5 de junho de 2026

Soberania ameaçada

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Enviado por José Muladeiro

Carta aberta do DefesaNet ao ministro da Fazenda Joaquim Levy 

Senhor ministro Joaquim Vieira Ferreira Levy, 

Enviamos esta carta ao Engenheiro Naval, que na sua carreira tem assumido a postos relevantes nas áreas de finanças. Como profissional ativo do setor financeiro, acostumou-se com este mundo frio dos números e foco nos resultados financeiros, políticas essas que o Ministério da Fazenda se pauta hoje para sanear o Estado brasileiro, atuando como nos antigos tempos do Fundo Monetário Internacional (FMI), pode estar lhe atrofiando o conceito de uma nação soberana. É sobre isso que vamos tratar neste documento público, senhor Levy.

A desestruturação, no primeiro momento, com as sucessivas “pedalas” feitas pelo governo no cumprimento do acordado com as empresas.  Agora passa para o desmonte promovido por sua pasta nos setores de Defesa e Aeroespacial. Assemelha-se com a frieza e crueza com que um a um os projetos de defesa e tecnologia nos anos 80, foram solapados na indústria brasileira e que mergulhou os setores de tecnologia desse país em sua Idade Média, numa Era das Trevas! 

A perda da empresa ELETROMETAL causou um dano irreparável na área de siderurgia e metalurgia até hoje não recomposto. As políticas implantadas agora reproduzem o espectro daquele trágico momento. Ao Sistema Financeiro e Público proteções imensas em garantias. Enquanto isso nossa indústria se despedaça e o que restará será entregue à ferocidade dos cães famintos: dos empréstimos, às taxas de mercado e ao calote. Essa tríade maldita, gêmea siamesa do mitológico Cérbero, que guardava as portas do inferno impedindo quem estava no local de sair. 

Depois de uma comemorada PEC da Defesa,  da Estratégia Nacional da Defesa (END), quando deslumbrou-se o ressurgimento com o vigor necessário da indústria de materiais de defesa, aeronáutica e espacial e um período de prosperidade, com rearranjos empresariais altamente produtivos e atrativos para parcerias internacionais, numa verdadeira ‘Renascença Florentina” que esse segmento não via desde os anos 80, quando teve início da aniquilação da emergente indústria de defesa e aeroespacial brasileira. 

Ministro Levy, de todos os grandes países em extensão territorial somos o que mais carece de aporte contínuos de recursos e de uma vasta recuperação de nosso poder de dissuasão, seja qual for a situação. Veja pelos investimentos no BRICS em relação aos países de grandes fronteiras, como Rússia, China e Índia. Investíamos o equivalente a 1,5% do PIB contra 2,5%  dos outros países. Apesar de pouco relacionados aos outros, havia investimentos, mesmo que fossem para cobrir um imenso abismo de décadas como setor à míngua.

Agora voltamos para o cenário sem horizonte, numa situação terrível e paralisante para o setor. Sua área de formação a indústria naval e agora também a do petróleo correm enormes riscos atuais e no seu futuro. Quem gera empregos, alimenta as famílias que formam essa imensa nação, é a indústria, e quem alimentará os nossos filhos e netos no futuro é a indústria de tecnologia. Não gere instabilidade ministro, gere segurança, pois só assim o país poderá produzir e crescer! 

Na semana que passou ocorreram grandes comemorações na sede da Lockheed Martin, empresa que produz as aeronaves de transporte  Hercules C130. Viram, o seu futuro competidor próximo de jogar a toalha no ringue, antes mesmo de começar o primeiro assalto. 

O próprio governo admite que  deu o calote de 500 milhões de reais no projeto e a EMBRAER está com sérios problemas na continuidade deste projeto.  O mais ambicioso na história da indústria da aeronáutica brasileira. São mais de 1.000 engenheiros e 10.000 técnicos envolvidos no projeto KC-390. 

Quanto aos helicópteros, senhor Ministro Levy, a empresa HELIBRAS luta para salvar empregos de engenharia, próximos da dilapidação dentro de monstruoso calote dado nos créditos da empresa pelo governo. Quanto aos submarinos, pelo que levantamos são quase 2 Bilhões em calote. 

Muitos cantos de sereia, belas e formosas, soam nos seus ouvidos neste momento. Porém, suas melodias sinalizam a dor e o descrédito das futuras gerações neste país de criar e evoluir. Não podemos deixar o Brasil à mercê do folclore que num país pacifico não há necessidade de investir em defesa. Só uma defesa forte garante a paz, senhor ministro, inclusive a própria soberania.

Que se faça o ajuste fiscal necessário, mas com prudência e visão estratégica, não um economicismo, que leve ao calote e a destruição de nosso poder de resistência em um mundo em profunda crise e ávido por recursos naturais, os quais temos de sobra. E não destrua o futuro de nossos filhos e netos. Isso é de uma irresponsabilidade que beira ao crime de lesa pátria! 

O Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI) divulgou há um ano, os seus registros de WORLD MILITARY EXPENDITURE, 2013. DefesaNet apresentou os pontos relevantes do estudo do SIPRI. Ele foi analisado com a devida e cuidadosa atenção, pois começa a mostrar definições importantes nas principais nações que investem em Defesa no Mundo.

O estudo compilou os dados de 172 países que mostraram um gasto mundial em Defesa de U$ 1,747 trilhão de Dólares, uma queda de 1,9% comparado com 2012. Os países do BRICS, com exceção da África do Sul, todos estão a frente do Brasil.

Na América latina, Colômbia (+13%), Honduras (+22%) e Paraguai (+33%), vêm expandindo significativamente seus orçamentos militares. Segundo o SIPRI, os gastos militares na região registraram um crescimento real (descontada a inflação) de 2,2% em 2013 e de 61% nos últimos dez anos .

Definitivamente, ministro Levy, o calote na indústria e recessão não ajudará o Brasil a se recuperar e muito menos se posicionar com uma potência emergente. Estamos sim voltando aos tempos do garrote do FMI, agora internado nas entranhas de Brasília e do governo federal. Não considere o silêncio disciplinado dos militares e obsequioso das entidades de classe como endosso à esta política. 

O Campo de Pistóia ruge, pois não foi para isso, que lutaram e venceram há 70 anos. 

DefesaNet

Brasília DF, 07 Maio 2015

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14 Comentários
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  1. Alexandre ML

    12 de maio de 2015 1:19 pm

    A Caminho do Brasil Colônia

    Ótima Carta elaborada por Sr. Muladeiro.

    O Brasil segue a passos largos para o Brasil Colônia, aquele da exportação de extrativismo e de minerais.

    O Brasil já produziu tubos extrudados sem costura de alumínio, chapas clad para aeronáutica, aços especiais. Hoje nem alumínio estamos produzindo mais por falta de energia ( ou melhor por ser tão cara e os impostos locais tão abusivos que impossibilitam qualquer lucro, não falo dos impostos federais IPI ). A Siderurgia de produtos comuns vai para o mesmo caminho. As fundições, sofrem muito com os produtos importados que entram pela fronteira mascarados. 

    Mas na realidade a culpa é dos Deslumbrados Brasileiros com síndrome de vira latas, que preferem ir a Miami comprar roupas ( o Desembargador de SP falou isso ), carros bons são os importados ( que o diga Collor ). Então que roupas venham do exterior e carros também. 

    É nossa culpa em mantermos no poder essa cambada de entreguistas, que preferem Vender a Fazenda a arar e plantar. Tomara que os políticos corruptos sejam destituídos do poder e que, espero, uma nova geração apareça para retomar a produção e re-instalação da indústria no Brasil.

    Tenho esperança neste Brasil, mas tomara que a maioria tenha a mesma esperança, senão será melhor enviar os descendentes ao exterior para que lá construam suas vidas.

  2. Mogisenio

    12 de maio de 2015 1:55 pm

    Guerra e paz

    Com o devido respeito ao autor do texto mas seu texto está  péssimo.

    Ou pelo menos o texto ( as fotos) em conjunto  com a participação de um engenheiro naval etc, nada  tem a ver o título com o desenvolvimento do próprio texto.

    Li  o título e fiquei meio  assustado com a tal da “soberania ameçada”, mormente, por que é o nosso PRIMEIRO FUNDAMENTO.

    Todavia, ao longo do texto o que se escreveu sobre isso? Nada. 

    A não ser que se queira dizer que o enfraquecimento da indústria e, consequentemente, o baixo crescimento e desenvolvimento econômico,  pode prejudicar a soberania do país um vez que , supostamente, voltaria a pedir mais dinheiro emprestado e todas aqueles BABOSEIRAS ECONÔMICAS que já sabemos.

    Mas isso, é outra história.

    E essa outra história “ameça” a soberania de todos os paises EM DESENVOLVIMENTO( outrora, SUBDESENVOLVIDOS) do mundo.

    Vamos combinar né.  Mudaram o nome de subdesenvolvidos, terceiro mundo ou coisa parecida para “em desenvolvimento”.

    Ora, ora, ora, globalização e organizações TRANSNACIONAIS estão ai fazendo o que no mundo de ESTADOS MODERNOS em decadência?

    Nesse sentido, o que está ameaçado é o ESTADO MODERNO à la europa.

    Tripartição de poder e demais BABOSEIRAS que ainda  nos enganam!

    Ademais, o  Brasil, QUE NUNCA FOI UMA  NAÇÃO, mesmo com a “democracia racial,  mesmo com a “conciliação entre contrários, hoje enfrenta CLARAMENTE, a falácia destas teses do passado.  Ou não?

