Investigação nos EUA comprova o dito “Telexfree é pirâmide”, e site sai do ar

do iG

Telexfree é pirâmide, diz investigação nos EUA

Fraude permitiu que grupo obter US$ 1,2 bilhão de investidores; site da empresa saiu do ar

 Vitor Sorano

Telexfree é uma  pirâmide financeira que arrecadou US$ 1,2 bilhão em todo o mundo, concluiu uma investigação realizada por um órgão do governo de Massachusetts, onde fica a sede da empresa.  Horas após o anúncio, o site da empresa saiu do ar.

A investigação pede o fim das atividades do negócio no Estado, a devolução dos lucros obtidos e o ressarcimento das perdas causadas aos investidores, chamados de divulgadores.

A Telexfree americana, como ficou conhecida entre os associados, havia emergido como alternativa depois que o negócio foi bloqueado no Brasil também sob a acusação de ser uma pirâmide. 

“Apresentada como uma mudança de paradigma nas telecomunicações e em anúncios, a Telexfree é meramente uma pirâmide e um esquema Ponzi [um tipo de pirâmide financeira] que tem como alvo a trabalhadora comunidade brasileiro-americana”, informa a reclamação administrativa divulgada nesta terça-feira (15) pela Comissão de Valores Mobiliários da comunidade de Massachusetts, um órgão do governo local.

O esquema permitiu que o grupo, criado pelo brasileiro Carlos Wanzeler e pelo americano James Matthew Merrill,  arrecadasse mais de US$ 1,2 bilhão em todo o mundo  “muitas vezes ganhos e economias honestas de brasileiro-americanos e outros grupos minoritários.”

Divulgação/Telexfree

Carlos Costa, um dos diretores da Telexfree, fala ao público em cruzeiro do negócio, em dezembro de 2013

Do US$ 1,2 bilhão que o grupo faturou de janeiro de 2012 a fevereiro de 2013, apenas US$ 238 milhões — ou cerca de 20% – vieram da venda de pacotes VoIP. Segundo a investigação, o financiamento do esquema Telexfree vem do recrutamento de mais gente para a rede – como num clássico sistema de pirâmide financeira – e não da venda de pacotes de telefonia VoIP, como sempre defenderam seus representantes.

Ao testemunhar à CVM de Massachusetts,  Merrill, presidente da empresa, admitiu ter pouco conhecimento sobre o sistema VoIP e nunca ter atuado no ramo das telecomunicações.

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Além da fachada do VoIP, a Telexfree buscou captar recursos por meio de um projeto de construção de um Hotel na Barra da Tijuca, no Rio.

A conclusão da reclamação administrativa é que o grupo montou um esquema ilegal de investimento, com venda irregular de ativos, sob a fachada de marketing multinível – um modelo de varejo legal onde comerciantes autônomos são remunerados por trazerem outros comerciantes para a rede.

Por isso, o documento solicita que as empresas Telexfree, INC. – sede do negócio – e Telexfree, LLC – criada em 2012 – deixem de atuar em Massachusetts, prestem contas de tudo o que receberam com o esquema fraudulento, devolvam os recursos obtidos irregularmente e ressarça os investidores, e esja multada. 

As solicitações serão submetidas ao Escritório de Audiências da CVM de Massachusetts, que normalmente aceita os pedidos feitos às reclamações. A análise, entretanto, não tem data para ocorrer. Os documentos também podem subsidiar investigações federais administrativas e judiciais criminais.

Além de Merril e Costa, foram apontados como pessoas relacionadas ao esquema o americano Steve Labriola e os brasileiros Carlos Roberto Costa  (sócio da Telexfree, LLC. e do braço brasileiro do negócio), Fabio Wanzeler, Lyvia Wanzeler, Sanderley Rodrigues de Vasconcelos – que foi acusado em 2006 por operar uma outra pirâmide financeira – e as empresas Ympactus Comercial (o braço brasileiro da Telexfree), Disk à Vontade e Brazilian Help, todas criadas por Wanzeler.

O anúncio foi feito apenas dois dias depois de três empresas do grupo Telexfree apresentarem pedidos de recuperação à Justiça americana. As solicitações ainda não foram apreciadas.

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Após a divulgação do resultado das investigações, o site da empresa – pelo qual os divulgadores acessam suas contas – saiu do ar. Segundo um comunicado, a página voltaria estar disponível em 2 horas.

Ao iG, Sanderley Rodrigues de Vasconcelos afirmou desconhecer a razão pela qual seu nome consta da investigação. 

