17 de junho de 2026

A moda dos zumbis e a insatisfação da sociedade

Do G1

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Moda de zumbis é reflexo de uma sociedade infeliz, diz pesquisadora

Americana estudou fenômeno que inclui séries, filmes, jogos e caminhadas.  ‘É uma alegoria óbvia. Sentimos que, de certa maneira, estamos mortos’.

A moda de marchas, séries de TV, filmes e games de zumbis pode indicar uma insatisfação da sociedade, aponta a pesquisadora americana Sarah Lauro, professora da Universidade Clemson, na Carolina do Sul.

Durante seu trabalho de doutorado na Universidade da Califórnia em Davis, ela estudou programas como “The Walking Dead”, que no Brasil é transmitido pelo canal a cabo Fox, filmes, jogos de videogame e, principalmente, caminhadas de “mortos-vivos” esfarrapados e maquiados que têm ocupado ruas e parques mundo afora para cambalear, grunhir e dançar.

 Seth Wenig/AP)
Atores fantasiados de zumbis promovem a estreia de Halloween da série ‘The Walking Dead’ ao longo da Ponte do Brooklyn, em Nova York, em imagem feita no dia 26 de outubro de 2010 (Foto: Seth Wenig/AP)

Sarah destaca que esse fenômeno não é uma febre casual – nem prejudicial –, mas parte de uma tendência histórica que reflete um nível de insatisfação cultural e uma revolução econômica.

“Ficamos mais interessados em zumbis nos momentos em que, como cultura, nos sentimos impotentes. (…) Quando vivenciamos uma crise econômica, a maioria da população se sente desestimulada. E simular um zumbi ou ver uma série como ‘The Walking Dead’ serve como uma válvula de escape para as pessoas”, diz Sarah.

Mas a pesquisadora destaca que essa insatisfação nem sempre é uma expressão consciente de um sentimento de frustração.

“Para mim, é uma alegoria óbvia. Sentimos que, de certa maneira, estamos mortos”, afirma.

 Ariel Schalit/AP)
Zumbis marcham em festival de Tel Aviv, em Israel, Saturday, no dia 23 de fevereiro (Foto: Ariel Schalit/AP)

As marchas de zumbis se originaram em 2003 em Toronto, no Canadá, e a popularidade desses encontros aumentou drasticamente nos EUA em 2005, junto com a insatisfação da população pela Guerra do Iraque.

“Foi uma forma que as pessoas encontraram (de se manifestar), pelo fato de se não se sentirem ouvidas pelo governo Bush. Ninguém queria a guerra, mas estávamos indo de qualquer maneira”, ressalta.

Em meados dos anos 2000, essa moda foi impulsionada com o lançamento de filmes como “Dawn of the dead” (“Despertar dos mortos”, no Brasil) e “28 days later” (“Extermínio”). Depois, vieram outras histórias, como “Meu namorado é um zumbi”, deste ano.

Desde 2012, caminhadas de zumbis já foram documentadas em 20 países, segundo a pesquisadora. O maior dos encontros reuniu 4 mil participantes no New Jersey Zombie Walk, no Parque Asbury, em Nova Jersey, em outubro de 2010, segundo o Guinness, o Livro dos Recordes.

 Thais Kaniak/G1)
Noiva-fantasma participou de caminhada de zumbis em Curitiba durante o carnaval (Foto: Thais Kaniak/G1)

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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