
LA DOLCE VITA – A ITALIA DOS ANOS 60 – A reorganização politica da Italia construi por 50 anos um arranjo que produziu bem estar economico, social e cultural, baseado no dominio da Democracia Cristã, uma especie de PMDB, em aliança com o Vaticano e os EUA. A Italia foi o principal aliado de Washington na Europa Continetal do pós guerra, uma aliança fraternal que não precisava dividir espaço com outros paises, como a Alemanha fatiada ou que não desfraldava bandeiras de “grandeur” proprio, como a França.
Nesse clima ameno a Italia conheceu nos anos 60 um “clima” de prosperidade e lazer com um cenario de tradição decadente, conhecido como “La Dolce Vita” romana, quando se inventou a expressão “café society” para carimbar uma certa sociedade eclética que misturava a antiga nobreza, a burguesia industrial, os politicos corruptos, o mundo do cinema, desfilando nos entornos da Via Veneto onde “paparazzi” buscavam flashes de escandalo para vender às revistas de celebridades. Fellini plastrou esse “millieu” no filme La Dolce Vita, Roma era o epicentro dessa sociedade frívola, despreocupada, depravada e única.
O agito da Dolce Vita se dava no inicio do happy hour nas mesinhas do Café Ristorante Doney na Via Veneto e lá se acertavam os encontros, escapadas, festas, farras, tudo começava nas mesinhas externas da grande quantidade de cafés e bares, de lá para as boates da moda e festas nos “palazzo” romanos.
A Italia desfilava ainda uma aristocracia orgulhosa, era a nobreza papalina, os condes savoiardos, os duques austriacos da Lombardia, Veneto e Trentino, a nobreza napolitana do Reino das Duas Sicilias e até uma postiça nobreza napoleonica malvista. Com o dinheiro grosso surgiam os industriais milaneses mas tambem apareciam na Dolce Vita os nascentes imperadores da moda, o marquês Emilio Pucci, heroi de guerra, as Schiaparelli, os produtores de cinema da Cinecittá, as estrelas das telas não só italianas mas tambem americanas, os “playboys” famosos,
tudo somado e misturado, mulheres lindas e faceis, era um mundo inebriante tão bem captado por Fellini. Esse ambiente não havia em Paris e nem em Nova York, centros onde as classes sociais não tinham o habito de se misturar, Roma era única e a Dolce Vita ditava moda de costumes pelo mundo, foi um divisor de aguas, juntamente com o rock, a pilula e a grande linha de mudança nos habitos, moral e costumes que o mundo conheceu na crucial virada dos fim dos anos 50 para o começo dos anos 60, quando morreu o velho mundo dos anos 30 e 40 e nasceu a modernidade do longo ciclo do mundo novo dos anos 70, La Dolce Vita morreu com o fim dessa transição de épocas.
Acima na foto as míticas mesinhas externas do Doney, eixo da Dolce Vita.
Ugo
17 de maio de 2014 5:18 pmsempre
Parabéns MA
Como sempre preciso, competente e informativo é bom lembrar, relembrar e aprender.
franklin
17 de maio de 2014 10:20 pmE a máfia que se tornou a
E a máfia que se tornou a sociedade italiana? Onde fica isso?
Motta Araujo
17 de maio de 2014 11:33 pmA máfia viceja na Democracia,
A máfia viceja na Democracia, o ditador Benito Mussolini acabou com a mafia durante seu governo, eles voltaram na Italia democratica. Infelizmente é uma realidade, não é questão de opinião. No Brasil a”comilança” das máfias politicas é em relação ao PIB muito maior do que a mafia italina, estimos em 15% do PIB brasileiro é roubado pela “comilança”, de cada 50 Prefeituras auditadas pela CGU-Controladoria Geral da União, 48 tem roubalheiras que vão desde o leite das creches até obras pagas que não existem, o doleiro Youssef que girou R$10 bilhões só opera com politicos e não é o único no ramo.
Então não podmos aqui criticar a máfia dos outros, temos a nossa cada vez maior e mais propsera.
junior50
17 de maio de 2014 10:56 pmA foto
Maestro,
Il signore, poderia ter colocado outra foto, a da Anita Eckberg tomando banho na Fontana de Trevi, uma cena que chega bem perto da Rita Hayworth tirando a luva – sensualidade anos 50/60, mas eterna.