Rui Daher
Rui Daher - administrador, consultor em desenvolvimento agrícola e escritor
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Anarriê, alavantú XXVIII – Uni, dune, tê, esquerda volver e minguê?, por Rui Daher

São quase três décadas de governos voltados (ou supostamente deveriam ser) ao desenvolvimento social. O que aconteceu?

Anarriê, alavantú XXVIII – Uni, dune, tê, esquerda volver e minguê?

por Rui Daher

Mas já não estamos justamente neste momento? Ando confuso. Leio e ouço as folhas e telas cotidianas referindo-se aos mandatos de Lula (PT) como um, dois e três.

Mais de duas décadas com a excepcionalidade de quatro anos do Regente Insano Primeiro (RIP), o já não mais capitão do Exército, Jair Messias Bolsonaro, defenestrado das casernas por má conduta e, nas últimas eleições presidenciais pouco apoiado pelas Forças Armadas por incompetência crônica.

Antes um alerta: Messias e sua clã de mesmo sobrenome não desistem em deflorar o país. Não bastassem as fezes derramadas por Papi & Sons Inc. sobre o país, recentemente, resolvem conspurcar maravilhas da vida no planeta, vinhos, perfumes e praias, além de terras e moradias:

  1. O vinho “El Mito – Bolsonaro” de R$ 12,00/garrafa. Aguardo a nota Robert Parker;
  2. O perfume Lady M Floral Âmbar by Michelle Bolsonaro, R$398,00 (Mercado Livre);
  3. Praias privatizadas em 8.500 km de costa marítima by Flávio Bolsonaro, Neymar Jr. e imobiliárias. Preços consultar o pai;
  4. Em setembro de 2022, os colunistas do UOL, Thiago Herdy e Juliana Dal Viva (livro a ser publicado), já anunciavam que o clã Bolsonaro, em 107 transações imobiliárias, havia comprado 51 imóveis cash, em diversas localidades do país, valores expostos na matéria.

https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2022/09/09/como-rastreamos-que-o-cla-bolsonaro-pagou-com-dinheiro-vivo-51-imoveis.htm

– Bem, cronista menor, seus 13 leitores não entenderam o título. A ideia não era somente bater na esquerda? Leitores do GGN e CartaCapital, de crápulas, estamos cansados de saber. Por isso, as lemos e assinamos, o que nos faz minoria nas pesquisas de opinião. Os mais são os brasileiros de origem, treinados e assim ficados. Quando a coisa aperta, agradecemos e pedimos a Deus. Dia chegará em que Ele nos ouvirá e seremos cidadãos.

–  Explico. Como está, hoje em dia, o povo brasileiro? Bem? Me recuso a discutir dados positivos macroeconômicos, milimétricamente, superiores aos de bestas humanas como Paulo Guedes e RIP.

Se o fizer, me responderão: “Mas é a falta de maioria no Congresso, as taxas de juros de um Banco Central independente, a Faria Lima, os evangélicos, os eventos climáticos, “o siri recheado e o cacete” (João Bosco/Aldir Blanc).

Será mesmo? Pera aí. Esquerda, calma, que eu vou ver.  De 1992 a 2024, durante 32 anos, à exceção dos quatro anos nefastos do Regente Insano Primeiro, tivemos no poder incumbente Lula/PT, Uni, Duni, Tê; FHC e Itamar/PSDB, razoável centro-esquerda; Dilma Rousseff/PT.

São quase três décadas de governos voltados (ou supostamente deveriam ser) ao desenvolvimento social. O que aconteceu? Em quatro anos, Jair Messias Bolsonaro destruiu um ideário tão perseguido? Até a Rede Globo com ele polarizou. Descartemos, RIP, pois.

Continua a incógnita. Por que, apesar desse histórico político de 30 anos, digamos, com domínio amplo da centro-esquerda, sem abandonar a Carta Magna, de acordo com o Estado Democrático de Direito, tenha mantido um país desigual, pouco cidadão, populações periféricas e ribeirinhas mal atendidas, sanitária e educacionalmente, crescentes parcelas em pobreza extrema? Por quê?

Eu sei. Quando voltar danado de Catende, conto. Inté.

Rui Daher – administrador, consultor em desenvolvimento agrícola e escritor

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4 Comentários

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  1. “Juliana dal Piva” caso não exista trocadilho proposital…

    Admiro o esforço humorístico/literário, mas quanto à mensagem (se é que compreendi bem) me pergunto até quando – no que se supõe campo da esquerda – se ficará preso nessa espécie de paralisia de criar inimigos diametralmente opostos (bolsonarismo) sem admitir um fato básico : na nova República não se avançou quase nada – ou se retrocedeu mais que se avançou – porque não foi feita uma luta política de mudança estrutural e revolucionária. O sistema democratico simplesmente sublimou isso e hoje esse Lula três tem pra mim gosto de Paulo Guedes pós medida socioeducativa. Somos assim tão diferentes dos neoliberais? Talvez numa pauta moral ou outra sim, mas no que há de estrutural (isso inclui política fiscal e de investimento em Áreas fulcrais como saúde, educação, indústria e soberania nacional) somos, nós e os tais bolsonaristas, como aqueles irmãos que não se falam nem resolvem suas desavenças e não entendem que no fundo são farinha do mesmo saco. A meu ver o Brasil precisa de um processo revolucionário e isso começa por admitir a paralisia em que nos metemos, se perguntando muito francamente se estamos dispostos a sair dela, ou se ser elite intelectual decadente “de esquerda” é suficiente. O povo fodido como sempre não terá pudor em recorrer a um radicalismo bolsonaristas ou outra coisa mais estruturada que vier como promessa de (mais uma Vez) salvação “do que aí está posto”.

    1. Tiago, tive a impressão que nossas conclusões coincidem, não? Não quis reproduzir a polarização atual, até porque não há como polarizar com a ignorância. Afora os períodos de Getúlio e, mais tarde os governos militares, nunca tivemos uma sintonia conceitual, ainda que eu não concordasse com eles. Abraços

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