5 de junho de 2026

Os eno-chatos e a cultura do “se é caro, é bom”

O exibicionismo enológico e os novos ricos

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Re: O elitismo da degustação de vinhos

A partir da Era Collor criou-se em São Paulo um certo exibicionismo enologico aonde novos-ricos, exclusivamente novos-ricos, ricos tradicionais não caem nessa armadilha, passam a discutir, comentar e tentar demonstrar conhecimentos sobre vinhos caros. A segunda etapa é exibir a adega para convidados. Nos restaurantes tentam discutir com os sommeliers como se “experts” fossem.

É tudo muito ridiculo, é apenas demonstração de incultura, esnobismo vazio, breguice porque:

1.A cultura do vinho surge com naturalidade em paises com longa tradição vinicola, onde existem escolas de enologia, enologos profissionais, produtores de linhagem, boa literatura sobre vinhos.

2.Paises apenas consumidores ou produtores marginais não tem essa cultura mas tentam fingir que tem, sem te-la verdadeiramente, são tentativas inuteis porque essa cultura não se improvisa.

3.Os novos ricos que falam sobre vinhos em São Paulo, na esmagadora maioria dos casos, não tem em casa um unico livro importante sobre a cultura do vinho, podem ter no maximo algum guia rápido.

Ao conversar sobre um Borgonha o conhecedor real conhece a historia vinicola da região, a historia das principais casas, ja esteve na região, é familiarizado com o assunto de forma natural.

4.Como não conhecem de fato a cultura do vinho, os “”eno-chatos” paulistas tem um referencial para eles seguro: O PREÇO. Ao pegar a carta de vinhos de um restaurante se guiam pelo preço,

a equação para eles é, se é caro, é bom. Não sabem porque é caro porque não conhecem a historia desse vinho ou de qualquer outro, tratam o vinho como a patroa deles trata uma bolsa Prada.

Não conhecem safras porque para isso precisa antes conhecer a origem, então são vitimas faceis de

sommeliers que empurram safras ruins, um variavel fundamental no preço, de bons rotulos.

5. A chamada “escola Robert Parker”, o mais conhecido critico de vinhos dos EUA, diz que nenhum vinho intrinsecamente pode valer mais de cem dolares. Parker foi o principal responsavel pela introdução de vinhos da Africa do Sul, Australia, Nova Zelandia e pela enorme expansão da venda de vinhos chilenos e argentinos nos EUA, tudo em detrimento dos tradicionais vinhos europeus. Alem disso foi um grande propagandista dos otimos vinhos californianos.

Parker foi ameaçado de morte na França porque disse que os Bordeaux de 5 ou 10 mil dolares eram uma mistificação, um reles  truque de marketing. A revista de Parker “”Wine Spectator”” é a biblia dessa escola e seleciona mensalmente vinhos bons a preços razoaveis.

Para quem curte vinhos os criticos são fundamentais, gosto muito de Hugh Johnson, inglês que tem uma visão melhor e mais abrangente do que Parker mas Parker é um revolucionario que muito contribuiu para a popularização do consumo de vinho nos novos mercados.

Quanto aos eno-chatos e aos eno-esnobes, a melhor coisa é rir deles, são meros eno-palhaços, na linha do Burgues Fidalgo, de Molière, querem demonstrar importancia através do vinho, é uma comedia para diversão de todos nós, deixe-os falar e pensar que impressionam.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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