25 de junho de 2026

Ode à Consolação, por Janderson Lacerda

A Consolação é um misto de tristeza e alegria. A desesperança e a solidão paulistana percorrem a via em automóveis vazios.
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Ode à Consolação

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por Janderson Lacerda

Tantas são as veias da cidade de São Paulo, a maior da América Latina e, possivelmente, a que possui a pior administração no momento também. Mas, nenhuma artéria é tão vital como a Rua da Consolação, meu endereço de vida e morte. 

Há na Consolação uma beleza nostálgica. Do vintage ao modernista. De edifícios envelhecidos à arquitetura moderna. De Mário de Andrade e da lira paulistana a botecos que não são mais sujinhos, mas que continuam a enterrar o samba. 

A Consolação é um misto de tristeza e alegria. A desesperança e a solidão paulistana percorrem a via em automóveis vazios. Ao mesmo tempo, que a vida pulsa de maneira tragicômica. Os ônibus cheios com destino para qualquer lugar do planeta poluem ainda mais o ar pesado da cidade. Mas, que cidade teríamos sem o aconchego da Consolação? Sem a contemplação das suas formas?

Ilha de concreto e de natureza resiliente. As árvores no início da via, as flores que brotam no asfalto e o canto dos pássaros ao lado da igreja de Nossa Senhora da Consolação, dão o tom à complexidade da via e da vida.

São tantos olhares multicoloridos e tantos sabores. O charme gótico e o contraste entre o conservador e o cosmopolita. Do Anhangabaú à Rua Estados Unidos. A Consolação autônoma, rebelde não se curva à dominação. Quanto orgulho, prazer, quanta tristeza, quanta história, quanta paixão nasceram na Consolação?

Pense nos amores que desabrocharam no Cine Belas Artes. Ah, Consolação conceição de paixões!

Realmente és aorta que se ramifica em várias outras artérias para dar vida ao corpo – São Paulo. Quantos contrastes, dissabores, desencontros e o sobe e desce, vai e vem de corpos assistidos pelo pulsar da arte, os grafites que expressam o desenho da cidade, revelando as entranhas da alma paulistana. Consolação, meu bem, aleatória, poética, prosaica, perfeitamente imperfeita e doce. 

Janderson Lacerda é escritor e professor universitário. É autor dos livros: Programa Escola da Família: democratização do Espaço Escolar? Dentre outras publicações.

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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