5 de junho de 2026

Capitalismo: o início do fim, por Izaías Almada

A concentração de renda é brutal e o desnível social é alarmante pelo mundo: os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.

Capitalismo: o início do fim

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por Izaías Almada

                 Os sintomas de que o capitalismo neoliberal começa a dar os primeiros passos para o seu final estão espalhados por todos os continentes.

                 As provocações de conflitos ainda regionais, como os da faixa de Gaza, a guerra da Ucrânia e outras possibilidades latentes em África e na América Latina, a criação dos BRICS como alternativa ao Grupo dos 20, a lenta, mas firme desvalorização do dólar, a paulatina destruição da natureza movida pela ganância financeira, o incentivo e o apoio a governos de extrema direita, selvagens e belicistas, são fatos que se avolumam com o passar dos anos e que indicam de maneira indubitável o caminho e o “andar da carruagem”.

                 E mais: segundo notícia do blog Brasil 247, “um estudo internacional liderado pela consultora Capgemeni, publicado nesta quarta-feira (5), revelou que a fortuna das pessoas mais ricas do mundo aumentou 4,7% em um ano, atingindo um pico histórico. O mundo nunca teve tantas pessoas ricas e suas fortunas nunca foram tão elevadas. Esse aumento é consequência do aumento dos preços das bolsas de valores, impulsionadas por novas tecnologias”.

                 A concentração de renda é brutal e o desnível social atinge proporções alarmantes pelo mundo: os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.

                 De acordo com a pesquisa mencionada pelo Brasil 247, “o estudo também apontou que quase 40% do comércio global de bens está concentrado em três ou menos países; e em 2021, a capitalização de mercado de cada uma das três maiores empresas de tecnologia do mundo ultrapassou o Produto Interno Bruto (PIB) de mais de 90% dos países naquele ano”.

        De ganância em ganância, de hipocrisias em hipocrisias, de exploração em exploração, a nova era da história da humanidade, a era da digitalização, desnuda a face de um sistema econômico que já deu o que tinha que dar…

        Em outras palavras: dos oito bilhões de habitantes do nosso planetinha, dez desses habitantes possuem aproximadamente a pequena fortuna de apenas 1.568.500.000,00 (Um bilhão, quinhentos e sessenta e oito milhões e quinhentos mil de dólares), valor que supera o produto interno bruto de muitos dos países existentes.

        Nada mal, não amigo leitor?

        Não é preciso nenhuma bola de cristal para se prever o aumento da destruição da natureza, do desemprego (o mundo digital aumenta a cada dia que passa o número de desempregados direta e indiretamente em muitos setores da economia), a disputa pelo mercado consumidor internacional, o crescimento da fome e da miséria, revoltas populares, guerras localizadas e, sobretudo, o aumento do egoísmo e da violência individual que já nos incomodam nas ruas das nossas cidades e mesmo dentro de muitos de nossos lares.

        Isso ainda vai demorar uns bons anos, dirão muitos. Só que tudo muda em alta velocidade no tempo presente. A soma de computadores, celulares e redes sociais produziu o impacto inicial das mudanças rápidas do nosso cotidiano na primeira década do século XXI.

        Como chegaremos ao ano de 2030 que está logo ali na esquina?

https://www.youtube.com/watch?v=Z1lBixneG5I

Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro nascido em BH. Em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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Izaias Almada

Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro nascido em BH. Em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.

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