Fora Temer, mas deixe a Marcela, por Rui Daher

Fora Temer, mas deixe a Marcela

por Rui Daher

– Porra Nestor, a esta hora? O que de tão urgente?

– Uma nova. Mas é verdade que você desistiu de vender o BRD/FD?

– Não foi bem uma desistência. O Wesley lançou em profundidade para o Joesley que cruzou para o Kamel emendar e afundar o gol do Temer. O dólar disparou e eu estou dando um tempo. A negociação estava sendo feita em reais.

– O Temer afundou mesmo?

– O Juncal e o Nassif acham que sim. A Folha ainda tem esperança.

– Então nem adianta te contar a novidade.

– O quê? Sabe que detesto quando fazem isso comigo, “ah deixa pra lá … te conto mais tarde … não era importante”. Fico puto. A vontade é esgoelar o maldito. Fala logo.

– O Doriana Júnior me ligou cheio de dedos.

– Dedos finos e macios como seda agora ásperos na varrição de ruas.

– Pediu desculpas pelo entrevero daquela entrevista pré-eleitoral. Disse que estava muito nervoso e certo da reeleição do Haddad.

– Prova de que não tem a menor ideia de como são os paulistanos. Só confiam em ricos. Acham que assim ficaram por mérito ou ajuda divina.

– Mesmo depois dessa merdaiada toda que mostrou de onde vêm as fortunas não taxadas?

– Sabe como é, Nestor, o fetiche da mercadoria, como escreveu alguém no século 19. Cashmere da Burberrry, camisa da Ralph Lauren, sapatos Ferragamo e Louboutin.

– Ele se diz abalado com o episódio da Cracolândia, a virada na Virada, Aécim. Nem consegue mais dormir, preocupado com as armações do Alckmin. Outra noite, sonhou com um enorme chuchu de pelúcia cantando no Caldeirão do Huck.

– Tadinho. Propõe entrevista-lo na igreja matriz de Pindamonhangaba.

– Esquece. Sei quando você não está afim.

– Não é assim, Nestor. Ando meio entediado. Tivesse grana passaria uns dias em Paris, internado na biblioteca da École des Hautes Études en Sciences Sociales, no bom e velho Boulevard Raspail, catalogando tudo o que tem sido postado no GGN nos últimos meses. Eita intelectualidade.

– Na infância o Doriana viveu 10 anos em Paris. Vai ver estudou nessa escola aí.

– Nestor, ah, Nestor. Lá não tem curso de etiqueta nem de bordado alsaciano em pano preso a tamborete.

– Porra, está cada vez mais difícil falar sério com você.

– Pode marcar.

– A entrevista?

– Não, uma reunião nossa com o Pestana.

– Para decidir se fazemos ou não a entrevista, bolar uma pauta?

 Mais uma vez, não. Ele tá muito chateado.

– Imagino. Acabou a grappa na Redação.

– Não. Perderemos a primeira-dama mais bonita do planeta.

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