10 de junho de 2026

Crise na Avibras reacende debate sobre a indústria de defesa brasileira

Comandante Robson Farinazzo defende nacionalização da empresa e maior articulação entre as Forças Armadas
Avibras - Divulgação

O Comandante Robinson Farinazzo, analista militar e criador do canal Arte da Guerra, participou do programa TVGGN 20H da última sexta-feira (17) para discutir dois temas interligados: a crise da Avibras, tradicional empresa brasileira de defesa, e o cenário geopolítico internacional, com destaque para as tensões na Venezuela.

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Farinazzo explicou que a Avibras enfrenta uma dívida de cerca de R$ 600 milhões e acumula 31 meses de salários atrasados dos 1.400 funcionários altamente especializados. “Você não compra nada com isso, não compra um avião”, afirmou o comandante, lamentando que “alguns trabalhadores já morreram nesse período”.

Segundo ele, a principal proposta para salvar a empresa é um projeto de nacionalização, articulado por seu grupo e pelo deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP), que já tramita na Câmara dos Deputados. A medida, explica, busca evitar o destino de outras companhias brasileiras do setor que desapareceram por falta de apoio governamental.

“Se não tiver um aporte do governo, seja através de estatização, seja através de compras consistentes e regulares, a empresa não tem como se manter”, disse Farinazzo.

O comandante também lembrou que a Avibras nasceu do engenheiro João Verdi, que criou uma cultura de excelência técnica e integração entre os trabalhadores. “O engenheiro João Vertes dizia que quem entra como office boy tem que sair como engenheiro. Então, isso criou um espírito de corpo fantástico, fantástico na Avibras que se perdeu”.

Fragmentação das forças

Um dos pontos mais criticados por Farinazzo foi a desarticulação entre as Forças Armadas e as instituições ligadas à indústria de defesa. “Nós já tentamos diversas vezes o contato com a BIND e o CIND e não conseguimos. Então é o seguinte, se essas entidades que em tese teriam que defender a indústria de defesa brasileira, não estão interessadas em falar com a imprensa especializada, aí é complicado”, afirmou.

Ele defende a criação de um Conselho Superior de Defesa, capaz de padronizar equipamentos, integrar compras e reduzir custos, citando como exemplo o uso de fuzis e viaturas diferentes por cada força.

Para o comandante, a arena decisiva hoje é o Congresso Nacional, onde projetos e debates começam a amadurecer. Ele destacou, inclusive, que parlamentares têm retomado temas sensíveis, como armas nucleares e energia atômica, apontando uma “evolução saudável no debate democrático sobre defesa”.

Venezuela

A conversa avançou para o cenário internacional, com destaque para a crise na Venezuela. Farinazzo avaliou que uma intervenção norte-americana no país seria improvável e perigosa. “A quantidade de militares que o Trump amealhou até o momento, cerca de 10 mil militares não é suficiente para você iniciar uma operação em grande escala de um país do tamanho da Venezuela e com o volume de forças armadas que ele tem”, afirmou.

“Mas se houver realmente uma coisa violenta contra a Venezuela, eu acho que a gente não vai ter outra saída, se não repensar bastante o nosso arcabouço defensivo. O Brasil é vulnerável”, acrescentou o comandante.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

2 Comentários
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  1. Fabio de Oliveira Ribeiro

    19 de outubro de 2025 3:47 pm

    Lula enfiou um evanjegue do STF tendo consciência de que os pastores evangélicos são “quinta coluna” do sionismo no Brasil. Talvez ele decida doar a indústria bélica brasileira à Netanyahu. O que Lula chama de soberania é a soberania do evanjeguismo/sionismo na política e na esfera militar brasileira? Quem sabe.

  2. GalileoGalilei

    20 de outubro de 2025 1:07 am

    Será que o Nassif poderia nos brindar com uma matéria investigativa sobre a “Nova Resistência” e quem sabe nos informar também qual a relação que o Comandante Robinson Farinazzo tem com ela?
    https://pt.wikipedia.org/wiki/Nova_Resistência

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