De volta à Revolução Industrial
por Homero Fonseca
A zelite brasileira e seus porta-vozes na imprensa sempre defenderam encarniçadamente a máxima exploração do trabalhador. A começar pela escravidão. Quando se falava em abolição, gritavam: “O Brasil vai à falência”.
E foi assim com a carteira assinada, o salário mínimo, a jornada de 8 horas, férias e tudo o havia sido conquistado no mundo e chegava aqui com atraso. Quem não cansou de ouvir que os direitos trabalhistas impediam o crescimento do país, ocultando-se que todos os países prósperos os adotaram (exceto a pátria de Donald Trump).
Por esse e outros motivos, levaram Vargas ao suicídio, derrubaram Jango, prenderam Lula e deram o golpe da deposição da Dilma. E fizeram a reforma trabalhista de Temer, regredindo aos primórdios da Revolução Industrial, precarizando o trabalho, comprimindo salários, enfraquecendo os sindicatos e implantando a desumana escala 6 x 1. O bombardeio de agora contra o projeto que abole essa excrescência faz parte dessa eterna estratégia das elites mais retrógradas, improdutivas e reacionárias do globo terrestre.
E por falar no Globo, a manchete apocalíptica da edição de 26 de abril de 1962, quando Jango estava para instituir o 13º salário, repete o padrão.
Eles continuam os mesmos.
Homero Fonseca é pernambucano, escritor e jornalista, formado pela Universidade Católica de Pernambuco. Foi editor da revista Continente Multicultural, diretor de redação da Folha de Pernambuco, editor chefe do Diario de Pernambuco e repórter do Jornal do Commercio. Foi também professor de Teoria da Comunicação e recebeu menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. Atualmente, dedica-se à literatura e mantém um blog em que aborda assuntos culturais.
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