5 de junho de 2026

A empresa brasileira que vai desenvolver a fuselagem dos Gripen

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Do Brasil Econômico

 
Daniel Carmona

Empresa brasileira de engenharia aeronáutica, localizada em São José dos Campos, vai ampliar estrutura e acelerar ritmo de produção

A decisão da presidente Dilma Rousseff de colocar um ponto final no impasse de mais de uma década do governo sobre a compra de caças, ao anunciar a escolha do sueco Gripen NG, vai ampliar a estrutura e encurtar os prazos da única empresa nacional envolvida desde praticamente o início do projeto. Há cinco anos, quando o protótipo nórdico ainda parecia uma distante realidade para o Brasil, a Akaer, de São José dos Campos, já embarcava com seu portfólio de soluções em engenharia aeronáutica para desenvolver a fuselagem assinada pela Saab.

“É difícil precisar o que vai acontecer de agora em diante. Isso vai depender da negociação que será feita ao longo do próximo ano pelo governo brasileiro. Mas certamente o ritmo será mais intenso”, diz Fernando Ferraz, diretor de engenharia da empresa. O calendário inicialmente estipulado pela Saab para entrega do primeiro avião em 2020 já foi deixado para trás quando a Suíça formalizou em setembro a intenção de aquisição de 22 unidades do caça em desenvolvimento. Com a injeção de recursos por parte do governo brasileiro – que deve gastar cerca de US$ 4,5 bilhões por 36 aeronaves -, o projeto naturalmente ganha fôlego para caminhar com maior velocidade.

Nada que atrapalhe a programação dentro da sigilosa sala que toca os projetos da Saab, onde é preciso vencer três barreiras de segurança, a última com leitor biométrico, dentro da Akaer. “Eu diria que nós nos preparamos durante todo esse tempo. Não tem pressão. Agora é o momento bom, de execução”, acrescenta Ferraz. O primeiro voo do novo caça deve ser realizado até o fim do próximo ano, com outros dois anos de rigorosos testes. A produção das peças já começou. Esse avião-modelo será feito integralmente na Europa.

Certificação

Do primeiro contato com os atuais parceiros, em 2008, a empresa alocada na região central de São José dos Campos entrou em fase de adaptação para estar certificada com o ISO 27.001 e, assim, entrar no projeto. Tal título é concedido às empresas que adotarem rígidas normas de segurança, monitoramento e controle de acesso, comum para bancos e instituições financeiras. “É um projeto na área de segurança, com elevado grau de sigilo. Nem mesmo estrangeiros podem entrar na equipe do Gripen. Somente brasileiros”, explica Kenzo Takatori, diretor de relações da empresa.

Com um link direto de comunicação com a Suécia, os atuais 37 engenheiros (equipe que será expandida anualmente) trocam informações e compartilham modelos tridimensionais da fuselagem central, traseira, asas, portas e trem de pouso, as partes que hoje estão sob responsabilidade da Akaer. Tal modo de operação foi estabelecido há quatro anos, depois que todos os engenheiros retornaram de um intercâmbio de três meses na região de Linköping, onde é desenvolvido o caça, no sul da Suécia.

“No fim do primeiro semestre de 2009, eles enviaram um request, um pedido sobre como seria ofertada a fabricação. Não temos fabricação própria, então montamos um consórcio no qual temos a liderança”, detalha Ferraz. Parceiras da Embraer, empresas como Inbra-Aerospace, de Mauá (SP), Magnaghi Friuli e Winnstal, estas duas de São José dos Campos, com expertise em execução de projetos e tecnologia de materiais, fazem parte do grupo. A decisão sobre onde a produção da fuselagem vai ocorrer ainda está em aberto. É então que a entrada do governo brasileiro pode abrir caminho para a Akaer. “São Bernardo do Campo é uma possibilidade. É onde o governo indica que fará a montagem”.

A relação entre brasileiros e suecos ainda pode render boas divisas para a companhia do interior paulista. Além das cifras contratuais, que são mantidas em sigilo, a Saab fez um empréstimo conversível de até 15% do controle acionário da Akaer. O prazo de carência, para que essa opção seja exercida, é 2015. Um acordo ainda prevê que a participação dos suecos chegue a 40% da companhia. Todo o restante da empresa segue nas mãos de seu fundador, o engenheiro ex-Embraer Cesar Silva, que fundou a Akaer em 1992. O vai-e-vem acionário, no entanto, pode acontecer de outra maneira, segundo Fernando Ferraz. Dependendo do que for acordado para a futura unidade fabril, a Saab e Akaer poderiam liderar uma joint venture.

O executivo, por fim, é taxativo quando questionado se sabia de decisão do governo pelos suecos. “Se você encontrasse alguém que dissesse que sabia o que estava acontecendo, você podia dizer que conhecia um mentiroso. Nunca vi um programa com tanta gente garantindo que sabia e que era a favor desse ou daquele projeto. Desde 2009, ouvi todas as versões e histórias possíveis. Brinco que só vou acreditar em tudo isso seis meses após a assinatura do contrato”.

 

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6 Comentários
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  1. Sérgio Rodrigues

    24 de dezembro de 2013 1:26 pm

    Gripen

    ABC? Por que não descentralizar?…

  2. leonidas

    24 de dezembro de 2013 2:59 pm

    Nao acho que deva

    Nao acho que deva descentralizar ate porque o parque industrial voltado ao segmento nao é dos maiores

    e a quantidade de caças comprados ( caso confirmado que a coisa morra ai ) por sí só ja me deixa serias duvidas para garantir a transferencia de tecnologia e montagem por aqui que estava prevista originalmente…

  3. Alexandre Drausio

    24 de dezembro de 2013 9:15 pm

    Olha  36 caças são apenas o

    Olha  36 caças são apenas o começo,o plano da aeronáutica e substituir todos od vetores atuais F-5,AMX ,Mirage pelo Gripen 39 o plano é ter 120 caças gripen na força aerea 

  4. implacavel

    25 de dezembro de 2013 4:12 pm

    Capacidade

    Esta empresa presta serviços para a Empresa em que eu trabalho.

    Faço Inspeções periódicas nos equipamentos deles e posso arfirmar que é muito boa empresa.

  5. Chico Pedro

    26 de dezembro de 2013 11:18 am

    Tudo e mais um pouco em São

    Tudo e mais um pouco em São Paulo, afinal, é a República Federativa Paulista.

    Enquanto isso, todos pianinho aí sem chiar.

    1. carlos cardoso

      26 de dezembro de 2013 6:34 pm

      Que tal você parar de chorar

      Que tal você parar de chorar e criar uma empresa com a mesma capacidade técnica da akaer em outro estado?

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