5 de junho de 2026

A denúncia contra Bolsonaro, “inepta”, por Urariano Mota

Bolsonaro, num absurdo acaso,  compreendesse a palavra Inepto, não a usaria, porque a definição cai como uma luva sobre o próprio caráter
Marcelo Camargo - Agência Brasil

A denúncia contra Bolsonaro, “inepta”

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por Urariano Mota

No momento em que tomo café de manhã, nesta quarta-feira 19/02, escuto a TV, onde um apresentador fala que Bolsonaro se refere à acusação da PGR como inepta. E comento: “isso não pode ser dele”. Ele jamais usaria semelhante palavra. É ignorante, iletrado.

Pois ele não tem alma própria. É um boneco do fascismo. Tem arreganhos fantásticos, como se vida tivesse, mas possui somente animação, movido por dedos de outros.  Em dúvida, olhem na sua defesa; “A inepta denúncia chega ao cúmulo de lhe atribuir participação..”.

A frase jamais poderia ser dele. Primeiro, porque ele não sabe o significado do adjetivo “inepto”. Vemos no Dicionário Aulete a sua definição:

“1. Diz-se daquele que não tem habilidade(s) ou aptidão (para algo): Era inteligente, mas inepto para a função. [ Antôn.: apto ]

2. Que não é inteligente; a quem falta inteligência; IDIOTA; IMBECIL; PARVO [ Antôn.: esperto ]

3. Que denota falta de inteligência, estupidez ou ingenuidade: Sua conversa era inepta e inútil”.

Mas se Bolsonaro, num absurdo acaso,  compreendesse a palavra Inepto, não a usaria, porque a definição cai como uma luva sobre o próprio caráter, ou falta de:

“1. Diz-se daquele que não tem habilidade(s) ou aptidão (para algo): Era inteligente, mas inepto para a função. [ Antôn.: apto ]

2. Que não é inteligente; a quem falta inteligência; IDIOTA; IMBECIL; PARVO [ Antôn.: esperto ]

3. Que denota falta de inteligência, estupidez ou ingenuidade: Sua conversa era inepta e inúti’ “l

Idiotas não se veem assim. E correm como o diabo da cruz do insulto-definição.  Mas a nota é assinada pela Defesa de Bolsonaro.

“NOTA À IMPRENSA

A defesa do Presidente Jair Bolsonaro recebe com estarrecimento e indignação a denúncia da Procuradoria-Geral da República, divulgada hoje pela mídia, por uma suposta participação num alegado golpe de Estado.

O Presidente jamais compactuou com qualquer movimento que visasse a desconstrução do Estado Democrático de Direito ou as instituições que o pavimentam….. .

A inepta denúncia chega ao cúmulo de lhe atribuir participação em planos contraditórios entre si.” E por aí vai.

Pois bem, é uma defesa inepta. Bolsonaro tem uma defesa à sua altura. Observem que ela começa com a frase “uma suposta participação num alegado golpe de Estado”. Depois, vem com “O Presidente jamais compactuou com qualquer movimento que visasse a desconstrução do Estado Democrático de Direito ou as instituições que o pavimentam.”

Olhando bem, essa é uma defesa que diante do flagrante de um crime, com provas de vídeo, inclusive, que mostram o criminoso com a arma do golpe na mão, fala: “O Presidente jamais compactuou com qualquer movimento que visasse a desconstrução do Estado Democrático de Direito” !!!!!  Tal defesa lembra o humorista de direita Bob Hope, que ao ser flagrado com outra mulher na cama, gritou para a esposa: “Não sou eu!”.

Como peça de humor, pela graça, tal defesa deixaria Bolsonaro absolvido. Mas para sua desgraça, ele é um criminoso flagrado, inimigo da sociedade, inimigo do povo brasileiro. Fascista, inepto, para a prisão. Logo, no sentido de rápido. Logo, no sentido de portanto. Logo, logo, cadeia para o criminoso.

Urariano Mota – Escritor, jornalista. Autor de “A mais longa duração da juventude”, “O filho renegado de Deus” e “Soledad no Recife”. Também publicou o “Dicionário Amoroso do Recife”.

