
Mais um da geração do Cacique de Ramos se vai
por Augusto Diniz
A geração surgida no Cacique de Ramos – mais importante movimento de samba depois da Turma do Estácio (Ismael Silva, Bide etc. e depois Cartola, Nelson Cavaquinho…) – perdeu mais um membro. Dessa vez morreu o talentoso Almir Guineto (1946-2007) em decorrência de problemas renais nesta sexta (5/5).
E, assim, sambistas frequentadores do agrupamento artístico do Rio de Janeiro (RJ) que deu nova fase criativa ao samba a partir de 1980, com influências até hoje na música, vão saindo de cena.
Claudio Camunguelo (1947-2007), com sua estatura de estivador e a inseparável flauta, foi um dos primeiros. Elza Soares chegou a gravar um dos seus sambas.
Luiz Carlos da Vila (1949-2008), brilhante e inigualável compositor brasileiro, é cultuado atualmente por uma legião de músicos e amantes do samba.
O partideiro Deni de Lima (1961-2010) chegou a lançar dois discos. É autor do clássico “Macumba da nega”. Ratinho (1948-2010), nascido em Portugal, teve composições de sucesso (em parceria com Monarco) gravadas, como “Vai vadiar” e “Coração em desalinho”.
Já Bandeira Brasil (1950-2013) teve suas músicas gravadas pelo Fundo de Quintal e Zeca Pagodinho (amigos íntimos ao lado de Beto Sem Braço no início de carreira).
Um dos mais criativos versadores de samba do Rio, Renatinho Partideiro (1962-2013), deixou sua marca no Cacique de Ramos. Já Délcio Carvalho (1939-2013) ficou conhecido como parceiro musical de Dona Ivone Lara em vários sucessos. Porém, a música “Dor de amor”, dele com Dedé da Portela, é um dos mais belos sambas de todos os tempos.
Carlinhos Doutor (falecido em 2013) era cavaquinista da banda de Zeca Pagodinho no início de carreira. Éfson (1944-2014) compôs o belo samba “Brilha pra mim”, gravado por Jorge Aragão.
“Shopping móvel” (com Claudinho Guimarães) e “Despensa vazia” (com Serginho Meriti) são algumas das composições deixadas por Luizinho Toblow (1936-2017). Chiquinho Vírgula (1956-2017), coautor de “Insensato destino”, sucesso na voz de Almir Guineto, é mais um surgido no grupo da Zona Norte do Rio.
Outros nomes aqui não registrados e menos conhecidos, que passaram pelo Cacique de Ramos, deram sua contribuição ao movimento e se foram, por certo também deixam saudades.
Esses sambistas surgidos na geração talentosa do Cacique de Ramos farão muita falta ao gênero e a música brasileira. Não há indícios de que serão substituídos a curto prazo.
Gilson AS
5 de maio de 2017 9:36 pmConheci alguns citados
Conheci alguns citados aqui.
Deni de Lima era um dos maiores versadores que vi. Mas infelizmente a bebida atrapalhou um pouco a sua vida.
Já presenciei desafios de verso entre Zeca e Deni de Lima, era páreo duro.
Mas enfim, final de ciclo , e vida que segue.
dja
6 de maio de 2017 1:19 amPerda incalculável
Perda incalculável.
Jose mestre Carpina
6 de maio de 2017 1:59 amUma pérola !!
[video:https://www.youtube.com/watch?v=NMMry_FypEQ%5D
Ricardo santos
6 de maio de 2017 6:54 amSamba luto à Guineto
Sem palavras corretíssimo texto, eu vivi isso quando morei na vila da penha. O samba não pode morrer. Não pode parar. Mas um que se vai. Triste, mas feliz por ter vivido isso tudo (ou parte) do que VC escreveu. Parabéns e obrigado pelas seu texto.