8 de junho de 2026

Recado do Nassif: Zé do Caé, o agente funerário subversivo de Poços de Caldas

Alguém da escola de samba mexeu com o Caé, que resolveu enfrentar a escola inteira no braço.

Esta semana, em Poços de Caldas,  conheci o seu Pedro, pedreiro. Sua mãe foi uma das fundadoras da primeira escola de samba de Poços, militante do Chico Rei Clube.
E ele confirmou uma história que já conhecia sobre o grande Zé do Caé, filho do Caé da funerária, pessoa mais forte que jamais passou por Poços.

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Alguém da escola de samba mexeu com o Caé, que resolveu enfrentar a escola inteira no braço. Botou todo mundo para correr. O mais forte deles, o Vinicius, dono de um caminhão, terminou encarapitado em um poste e o Caé balançando o poste para ver se ele caía.
Caé era um dos comunistas de Poços. Nos anos 50, nos fins de semana alguns dos internos do Colégio Marista – dentre os quais o futuro grande jornalista Luiz Fernando Mercadante – iam até a funerária ouvir as pregações políticas do Caé. Iam até uma sala, onde ficavam expostos os caixões. Caé abria os caixões e cada qual deitava em um deles para tocar a discussão.

Depois de 64, cada problema que havia na cidade, levavam o Caé preso. Ficava alguns dias por BH e depois retornava. No grupo de presos entravam subversivos de outras partes do país, acho que até o futuro jornalista Talvani Guedes da Fonseca.

Caé botava todo mundo para jambrar. Acordava cedo e comandava as sessões de ginástica na cela.

Até que um dia se irritou com tanta prisão, arrumou a mala, rumou para BH e pediu para falar com o chefe do DOPS. Levaram até sua sala. Caé bateu a mala na mesa e desafiou:
– Veja aí se tem alguma coisa mais contra mim. Me prende de uma vez ou para de me encher o saco.

Conseguiu. Nunca mais vieram encher o seu saco.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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1 Comentário
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  1. Lâmpada

    1 de janeiro de 2020 1:31 pm

    Muito boa!
    Rindo muito!
    Meu panteão tem mais um herói: Caé.

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