13 de junho de 2026

Sucupira, por Heraldo Campos

Várias cidades do Vale do Paraíba tem problemas relacionados aos riscos geológicos e hidrológicos (inundações) e entre elas Guaratinguetá
Recortes da evolução da ocupação no “Morro do Sucupira”, em Guaratinguetá, Vale do Paraíba, Estado de São Paulo.

Sucupira

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

por Heraldo Campos

Segundo o bom e velho dicionário “Aurélio” sucupira é uma “designação comum a espécies do gênero Ormosia, da família das leguminosas, caracterizadas pelas sementes muito duras e de coloração vermelho-sanguínea, com uma mancha negra. São árvores providas de frutos do tipo vagem.” Sucupira foi também o nome da cidade onde se desenvolveu a novela “O Bem Amado” de 1973, baseada na peça teatral “Odorico, o Bem Amado”, escrita na década de 1960 por Dias Gomes [1].

Recentemente, a mídia noticiou que em São José dos Campos, tinham sido mapeadas e identificadas 64 áreas de alto risco, pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), onde vivem 652 famílias (zonas norte e leste) [2].

Várias cidades do Vale do Paraíba tem problemas relacionados aos riscos geológicos e hidrológicos (inundações) e entre elas Guaratinguetá, distante cerca de 90 km do estudo realizado. No ano de 1991 do século passado, alunos da Faculdade de Engenharia de Guaratnguetá da Universidade Estadual Paulista (FEG/UNESP) realizaram um trabalho prático, de campo,  em áreas de risco em morros no chamado “Morro do Sucupira”, Bairro Tamandaré, a partir da metodologia desenvolvida pelo IPT.

Esse local, ocupado por uma população de baixa renda na época e estimada em 400 pessoas, simplificadamente, é constituído por rochas de natureza granítico-gnassica, com cobertura coluvionar, suscetíveis aos deslizamentos de terra, onde foram identificadas áreas de alto e de médio risco. Como medida preventiva, sugeriu-se ao poder público a realocação dos moradores das áreas de alto risco e um retaludamento, seguido do plantio de gramíneas para contenção dos taludes, para as áreas de médio risco. Passados 34 anos, como está a situação hoje para a população dessa área? Melhorou ou piorou?

“Eu vejo o futuro repetir o passado / Eu vejo um museu de grandes novidades / O tempo não para / Não para, não para” – trecho da música “O tempo não para” de Cazuza do ano de 1988.

Fontes

[1] “O Bem Amado” – telenovela.

https://pt.wikipedia.org/wiki/O_Bem-Amado_(telenovela)

[2] “Estudo aponta que São José tem 64 pontos de risco alto para deslizamento de terra”

https://globoplay.globo.com/v/13758176

Heraldo Campos é geólogo (Instituto de Geociências e Ciências Exatas da UNESP, 1976), mestre em Geologia Geral e de Aplicação e doutor em Ciências (Instituto de Geociências da USP, 1987 e 1993) e pós-doutor em hidrogeologia (Universidad Politécnica de Cataluña e Escola de Engenharia de São Carlos da USP, 2000 e 2010).

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: https://www.catarse.me/JORNALGGN

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados