5 de junho de 2026

Auditoria no estômago: quem absorve não produz, por Henrique Morrone

Aquele que outrora sequestrava o PIB nutricional foi convertido em resíduo — uma massa amorfa descartada pela descarga da história biológica.
ShutterStock

Estado enfrentava falência funcional, com economia inchada e baixa produção real, segundo análise econômica de Henrique Morrone.
Auditoria identificou o “Parasita Rentista” no sistema, que drenava recursos essenciais, causando vazamento e inchaço falso no orçamento.
Reforma eliminou retorno do Parasita, promovendo desalavancagem e recuperação do vigor econômico do Estado sem intervenções monetárias.

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Auditoria no estômago: quem absorve não produz

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por Henrique Morrone

O Estado não foi ao nutricionista por estética. Foi por falência funcional.

Suas juntas rangiam como engrenagens sucateadas e a pressão subia como juros em dia de pânico. Era o retrato de uma economia que inflou calorias sem produzir energia — uma base inchada sem PIB real.

A Dra. Regina, nutricionista de pulso firme e visão estruturalista, recebeu o paciente como quem lê um balanço em frangalhos. Não havia espaço para a homeopatia bancocentralina dos 0,25 pontos percentuais. Era caso de reforma de base.

A nova matriz nutricional

A regra era simples: o prato como orçamento.

50% de vegetais — investimento em infraestrutura. Fibras. Sem elas, o trânsito trava, surgem gargalos e inflamação sistêmica.

25% de proteína — base industrial. Sem músculo, o corpo se canibaliza para pagar juros e se desindustrializa.

25% de carboidratos complexos — âncora energética. Nada de liquidez imediata: açúcar refinado é populismo metabólico. Energia de maturação lenta.

A patologia oculta

O plano funcionava no papel. O corpo, não.

A auditoria revelou o problema: o Parasita Rentista.

Instalado no “Copom” do duodeno, operava em spread, interceptando nutrientes nobres e devolvendo ao organismo apenas o passivo residual. Pequenas variações na glicose não alteravam seu apetite extrativista — não passavam de ruído.

O problema não era ingestão. Era vazamento.

O sobrepeso do Estado era uma ilusão estatística. Acumulava gordura como reserva contra um dreno que não conseguia estancar. A austeridade de quem come para sustentar o luxo de quem subtrai.

O desfecho

A Dra. Regina entendeu que não se combate o rentismo com placebos monetários. Foi necessário um choque de soberania.

Ao zerar a taxa de retorno real do Parasita, ela provocou o seu default biológico. Sem o fluxo constante de transferências sequestradas, sua estrutura sofreu uma depreciação acelerada.

Não houve honras, nem nota oficial.

Inexoravelmente, o Parasita foi reduzido à sua insignificância orgânica e saiu dissolvido nas fezes.

Aquele que outrora sequestrava o PIB nutricional foi convertido em resíduo — uma massa amorfa descartada pela descarga da história biológica.

Ao puxar a alavanca, o Estado sentiu o alívio da desalavancagem. O inchaço cedeu.

Sem o pedágio do atravessador, o Prato Colorido finalmente gerou dividendos reais.

Livre do dreno especulativo, o Estado enfim goza de seu vigor nutricional.

Henrique Morrone é economista e professor da UFRGS.

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Henrique Morrone

Henrique Morrone é economista e professor da UFRGS, com atuação dedicada aos temas de macroeconomia, crescimento econômico, desenvolvimento e conflito distributivo no Brasil. Escreve sobre juros, indústria, dominância fiscal e monetária, política econômica e as narrativas que moldam — e por vezes distorcem — o debate público nacional. Publicou no Sul21, GGN, Jornal da UFRGS, Agência TSS, A Terra é Redonda, Revista Economistas (Cofecon) e Rede Estação Democracia (RED), entre outros veículos.

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