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Urariano Mota

Escritor, jornalista. Autor de “A mais longa duração da juventude”, “O filho renegado de Deus” e “Soledad no Recife”. Também publicou o “Dicionário Amoroso do Recife”.

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  1. Rui Ribeiro

    20 de fevereiro de 2025 12:22 pm

    Por falar nesse inepto, descubro que o Ambar, comentarista assíduo dessa página, é jurista.

    Em matéria publicada nesse site em fevereiro de 2024, intitulada “Por que Moraes não está impedido para julgar Bolsonaro por tentativa de golpe”, eu publiquei o seguinte comentário

    “Se existisse uma quadrilha cujo objetivo fosse acabar o judiciário, eliminando fisicamente seus membros, quem iria julgar os quadrilheiros? A Corte Internacional de Haia? A $uprema Corte dos EUA?

    Após o meu comentário, o AMBAR escreveu:

    “Sem contar que se, aberto esse precedente, todo criminoso vai agredir o juiz de seu processo para torná-lo suspeito”.

    Segue o link para a matéria na qual foram publicados os comentários acima mencionados:

    https://jornalggn.com.br/politica/por-que-moraes-nao-esta-impedido-para-julgar-bolsonaro-por-tentativa-de-golpe/

    Agora, numa matéria publicada pela BBC, intitulada “Bolsonaro não deveria ser julgado por Moraes e nem mesmo pelo STF, afirma jurista”, o mencionado jornal formula a seguinte pergunta ao jurista que defende que Moraes se declare suspeito e que os golpistas não sejam julgados pelo STF, em razão de não terem foro privilegiado:

    BBC News Brasil – Há juristas que não consideram Moraes suspeito para julgar Bolsonaro e os demais denunciados. Eles argumentam que, se Moraes for afastado do caso, abriria um precedente e bastaria qualquer investigado ameaçar um ministro para que ele ficasse impedido. Além disso, afirmam que os ataques não eram pessoais a Moraes, mas ao seu papel institucional no STF e no TSE. O que acha?

    O jurista entrevistado, Aury Lopes Jr, responde:

    “É que eu entendo que o problema da atuação do ministro Alexandre Morais não é só por conta do ataque [que ele recebeu] nesse caso aqui especificamente, mas pelo conjunto de decisões que ele tomou já nesse inquérito todo, envolvendo os acusados do 8 de janeiro, o inquérito das Fake News, ele já foi chamado a tomar decisões lá na fase investigação de maneira muito intensa.

    Então, para mim, o que existe é um imenso prejuízo [de imparcialidade] que decorre dos pré-juízos que ele já elaborou. Não é uma questão de bondade, de maldade, de perseguição ou não, é uma questão de inconsciente, de dissonância cognitiva. Quando você é chamado a tomar várias decisões sobre o caso e depois você tem que julgar esse caso, você está contaminado. Você já tem uma visão pré-estabelecida, isso é da natureza humana. “Ah, então qualquer ministro ameaçado vai sair”. Não é só a questão da ameaça, é todo o contexto.

    Ele se declarar suspeito contribuiria muito pra lisura, pra transparência de regularidade desse processo, e talvez pra diminuir eventuais críticas de violação do processo.

    E tem outro detalhe importante: para mim, a própria competência do Supremo para julgar esse caso não é clara e não é pacífica. Isso deveria estar em primeiro grau. Por quê? Porque Bolsonaro é ex-presidente.

    O Supremo [quando fixou sua competência em um julgamento sobre foro especial] disse que ele queria julgar o quê? Pessoas detentoras de cargos políticos apenas quando o crime for praticado durante o exercício do cargo. Olha, vamos fazer uma analogia grosseira até: o Lula foi acusado [na operação Lava Jato] depois de sair da presidência por fatos, em tese, ocorridos enquanto presidente. E Lula foi julgado onde? Em primeiro grau”.

    https://www.bbc.com/portuguese/articles/cvgw3j0z7d9o

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