Crônica, simplesmente uma geminiana, por Rui Daher

Em dia 8 de junho, nasceu em mim e perdura há 70 anos uma geminiana de nome Cléo. Aguente um pouco mais de tempo este cronista em dolorida finitude. Parabéns!

Fui bobo não.

Por Rui Daher

Em dia 8 de junho, nasceu em mim e perdura há 70 anos uma geminiana de nome Cléo. A conheci em 1962. Flertamos e dez anos depois, vidas em viés, nos reencontramos. Mais dez anos e nos casamos. A conta fica para vocês.

Casamento daquele jeito que vocês conhecem e muitos repetem. Civil, religioso, e arrependimento, ou não, anos após.

Com o passar do tempo, vieram Mariana, Júlia, Gabriel e uma sucessão de cães. Todos, filhos e cachorros, lindos, gauches, e impecáveis em seus aparelhamentos culturais. Deus, existindo ou não (quem seria eu para certezas, depois de no céu o Dominó de Botequim estar “ativo operante”), poderá comprovar.

A vida tem nos seguido por muitos cantos e encantos do planeta. A Kodak Instamatic pode ser exposta, o carretel de slides também, até se acalmarem naquilo que as modernidades vão definindo como acomodação, amizade, condicionamentos da finitude, exercícios intelectuais, esperança nas gerações seguintes.

Quando não estou em andanças e crônicas, volto à casa, e muito falamos de família, amigos, da saúde que em muitos dos mais próximos vai se esvaindo e que logo chegará até nós. Também de política. Mas aí está fácil. São somente pilhérias, pois qual futuro teremos com o insano (tratamento que manterei até que ele seja internado)? Mal sabemos nós e vocês. Incluo aqueles que dizem: “Eu? O outro seria pior”.

Respondo: verdade, o “outro” estudou.

Não somos exatamente iguais, eu e Cléo. Apesar de o tempo e as leituras terem aproximado nossos pensamentos. Psicólogos e sociólogos sempre alternarão conceitos. Para o bem, mal, ou mesmo apenas, para termos como divergir e depois convergir. Ou Freud, Marx, budas e, hoje em dia Francisco, foram e são assim tão dicotômicos?

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Sei que não é hora para tal assunto. Temos a discutir território em processo de destruição por equívocos que chegam a nações subjugadas, como a nossa, e às mais pobres do planeta que, sabe-se lá, deveriam ter criado vida diferente, amorfa, teratológica, em planetas diferentes da Terra.

Ou vocês acham que em Saturno estão preocupados conosco e o insano presidente Jair Bolsonaro? No máximo, lá pensam como colocar seus anéis em consignação para a H. Stern.

Parabéns, Cléo. Aguente um pouco mais de tempo este cronista em dolorida finitude. Parabéns!

 

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