Stanislaw Ponte Preta na Linha, por Jorge Alberto Benitz

Em uma sessão apareceu indignado. Nunca tinha visto algo igual. Todo mundo que estava junto na mesa, também, ficou surpreendido.

Stanislaw Ponte Preta na Linha

por Jorge Alberto Benitz

     Pouca gente sabe que mantenho contato com gente do outro mundo via psicografia. Soa estranho um ateu manter este tipo de contato. Confesso que até eu, um ateu (Ops!), acho estranho, mas não tenho como deixar de fazer estes contatos porque eles são feitos com pessoas especiais como o Sérgio Porto que usava o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta, um cara que somente os mais rodados como eu conhecem. Segue link https://www.sul21.com.br/opiniaopublica/2016/09/stanislaw-ponte-preta-again-por-jorge-albert o-benitz/.

         Tinha acertado que, a não ser em caso de urgência, urgentíssima, nunca mais iria encher o saco dele. No último contato ele se demonstrou importunado até dizendo que o que tinha que fazer ele fez quando esteve por aqui na sua relativamente curta estadia. Cumpri a minha parte. Só que agora foi ele que teve a iniciativa. Em uma sessão apareceu indignado. Nunca tinha visto algo igual. Todo mundo que estava junto na mesa, também, ficou surpreendido. Sempre somos nós, os vivos, a tomar a frente, invocando a presença de um deles.

         – Alo? Tem gente aí? Quero falar com o Alberto – indagou ele. Reconheci a voz, desculpas! Quero dizer, reconheci o estilo psicográfico da fala dele.

         – Sim! Estou aqui- respondi.

         – Bom saber. É que…… está acontecendo uma rebelião por aqui. Eu, o Barão de Itararé e um cara que chegou bem depois de nós, um tal de Bussunda, estamos em pé de guerra.

         – Ué! Por que a rebelião? – indaguei, intrigado, como todos os demais componentes da mesa, diante de tudo que estava em curso; a iniciativa dele de começar o diálogo intramundos, o motivo da rebelião, algo que, suponho, inédito por aquelas bandas.

         – Achamos sacanagem do Senhor nós trazer para cá antes de poder presenciar e agir como humoristas neste período tão rico de fatos capazes de levar a glória quem é humorista. Ainda mais agora com este besteirol a céu aberto propiciado pelos governistas na CPI. O mais chateado é o Barão de Itararé que apesar de estar há muito tempo aqui não sossega o pito, correndo o risco de levar um cartão vermelho e ser rebaixado para o inferno que, dizem, é um inferno mesmo. 

         – Não se preocupem. Tem uma turma nova mandando ver. Marcelo Adnet, Macaco Simão, Claudia Tajes, Antônio Prata, Gregório Duvivier, O Veríssimo, que ainda está afiadíssimo nos seus oitenta e lá vai pedrada. Aliás, ele manda avisar que apesar de ter tido um piripaque já se recuperou e pretende ficar muito mais tempo por aqui, viu? Tem, também, os chargistas Santiago, Laerte, Renato Aroeira, André Dahmer, Edgar Vasquez, Celso Augusto Schröder, que estão mandando bem. Desculpo-me por não citar outros humoristas interessantes com o mesmo quilate dos mencionados porque não me ocorre agora seus nomes. O fato é que todos eles creditam muito do que s&atil de;o ao legado de vocês. Fiquem tranquilos e curtam suas, digamos, vida celestial numa boa.

         – Melhor ficarem por aí. Voltando para cá correm o risco de morrer de novo devido a Covid – conclui tentando bancar o engraçadinho.

         Um silêncio se fez no outro lado. Achei que tinha caído a ligação. Enganei-me:

         – Bom se é assim, vou avisar meus parceiros. Obrigado pelas informações. Acho que nossas contribuições não foram em vão. Bom saber disso. Vou dar as boas novas a eles – falou isso, sem comentar nada sobre o meu comentário espirituoso final, e se escafedeu.

Meus companheiros de mesa ficaram com uma cara misto de admiração e inveja, provavelmente pensando “Pô! O cara tem transito com gente de lá como o Sérgio Porto”. Claro, estou falando dos mais velhos. Dois que eram mais novos nunca tinham ouvido falar do Sérgio Porto. Do Bussunda um deles até lembrava. Ia dar uma explicação para eles tirarem aquele ar de espanto. Preferi levantar e sair, deixando no ar o clima de mistério, para gozar melhor o feito.

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