4 de junho de 2026

A Música Popular Brasileira (I), por Izaías Almada

Pode-se considerar que a MPB nasce nos anos 10 do século passado, no ano de 1917 com a gravação do primeiro samba, “Pelo telefone” de Donga
Reprodução

A Música Popular Brasileira (MPB) tem origem no samba de 1917 com a gravação de “Pelo telefone” de Donga.
Antes da Bossa Nova, diversos ritmos como samba, baião e frevo marcaram a MPB com artistas como Noel Rosa e Dorival Caymmi.
Izaías Almada, escritor e ex-prisioneiro político, acompanhou os festivais da MPB nos anos 60 em São Paulo.

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A Música Popular Brasileira (I), por Izaías Almada

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Movido pela ideia de escrever alguma coisa sobre a música popular brasileira, embora não soubesse por onde começar resolvi me socorrer com o tio Google, esse dicionário gigante do mundo digitalizado.

Qual não foi a minha surpresa quando li que “A história da música popular brasileira (MPB) é uma jornada rica de fusão cultural, que nasceu formalmente nos anos 1960 como uma evolução sofisticada da Bossa Nova, combinando tradições africanas, indígenas e europeias com inovações harmônicas e letras engajadas, tornando-se um símbolo de identidade nacional e resistência durante a Ditadura Militar, através de movimentos como a Tropicália, consolidando-se com os Festivais da Canção e a TV, e evoluindo até hoje como um gênero guarda-chuva para a música brasileira de prestígio”. 

O parágrafo acima, copiado do Google, na tentativa de resumir a história da MPB, acaba por criar uma pequena confusão, pois a música popular brasileira não ‘nasceu formalmente nos anos de 1960’ e nem a Bossa Nova tornou-se ‘um símbolo de resistência à ditadura’.

Na época, os anos 60, ainda jovem, com atividades em teatro e cinema e também a trabalhar na Folha Ilustrada, sob o comando do grande jornalista e amigo Cláudio Abramo, tive a oportunidade de acompanhar os grandes festivais da Rede Record e conhecer muitos dos ícones da MPB naquela altura.

Embora existam registros de um disco gravado em 1902, mas sem ressonância popular, pois nem o rádio existia, inaugurado que foi em 1922, pode-se considerar que a MPB nasce nos anos 10 do século passado, no ano de 1917 com a gravação do primeiro samba, “Pelo telefone” de Donga, ainda sem o apoio do rádio.

Do samba de Donga aos anos de 1960, quase 40 anos, muita coisa boa aconteceu na música popular em nosso país, onde se destacam, entre outros, os nomes de Mário Reis, Dorival Caymmi, Carmem Miranda, Noel Rosa, Chico Alves, Chiquinha Gonzaga, Ari Barroso, Orlando Silva, Dalva de Oliveira, Jacob do Bandolim, Emilinha Borba, Adoniram Barbosa, Cartola, Almirante, Pixinguinha, Maysa, Lamartine Babo, e muito mais gente.

“Quem não gosta de samba, bom sujeito não é… É ruim da cabeça ou doente do pé… Eu nasci com o samba, no samba me criei… E do danado do samba nunca me separei”…

Compositores, cantores, instrumentistas, maestros, arranjadores, toda uma plêiade de pessoas talentosas que, antes de chegarmos à Bossa Nova, criaram e passaram pelo samba, baião, frevo, chorinho, xaxado, forró, as grandes marchinhas de carnaval e outros ritmos…

(CONTINUA)

Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro nascido em BH. Em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.

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Izaias Almada

Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro nascido em BH. Em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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5 Comentários
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  1. wilson

    17 de janeiro de 2026 10:52 am

    Izaias, na segunda metade do século XIX, vários ritmos populares foram criados ou adaptados no Brasil, particularmente no Rio de Janeiro, com a fusão de heranças africanas e europeias, tais como o Lundu, a Modinha, o Choro e o Maxixe, verberados pela elite cultural da época, além da evolução do Frevo em Pernambuco, no final do século, combinando polca, maxixe e marcha. O grande destaque desse período é a maestrina carioca Chiquinha Gonzaga, considerada a primeira compositora popular brasileira, que pagou, aliás, um preço alto pelo seu arrojo. Merecia um artigo pelo seu protagonismo.

    1. Eduardo

      18 de janeiro de 2026 10:44 am

      Domingos Caldas Barbosa já fazia marchinhas e Lundus no século XVIII

  2. wilson roberto theodoro

    17 de janeiro de 2026 10:55 am

    Izaias, na segunda metade do século XIX, vários ritmos populares foram criados ou adaptados no Brasil, particularmente no Rio de Janeiro, com a fusão de heranças africanas e europeias, tais como o Lundu, a Modinha, o Choro e o Maxixe, verberados pela elite cultural da época, além da evolução do Frevo em Pernambuco, no final do século, combinando polca, maxixe e marcha. O grande destaque desse período é a maestrina carioca Chiquinha Gonzaga, considerada a primeira compositora popular brasileira, que pagou, aliás, um preço alto pelo seu arrojo. Merecia um artigo pelo seu protagonismo.

    1. Eduardo

      18 de janeiro de 2026 10:33 am

      Domingos Caldas Barbosa já fazia marchinhas e lundus no século XVIII

    2. Eduardo

      18 de janeiro de 2026 10:41 am

      Não se pode esquecer de Ernesto Nazareth como um destaque daquele período

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