Estado Tom Jobim (Emesp Tom Jobim). 19 músicos profissionais foram desligados da Orquestra, sendo que três deles já possuem contrato com a Organização Social Santa Marcelina Cultura, nova gestora do Theatro São Pedro.

 

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