Jornal GGN – O melhor percussionista do mundo bandeou-se para o lado dos músicos do céu. Naná Vasconcelos se foi, aos 71 anos, após uma luta de sete meses contra um câncer de pulmão. Uma parada respiratória selou a passagem às 7h39 minutos desta quarta-feira, dia 9 de março. O brilhante músico pernambucano estava internado desde o dia 29 de fevereiro, no Recife.
Ontem foi noticiado que Naná teria deixado a UTI, mas complicações em seu estado de saúde fizeram com que voltasse ao núcleo de terapia intensiva do hospital da Unimed.
Naná teve o câncer diagnosticado no ano passado, quando ficou internado por mais de 20 dias em tratamento. Então vieram as sessões de quimioterapia. Debilitado, não se furtou a produzir um ultimo trabalho com Zeca Baleiro e Paulo Lepetit, o Café no Bule.
Naná Vasconcelos, ou Juvenal de Holanda Vasconcelos, nasceu em 1944, no Recife, em família de músicos. Aos 12 anos já participava de grupos de maracatu.
Ele passeou no ritmo. Aprendeu primeiro a bateria, depois berimbau e foi seguindo, de timbre em timbre, som em som, tons maiores, até criar uma familiaridade com a sonoridade que nos rodeia, permitindo que compusesse com qualquer objeto um som que nos seguraria, atentos, prontos para o próximo acorde.
Quando se mudou para o Rio de Janeiro, conseguiu um espaço de reconhecimento. O primeiro passo fora dado, na década de 1960, quando começou a tocar com Milton Nascimento e também com Geraldo Azevedo.
Depois ganhou o mundo. Morou nos Estados Unidos e na França. E compôs trilhas sonoras para filmes, recebendo oito Grammys, um dos maiores prêmios que um músico pode aspirar. Foi eleito oito vezes o melhor percussionista do mundo pela Down Beat, revista americana, e chegou a fazer parcerias com B.B. King e Ella Fitzgerald.
Naná Vasconcelos trouxe a música no sangue, trouxe o suingue nos seus caminhos e nos legou um trabalho mais que celebrável. Seu aprendizado foi informal, foi na raça, e seu reconhecimento pela academia veio com o título de doutor honoris causa pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).
Salve Naná, nós que aqui ficamos brindamos por sua vida e sua obra!
Gil Teixeira
9 de março de 2016 2:22 pmBravo, Naná!
Bravíssimo!
Cafezá
9 de março de 2016 2:25 pmUma perda irreparável. Naná
Uma perda irreparável. Naná também fez trabalhos admiráveis com Egberto Gismonte.
Ninguém
9 de março de 2016 2:48 pmNaná, Naná!
Em 1988, tive a felicidade de ir a um show dele em que dividiu o palco com o Hermeto Pascoal. Dois gênios da raça.
Saudades.
ruyacquaviva
9 de março de 2016 2:50 pmEncontro e ausência
Naná Vasconcelos encontrará Itamar Assumpção no céu… Isso vai dar repercussão.
Aqui fica o silêncio ou pior… um barulho medíocre e sem ritmo de panelas hipócritas.
Jair Fonseca
9 de março de 2016 3:12 pmAve atque vale, Naná!
Postei minha homenagem ao grande Naná Vasconcelos no multimídia. Além de mestre e doutor em percussão reconhecido no mundo inteiro, autor do melhor álbum da música brasileira, nos últimos tempos: Minha Lôa. Que não teve divulgação nenhuma. Não deixem de ouvir essas amostras: “Caboclo de lança” e “Don’s rollerskates”.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=Rt5YFaRjW08%5D
[video:https://www.youtube.com/watch?v=ml0cMrGG7As%5D
Maria Luisa
9 de março de 2016 3:23 pmSaudações Nanah!
Nana, Itamar e Milton sempre tiveram o dom de sair do lugar-comum. Tanta gente boa indo embora. Faz parte do pacto de viver-morrer. O bom é ter feito coisas boas para os outros e para si. E Nanah, enquanto musico, fez as pencas!
altamiro souza
9 de março de 2016 3:25 pmé naná
é naná,
é axé,
é
é naná
é naná,
é axé,
é saravá
no céu!!!
muio triste, triste
triste mesmo,
mas naná persiste!!!
