6 de junho de 2026

Celso Furtado e a soberania, por Rosa Freire d’Aguiar

"No mundo de hoje, se você perde a soberania, é quase impossível recuperá-la. Nosso país tem a tradição de preservá-la".
P. S. -- gosto dessa foto, quando Celso morava num quartinho de hotel no Quartier Latin, no pós-guerra, e fazia sua tese de doutoramento de economia.

Celso Furtado e a soberania, por Rosa Freire d’Aguiar

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Hoje, 26 de julho, Celso faria 105 anos.

Desde que ele morreu, em 2004, até que doei seus arquivos para a USP, em 2019, organizei, editei, escrevi um monte de livros sobre ele, sobre sua obra. Nas pesquisas que fiz em sua papelada, aqui e ali caí em peças curiosas, em reflexões que confirmam minha impressão de que, mais do que um economista, ele foi um grande pensador social.

Mas para relembrar o dia de hoje, e diante do perigoso ineditismo da situação que estamos vivendo desde que o Energúmeno do norte danou a nos fazer ameaças, tentei encontrar algo que Celso tivesse escrito sobre “soberania”. Foi uma busca rápida, e caí neste trechinho — uma resposta dele à Maria Helena Passos, que o entrevistou para a (finada) revista Problemas Brasileiros.

Lá vai:

“No mundo de hoje, se você perde a soberania, é quase impossível recuperá-la. Nosso país tem a tradição de preservá-la. Conseguiu manter sua unidade com todas as forças dispersivas que havia em sua cultura e sua formação. Isso deriva de uma tradição herdada dos portugueses: a noção de Estado, preservada em toda a história brasileira. Quando a soberania corre risco, parece que desperta um instinto de sobrevivência. No mundo de hoje, é difícil explicar um Brasil tão vasto, com tantos recursos, sem nenhum movimento de dissidência. É o entranhamento, em nós, da noção de soberania.”

Oxalá!

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