Anarriê, alavantú XXVI – O espermatozoide que invadiu o Banco Central do Brasil
por Rui Daher
No ocaso de minha atividade de consultor de empresas ligadas ao baixo clero do agronegócio (no singular; tudo o que ligado à agropecuária o é, tanto faz se exportado ou para o mercado interno – aprendam!), assessorava cinco empresas. Sobraram três.
Logo deverá ser apenas uma, a minha. Apesar de bens empregados, as duas meninas seguindo carreira no exterior e o garoto arte-educador e pintor, torço por meus filhos terem em suas lembranças algo de mim que não seja o fracasso.
Um amigo, de há mais de 20 anos, cliente, caboclo pernambucano de bom coração e simpatia por mim e pela amiga e anjo da guarda que me acompanha no trabalho. Ela, nas vitórias e derrotas; ele, reconhecedor da excelência de nossa linha de produtos e boas intenções com o meio ambiente, nos apoiou de todas as formas, por decisão própria, e recentemente nos salvou de fechar o negócio.
A vários empresários e figurões da época da ditadura e fora dela a quem servi por lealdade, agora instados, cagaram para meu perrengue. Hoje em dia, eu, chegando aos 80 anos de idade, ainda sofro traição de quase 30 anos atrás, inclusive a perda de todo o patrimônio (herança para meus filhos, conquistada à base de honestos salários CLT – lembram?) já não o tenho mais. Sou um quebrado. Quando, mais triste, sem o conhecido sorriso, no interior, sinto-me um fracassado. Me esqueçam e agradeçam à Santa Bolsa que os Guarda.
E o que isso faz entender de meus estudos? Que o capitalismo, mais do que juros, é agricultura, indústria, comércio, distribuição e expansão de empregos e renda para que se tenha exército industrial de reserva (Karl Marx, Crítica da Economia Política, in “O Capital” (1867), com renda para sua reprodução enquanto mão de obra.
No meu caso, somaram, também, a interação de pessoas em eventos que, em Petrolina (PE) e Juazeiro (BA) incluíram rins de bodes e cachaças e músicas nordestinas. Valeu pelo calor humano e a diversão.
Não menciono seu nome. Não tenho esta autorização nem ele e sua equipe precisam disso. Meu amigo e quem o conhece sabe de quem se trata. Ele e seus negócios ajudam nossa empresa a crescer e, agora, a não quebrar.
Perto dos 80 anos de idade, serei eternamente grato, pois sei o motivo dele ser um grande empresário e homem: a humildade desde que iniciou pequeno e soube crescer nos negócios e como ser humano.
Os espermatozoides e os juros
Como os espermatozoides são únicos, independentes e ao acaso na fecundidade, as taxas de juros no Brasil também o são para o desenvolvimento econômico.
A comparação é bem ajustada ao recente momento. Em 2021, o Regente Insano Primeiro (RIP), Jair Messias, tornou o Banco Central do Brasil (BCB) independente. Vale dizer, sob a falácia de segurar a inflação “Conceição, ninguém sabe ninguém viu”, estabilidade assegurada, mantém os juros em altas taxas. Favorece a economia financista e destrói a produtiva.
Foi assim que empresas médias e pequenas, na única e benéfica ação da pandemia bolsonarista, se acharam atraídas por empréstimos pelo PRONAMPE (Programa Nacional de Apoio às Pequenas e Médias Empresas), em condições favoráveis. Mais tarde, descobriram que a taxa inicial SELIC de 2,75%, em um ano, passaria para 13,75%. Independência ou Morte! Bradou Roberto Campos Neto, influenciado pelo DNA de seu avô, natural do Mato Grosso, Roberto de Oliveira Campos (1917-2001), seminarista que acabou diplomata nos EUA, onde se eternizou em paixão, vida, obra e símbolo do entreguismo, Robert Fields.
Essa linha evolutiva faz, hoje em dia, o Brasil não se desenvolver, várias empresas pequenas e médias quebrarem, a grande indústria não evoluir ou se desnacionalizar, sobretudo as estatais sob o apelido canalha de improdutivas e a “honraria” de privatizadas.
Se não me acreditam, ou me rebaixam por ter impedido minha empresa de quebrar, pela amizade, honra e inteligência de um grande empresário que, como eu “adora Petrolina (PE) e gosta de Juazeiro (BA)”, saibam que MINHA CORAGEM É ESTAR PRÓXIMA DE MINHA INCONSEQUÊNCIA.
Nota: as costumeiras apresentações áudio musicais dos “Anarriês, Alanatús”, hoje, são duas de mesma música tão conhecida, mas de verdadeiro autor nem tanto, JORGE DE ALTINHO. Aqui com Alceu e Fagner.
Rui Daher – administrador, consultor em desenvolvimento agrícola e escritor
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ZE SERGIO
30 de abril de 2024 6:06 pmPERTO DOS 80 E SEGUINDO E TRABALHANDO !! PARABÉNS!!