Sérgio Rodrigues
9 de março de 2016 3:38 pmAve o talento e a competência!…
Enorme perda!…Pô!… os que deveriam ir, não vão!….
Gerson Pompeu
9 de março de 2016 3:40 pmNó na garganta…
Tive a sorte de fazer (como técnico) alguns ensaios do Naná há dez anos, no Rio, e, com isso, conhecer um tiquinho da atmosfera mágica que ele criava entre os músicos que o acompanhavam.
Só quem viu de perto pode saber do que eu falo.
Me restou uma dedicatória no CD “CHEGADA”, gentilmente cedido, na ocasião.
Embaixador da paz entre os homens…
antonio rodrigues
9 de março de 2016 3:52 pmTenho um bela historia para
Tenho um bela historia para contar sobre o Nana.
Morava e Paris quando ele deixou o Brasil para se aventurar em voos profissionais mais longos.
Ficamos amigos e arranjei para ele ser entrevistado num programa da Radio Televisão francesa (ORTF).
Ficou combinado que a gravação seria em minha casa.
Na emissora francesa tudo era exagerado.
Chegaram dois enormes caminhões, cheios de sofisticados equipamentos de gravação, alem de varios tecnicos e engenheiros.
O Nana surgiu com seu berimbau.
Os tecnicos escolheram o melhor lugar para ele se instalar e antes de colocarem os microfones me perguntaram, porque ele não falava frances, onde estavam os instrumentos.
Respondi que se tratava apenas daquele arco de madeira com arame esticado e a cabaça.
O engenheiro, pensando que eu não entendera a pergunta a repetiu.
Diante da mesma resposta, começou a olhar seus papeis dizendo que havia algo errado na requisição.
Disse que a recomendação era para uma gravação de um programa de 20 minutos.
Na sua percepção seria impossivel alguem tocar durante 20 minutos num instrumento tão rudimentar.
Nana começou a tocar e so acabou quando o programa encerrou com todos os presentes extasiados..
Os franceses devem estar se perguntando ate hoje como um artista poderia ser tão genial.
Fernando Szegeri
9 de março de 2016 4:19 pmQue história bonita, Antônio.
Que história bonita, Antônio. Singela e exuberante, como seu protagonista. Obrigado (consegui derramar o pranto que estava sufocado na garganta…).
Ricardo Cavalcanti-Schiel
9 de março de 2016 4:00 pm“Pinta bem a tua aldeia, e terás pintado o mundo” (Tolstoi)
Naná foi mais um daqueles casos que, se não tivesse saído do Brasil, jamais teria tido o devido reconhecimento.
Sim, verdade que tocou com Milton e Geraldo Azevedo, mas naquela época a percussão não ia muito além da cozinha, mesmo que a experiência do Clube da Esquina já oferecesse o trampolim para novas linguagens instrumentais (que desabrochariam no instrumental brasileiro da década de 80), para além dos ensambles clássicos do jazz assimilados na década de 60 (os famosos e clássicos trios brasileiros).
Naná caiu no mundo e caiu no jazz de vanguarda, levado por Egberto Gismonti e prontamente acolhido pelo selo mais sofisticado dessa linguagem, a ECM, o eterno refúgio da diversidade sonora.
No final dos anos 70 e início dos 80 formou o antológico trio CODONA — COllin Walcott (instrumentos indianos), DOn Cherry (trompete e flauta) e NAna — que gravou três memoráveis LPs pela ECM, remasterizados em 2008 e relançados em conjunto na famosa caixinha branca do selo.
Em 1980, depois de formar quarteto com Gary Burton e, logo depois, com o baixista alemão Eberhard Weber (tudo na ECM), Pat Metheny decide gravar seu primeiro disco apenas com o eterno companheiro de música Lyle Mays (“As Falls Wichita, So Falls Wichita Falls”). Nessa ocasição, o núcleo duro do jazzmetheny (para o qual muitos jazzófilos ainda torcem o nariz) teve como único acompanhamento o laboratório de alquimia percussiva de Naná.