“Eu sou um divulgador, não tenho parrticipação acionária nem exerço nenhum tipo de função”, afirmou. “Tive uma má experiênica em 2006 e aprendi bastante. Mas, graças a Deus tudo foi resolvido. As pessoas receberam [o que haviam investido].”

Os responsáveis pela Telexfree ainda não responderam ao pedido de comentário feito pela reportagem. Eles sempre negaram irregularidades. A reportagem não conseguiu contatar Fabio e Lyvia. Dois advogados da Ympactus não quiseram comentar as informações.

Investigação confirma que cadastros a partir do Brasil continuaram

Merrill e Wanzeler criaram a Telexfree nos EUA em 2002,  mas o negócio só ganhou corpo após os empresários o trazerem para o Brasil. Aqui, os dois fundaram, em 2010, a Ympactus Comercial, em conjunto com o capixaba Carlos Roberto Costa.

As atividades começaram no início de 2012 e, cerca de um ano depois, cerca de 1 milhão de pessoas já haviam investido da empresa com a promessa de lucrar na revenda de VoIP e na colocação de anúncios na internet. 

Em junho de 2013, o negócio foi acusado pelo Ministério Público do Acre (MP-AC) de ser, possivelmente, a maior pirâmide financeira da História do País, e deu início a uma série de investigações contra empresas de marketing multinível com atuação semelhante. As contas da Ympactus e de seus sócios foram congeladas, e a empresa foi proibida de atrair novos investidores

Mesmo após esse bloqueio, quem mora no Brasil pôde continuar a entrar para o esquema,como o iG revelou, por meio do que ficou conhecido como “Telexfree americana”.  A possibilidade foi confirmada pela investigação da CVM americana divulgada nesta terça-feira (15).

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“De acordo com as informações e com o que acreditamos, a Telexfree permite a participantes no Brazil a continuar a investir dinheiro e sacar dinheiro de suas contas na Telexfree fazendo registro como participantes dos Estados Unidos”, escreveram os investigadores.

Carlos Costa, diretor da Ympactus, chegou a propor à Justiça que os divulgadores do País pudessem ser transferidos para a Telexfree americana, o que não foi aceito.

Sócios pagaram até restaurante com dinheiro dos investidores

Segundo a investigação, os responsáveis pelo negócio têm usado o dinheiro dos investidores para pagar despesas pessoais, inclusive contas de restaurantes.

Dados bancários apontam que em dezembro de 2013, Carlos Wanzeler recebeu US$ 7 milhões da Telexfree, e transferiu US$ 3 milhões para Carlos Costa. Na mesma época, outros US$ 12 milhões foram transferidos para diversas agências de investimento e US$ 1,7 milhão, para o clube carioca Botafogo, que passou a ser patrocinado pela Telexfree.

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15 comentários

  1. Como diz um amigo meu ,
    A

    Como diz um amigo meu ,

    A casa caiu…………….

     

    Por favor o ultimo que sair não se esqueça , apague a luz e feche a porta.

  2. Ainda vai aparecer defensor…

    Nos EUA os donos da TelexFree apresentaram à Justiça uma lista dos seus credores com apenas 30 pessoas, excluindo os milhares de “divulgadores” (http://glo.bo/1hG3Bxm). Mas os parentes e amigos dos donos não foram excluídos…

    E aí, TelexDefensores, como se sentem agora?

  3. enriquecimento rápido?
    Meu pai chama isso de olho gordo…
    Quer enriquecer? Acordar cedo, trabalho (muito trabalho) e parcimônia nos gastos.
    Além de cuidar da saúde e família.

  4. Parabéns, LUIS NASSIF. Você,

    Parabéns, LUIS NASSIF. Você, ao contrário do ministro da justiça, salvou muitas pessoas de entrerem nessa fria.

  5. Parabéns, LUIS NASSIF. Você,

    Parabéns, LUIS NASSIF. Você, ao contrário do ministro da justiça, salvou muitas pessoas de entrarem nessa fria.

  6. E tiveram de ser barrados no Acre!

    Parece que a Justiça no Espírito Santo e em quase todo o Brasil decidira que tinha mais o que fazer. Que os perdedores via Telexfree se lascassem, oras. E foi então que, além do Nassif,  apareceu a Justiça do Acre para salvar a pátria, barrando os espertos vendedores de vento.

    Parabéns ao Nassif e à Justiça Acreana!

  7. E o prêmio da série de Nassif

    E o prêmio da série de Nassif sobre a Telefree?

    Nassif lutou isoladamernte até antes dos primeiros passos do Ministério Publico.

    Lutou isoladamente.

    Quando todos se calavam.

  8. + comentários

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