Adotar é um ato de amor, que chavão delicioso, por Mariana Nassif

​Adotar é um ato de amor, que chavão delicioso, por Mariana Nassif

Todo mundo na minha família é adotado.

Eu fui adotada logo que nasci, cheguei numa casa de jornalista com professora, comunicação pura e deve ser por isso que eu falo e escrevo tanto. Alguns anos depois a família adotou o Alecks, um negão lindo e tão copanheiro que deve ter uns dez sobrenomes, tamanha a família que ele construiu com a gente. Desde sempre me lembro dele na minha vida, até mais que de mim mesma. Junto com ele adotamos três irmãos diferentes uns dos outros, mas que são tão adotados quanto outros familiares meus. João, Gabriel e Bruno. Tão em família que o Bruno namorou com a Paula, minha prima maior companheira de infância que foi adotada por inerência, de tanto que a gente convivia. Hoje não vive tão por perto, mais a adoto toda vez que nos encontramos, como numa tarde que ela veio aqui em casa gastar tempo comigo e com minha filha, esta que adotei há tantos e tantos anos.

Ufa, faz tanto tempo e eu nem percebo que tudo isso já passou não fossem pelos assuntos que, atualmente, temos realmente em comum, ainda que sejam tão íntimos. Nossa troca é assim, sempre será. Aliás, a adoto todas as manhãs ao abrir os olhos e constatar que a adotei de verdade mesmo, que não é sonho uma pessoa tão mágica quanto ela em minha rotina.

Fui adotada pelas tias Nassifas, uma a uma, desde sempre. E a cada convesa, cada telefonema, cada beijo de tia turca sou mais adotada ainda por esta família que é minha, só minha e tão minha que ensinou a adotar direitinho. Adotei com paixão primeira da existência a Luizinha, minha irmã que divide o teto hoje. Luizinha é tão peculiar que mora dentro do armário. Deve ser pra imitar a Polegarzinha, uma forte anãzinha amiga do Pequeno Polegar, lembra? Luizinha foi adotada a duras penas, ela se faz de difícil e é dura na queda. E então sigo adotando a graciosa a cada dia, com jantarzinho, sopinha, colinho, tento mostrar pra ela que de doce mesmo na vida só tem açúcar, mas que açúcar é boa compania até mesmo pro amargo do dia-a-dia. Agora, adoto Catarina, mas sobre ess escreverei logo e grande, porque é assim que sinto.

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Fui adotada também por amigos e amigas, das tias, dos primos, amigos que se foram pra bem longe, adotada por uma rede, ou algumas redes e então da teia de adoções formaram-se outras redes mais amplas e íntimas e pronto. Acabei adotando duas irmãs mais novas que a irmã mais nova, e adotei tantas séries repetidas de vezes que Beatriz e Dora devem ser recordistas em adoções realizadas. Adotei junto com estas adoções todas meios de me conhecer a de reconhecer adoções de segundos, terceiros e quartos. E foi fora dele, do quarto, que fui adotada pelo amor de um homem incrívelmente apto a adotar. 

Madrinha também me adotou, e hoje a adoto todas as horas no meu jeito de ser. E a Fernanda, a que foi pra Londres ser feliz, me ensinou a adotar tanto e quanto sei adotar hoje, de um jeito sincero e extremamente adotivo.

Assim. Se ainda não sacou o que é adotar, uso uma frase-chavão que define: adoção é um ato de amor. Adoto. E vou sempre adotar, que coisa mais linda no mundo não tem quem me mostre existir. E fim.

 

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