Ancorado na ECM, Naná despontou absoluto nas eleições anuais da revista Down Beat (a Cahiers du Cinéma do jazz), sucedendo o reinado de outro brasileiro, Airto Moreira, que também navegara na ECM, a partir do barco do Chick Corea.
Naná faz parte, antes de mais nada, de uma experiência musical cosmopolita. Seu berimbau, que despontara triunfante no premiado “Dança das Cabeças” (duo com Gismonti), de 1977, casou-se tanto com sítaras e tablas quanto com instrumentos eletrônicos.
A usina sonora que carregava era de tal magnitude e abundância que algumas das suas performances mais impressionantes acabaram ficando sem registro, guardadas apenas na memória de quem teve a fortuna de ouvi-las, como o show que deu em Campinas, no final dos anos 90, com o grupo Uakti. Quem sabe até não existam tapes perdidos por aí, aguardando serem editados, como o reencontro de 2012 com Gismonti no Festival de Ravenna, com a presença do Hamilton de Holanda.
Com uma sonoridade saída das entranhas do Brasil, Naná foi capaz de catalizá-la como um dos temperos mais sofisticados da música do mundo.
Edivaldo Dias Oliveira
9 de março de 2016 4:30 pmAlguma declaração sobre sua
Alguma declaração sobre sua passagem pelo grupo de música pop Chicago, na década de 70?
Nilva de Souza
9 de março de 2016 5:25 pmSaudades eternas!
Saudades eternas!
Eduardo Pereira
9 de março de 2016 7:01 pmDia triste para o Brasil
Que dia triste para o Brasil !
Além , é claro , de Naná Vasconcelos , uma monstro sagrado de nossa cultura , perdemos também essa manhã , assassinado por bandidos em plena BR-40 na altura de D. de Caxias , Frei Antonio Mozer , frade franciscano que se notabilizou pelas profundas ações de resgates sociais inspiradas na Teologia da Libertação , em áreas esquecidas pela cidadania , na Baixada Fluminense .
Tão importante quanto esse trabalho , era a sua veia intelectual , como escritor de 25 livros sobre Teologia Moral , e tambem seu trabalho acadêmico no Instituto Teológico Franciscano.de Petrópolis ( o mais conceituado fora da Europa ) , além de professor convidado de diversas instituições no exterior , como a Universidade de Berkley , na Califórnia . Indepentemente de suas posições políticas ( era , contraditoriamente à sua trajetória de viés socializante , uma ferrenho antipetista ) , uma imensa perda !
A Naná e Frei Mozer , obrigado pela dádiva de vossa vida , e que os Deuses os acolham em seu seio de paz eterna !
Carlos Alberto Freitas Lima
9 de março de 2016 7:14 pmMORRE AS MÃOS E DEVEMOS BATER PALMAS EM JAZZ
Me lembro quando comprei um disco, LP ainda, de Jean Luc Ponti, e lá estava o unico brasileiro que eu soube que partcipara de um projeto instrumental tão importante, vá com Deus Naná, com certeza o céu ficará um pouco mais erudito e mundo real menos.
Paulo P Ribeiro
9 de março de 2016 9:06 pmE mais do que sua obra, fica
E mais do que sua obra, fica a sua integridade política – http://tealuimalino.blogspot.com.br/2010/10/nana-vasconcelos-vota-em-dilma.html
alfeu
9 de março de 2016 9:22 pm*
É sina, assim Naná ensina
Sendo aqui ou Conchinchina
Tocar percussão cantar
É sina como medicina
Se não nana nina
Assim Naná ensina
Sem pretensão de ensinar
[video:https://www.youtube.com/watch?v=ncsckWHMKXo align:center]
lenita
10 de março de 2016 1:15 amNANAH
Vc não ficará p/ a história da MPB, você já é um capítulo importante dela.
Muito triste envio meus sentimentos à família.