4 de junho de 2026

Mais um da geração do Cacique de Ramos se vai, por Augusto Diniz

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Mais um da geração do Cacique de Ramos se vai

por Augusto Diniz

A geração surgida no Cacique de Ramos – mais importante movimento de samba depois da Turma do Estácio (Ismael Silva, Bide etc. e depois Cartola, Nelson Cavaquinho…) – perdeu mais um membro. Dessa vez morreu o talentoso Almir Guineto (1946-2007) em decorrência de problemas renais nesta sexta (5/5).

E, assim, sambistas frequentadores do agrupamento artístico do Rio de Janeiro (RJ) que deu nova fase criativa ao samba a partir de 1980, com influências até hoje na música, vão saindo de cena.

Claudio Camunguelo (1947-2007), com sua estatura de estivador e a inseparável flauta, foi um dos primeiros. Elza Soares chegou a gravar um dos seus sambas.​

Luiz Carlos da Vila (1949-2008), brilhante e inigualável compositor brasileiro, é cultuado atualmente por uma legião de músicos e amantes do samba.

O partideiro Deni de Lima (1961-2010) chegou a lançar dois discos. É autor do clássico “Macumba da nega”. Ratinho (1948-2010), nascido em Portugal, teve composições de sucesso (em parceria com Monarco) gravadas, como “Vai vadiar” e “Coração em desalinho”.

Já Bandeira Brasil (1950-2013) teve suas músicas gravadas pelo Fundo de Quintal e Zeca Pagodinho (amigos íntimos ao lado de Beto Sem Braço no início de carreira).

Um dos mais criativos versadores de samba do Rio, Renatinho Partideiro (1962-2013), deixou sua marca no Cacique de Ramos. Já Délcio Carvalho (1939-2013) ficou conhecido como parceiro musical de Dona Ivone Lara em vários sucessos. Porém, a música “Dor de amor”, dele com Dedé da Portela, é um dos mais belos sambas de todos os tempos.

Carlinhos Doutor (falecido em 2013) era cavaquinista da banda de Zeca Pagodinho no início de carreira. Éfson (1944-2014) compôs o belo samba “Brilha pra mim”, gravado por Jorge Aragão.  

“Shopping móvel” (com Claudinho Guimarães) e “Despensa vazia” (com Serginho Meriti) são algumas das composições deixadas por Luizinho Toblow (1936-2017). Chiquinho Vírgula (1956-2017), coautor de “Insensato destino”, sucesso na voz de Almir Guineto, é mais um surgido no grupo da Zona Norte do Rio.

Outros nomes aqui não registrados e menos conhecidos, que passaram pelo Cacique de Ramos, deram sua contribuição ao movimento e se foram, por certo também deixam saudades.

Esses sambistas surgidos na geração talentosa do Cacique de Ramos farão muita falta ao gênero e a música brasileira. Não há indícios de que serão substituídos a curto prazo.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

4 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Gilson AS

    5 de maio de 2017 9:36 pm

    Conheci alguns citados
    Conheci alguns citados aqui.
    Deni de Lima era um dos maiores versadores que vi. Mas infelizmente a bebida atrapalhou um pouco a sua vida.
    Já presenciei desafios de verso entre Zeca e Deni de Lima, era páreo duro.
    Mas enfim, final de ciclo , e vida que segue.

  2. dja

    6 de maio de 2017 1:19 am

    Perda incalculável

    Perda incalculável.

     

  3. Jose mestre Carpina

    6 de maio de 2017 1:59 am

    Uma pérola !!

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=NMMry_FypEQ%5D

  4. Ricardo santos

    6 de maio de 2017 6:54 am

    Samba luto à Guineto
    Sem palavras corretíssimo texto, eu vivi isso quando morei na vila da penha. O samba não pode morrer. Não pode parar. Mas um que se vai. Triste, mas feliz por ter vivido isso tudo (ou parte) do que VC escreveu. Parabéns e obrigado pelas seu texto.

Recomendados para você

Recomendados