A resistência pela galhofa, por Rui Daher

Bagunçaiada, não? Vixe! Pernada pra cá, rabo de arraia pra lá. Juro ter visto uma foto-nojo de Paulinho da Força portando um soco-inglês. Assaltou-me a pergunta: saberia ele conversar com o instrumento de agressão? Imaginem o diálogo:

– What the fucking you want from me, Mr. Paul Strength?

– Cacete, Tião, que merda de língua é essa?

– O soco é inglês, Paulinho.

– Não tinha castelhano?

Será que agora os agradáveis leitores do BRD, Blog-Boteco Rui Daher, me darão razão quando eu, Pestana e Nestor, nas célebres “Entrevistas Clube dos Garotos”, dizíamos que somente a galhofa nos salvaria.

E prestem atenção, não precisamos fazer nada. Foi apenas deixar correr o barco, enquanto em nossas goelas corriam fluidos com alguns graus de teor alcoólico, risadas nas redes sociais, sambas, chorinhos, e algumas revoltas AK-47, que um ou outro pode ser mais aborrecido e precisar ir para o inferno.

Gente, aprendam. Quando os milicos mandavam e a burrice era menor, se isso é possível, como sobrevivemos? Com a galhofa, a chacota, o drible de corpo na censura, de quem fazia “O Pasquim”.

Quem apoiava a direita, se envergonhava. “Puta, como a gente é burro. As minas mais gostosas só querem dar pra esses babacas intelectuais de esquerda. Vou à Ipanema todos os dias para me bronzear, malhar, visto as melhores grifes, uso almofadados sob a sunga, e não me sobram Leila, Odete, Norma, Nara. De joelhos, onde erramos”?

A galhofa aniquila, faz com que eles, atônitos, baixem a guarda. Mais ainda se o cara acha que leu alguma coisa, “Meu pé de laranja-lima”, por exemplo. As moças histéricas, fãs de patos-amarelos, “Le petit prince”, capricham, de um tal de “Espiriteiruí”.

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Tonhões, não dava pra esperar dois anos, com todas as folhas e telas do passadismo, o Judiciário da procrastinação – desde que não do PT – e o Congresso de picaretas os apoiando? Ainda assim se cagavam de medo do metalúrgico? Cacete! A coragem de vocês para na página 9 das patéticas marchas na Avenida Paulista.

E agora? Quem irá segurar a barra de 20 anos de recessão? Sabem, né? Os de sempre. Os que vieram, chegaram, morreram na praia e agora retornam ao mar como iscas dos tubarões, termo antigo, mas que proliferou no rentismo.

Queria vê-los, então, sem a Rede Globo, enfrentando a fúria de Leonel, Darcy e Tarso de Castro. Teriam que trocar de cuecas a cada cinco minutos.

Nós hoje, velhos, deixamos a cargo da moçada. Chegou a vez de vocês. Destruam!  

 

 

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