O fugitivo Bolsonaro *
por Urariano Mota
A propósito da acovardada fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, muitos têm procurado relacionar o fujão a seus antecedentes nos filmes do cinema. Mas já esclarecemos, de passagem, que no caso de Bolsonaro os seus antecedentes são criminais. Outra diferença é que os fugitivos no cinema possuem uma razão ética, nunca de covardia. Com exceção dos nazistas.
É claro, um personagem fugitivo sempre teve lugar na literatura e no cinema. Nos filmes, são muitos. Inesquecíveis em Bonnie e Clyde, marcantes para sempre nas imagens do cangaceiro Lampião. Mas na literatura, sem consulta ao Google, lembro de Os Miseráveis, de Victor Hugo, na criação de Jean Valjean, liberto e mais adiante em fuga diversas vezes. Outro, na obra-prima Grandes Esperanças, de Charles Dickens. Até mesmo na recusa de Sócrates, que ao ser aconselhado a fugir, respondeu: “Em que lugar a morte não me alcançará?”. Cito de memória.
Lembro que antes da grande literatura, o fugitivo chegou para todos os brasileiros na série O Fugitivo, que víamos eletrizados na televisão. Em uma consulta à Wikipédia, lemos que The Fugitive, ou O Fugitivo, foi um seriado de televisão dos Estados Unidos apresentado de 1963 a 1967. A série teve quatro temporadas e contou com 120 episódios no total. Na história, Richard Kimble, o protagonista, depois de ser condenado pelo assassinato da esposa, escapa da prisão e passa a ser declarado fugitivo.
O seriado foi um sucesso de tal natureza, que durante a ditadura brasileira o nome Kimble foi o apelido para o infiltrado Cabo Anselmo, o assassino de muitos militantes socialistas, como a sua companheira Soledad Barrett. O Cabo Anselmo recebeu esse apelido entre seus iguais na repressão política.
Depois da repercussão absoluta da série, se fez o filme The Fugitive em 1993. O curioso é que no filme o perseguidor é encarnado pelo ator Tommy Lee Jones. Leram bem, Jones. Por ironia involuntária, até parece uma antecipação de Janones, que impulsionou a vitória de Lula em 2026.
No entanto, a série O Fugitivo era melhor. Perdão. A vida real é que é, sempre, mais de uma vez. Na série, houve um final feliz, como se vê aqui
Mas na vida real, a história é outra. Trump, o anfitrião cúmplice dos Bolsonaros, deve perder as eleições de meio de mandato nos próximos dias. Portanto, com Trump derrotado, o fugitivo Flávio Bolsonaro não demora a voltar da sua fuga. Ele receberá dos democratas uma nova versão do “Yankee, go home”. Em bom português, a justiça brasileira espera o criminoso que fugiu.
*Vermelho O fugitivo Bolsonaro e seus antecedentes cinematográficos – Vermelho
Urariano Mota – Escritor, jornalista. Autor de “A mais longa duração da juventude”, “O filho renegado de Deus” e “Soledad no Recife”. Também publicou o “Dicionário Amoroso do Recife”.
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