    Tem alguém ai que prova o contrário?

    O plurinacionalismo está ai na américa latina! E o estado moderno ,  pra variar , modelo COPIADO dos colonizadores mostra sua cara de derrota!

     

    E pra finalizar, o Brasil procura resolver seus conflitos de forma PACÍFICA e em busca da PAZ.

    Paz é guerra? Ou guerra é Paz? Ou…

    Saudações 

     

    1. Ricardo Cavalcanti-Schiel

      12 de maio de 2015 3:28 pm

      Ô, Misógeno

      Você está certo, mas relaxa!

      A retórica retumbante, fragilidade conceitual e argumentação canhestra desse editorial é típica dos militares. Sei disso porque fui um deles. Eles simplesmente não têm formação intelectual suficientemente exigente para lidar com formas mais complexas de pensamento.

      Com milicos, você tem que ouvir, relativizar, contextualizar, ponderar em outros termos, traduzir para o “mundo real” além da redoma da cas(v)erna, e depois dizer pra eles como vai ser, porque, afinal, milico foi feito para obedecer, e ponto. Por isso é que os milicos foram afastados do primeiro escalão do governo: para lidar com eles é preciso uma mediação institucional que sirva como esse espaço de tradução do delírio para o mundo real. Claro que o arranjo não precisaria ser necessariamente esse, mas foi o que o Lula, o Mangabeira Unger e o Nelson Jobim conseguiram fazer. Está funcionando, mas não é nem de longe o ideal. É como todos os arranjos institucionais legados pelo Lula: improviso e cosmética.

      Só que, pra começo de conversa, essa carta não é de nenhuma representação institucional das FFAA, mas do editor do Defesanet, o Nelson Düring, que, segundo documentos vazados pela WikiLeaks há dois anos, foi informante da Stratford, a empresa de espionagem privada norte-americana, e já se manifestou publicamente como apoiador dos setores ultraconservadores das FFAA (p. ex., o Gen Maynard Santa Rosa).

      É possivel que o editor do Defesanet esteja simplesmente vocalizando esses setores. Uma das feições curiosas que a ultradireita ganhou nos últimos anos (não é nem a do PSDB, mas a direitona clássica mesmo) foi o incremento discursivo de uma crítica (de corte nacionalista) à “oligarquia do capital” transnacional. Compreende-se o porquê da beliscada no FMI nesse texto. Mas isso nem de longe significa que esses caras defendam uma agenda progressista, keynesiana ou socialmente inclusiva.

      Dessa forma, essa peça discursiva desse post do blog, pela sua forma e pelos elementos que arregimenta, parece feita não necessariamente para interpelar o Joaquim Levy, mas para sintetizar uma fala que espera ter reverberação no meio militar. Se vai ter, ou a que propósito pretende servir, isso ainda é sumamente obscuro.

  3. Hcc

    12 de maio de 2015 2:08 pm

    Mas…

    Mas o ministro levi não era deles!???

  4. armandolo

    12 de maio de 2015 2:08 pm

    Sempre que leio defesa da

    Sempre que leio defesa da soberania fico com um pé atraz. É porque, invariavelmente, estas duas palavras escondem enormes interesses cartoriais.

  5. Athos

    12 de maio de 2015 2:41 pm

    Isso foi publicado aqui?
    Eles
    Isso foi publicado aqui?

    Eles nem sabem que estes assuntos não são da alçada do Ministro da fazenda.

    Sabe porque a carta é endereçada ao ministro? Porque eles não falam com a Presidente… Porque ela é petisca.

    Na boa, é demais.

    Defeaanet é lobby de Washington!

    1. Álvaro Noites

      12 de maio de 2015 3:29 pm

      Pois é, que raio é esta

      Pois é, que raio é esta “Defesanet”?

      Seria um “Conjur” militar?

      1. Ricardo Cavalcanti-Schiel

        12 de maio de 2015 6:33 pm

        Nicho

        Trata-se de uma revista voltada para temas militares, mas focada quase exclusivamente em material, aparelhamento e fatos institucionais. Nada de análise. Nada de sociologia das instituições. Nada de reflexão geopolítica. Nenhuma aresta que possa melidrar o establishment militar.

        Ao focar em equipamento e tecnologia, essa revista funciona como uma espécie de shopping-center dos desejos consumistas dos militares, e por isso torna-se uma leitura sedutora para eles e para aqueles que se entretêm com militaria.

        De tanto puxar o saco dos milicos, o editor da revista, Nelson Francisco Düring, já virou uma árvore de Natal de tanta medalha que recebeu.

        Faço mais algumas observações sobre esse personagem e seu contexto num comentário mais abaixo.

  6. Ricardo Cavalcanti-Schiel

    12 de maio de 2015 3:12 pm

    Texto sem contexto

    Esse editorial exige ser contextualizado pelas contingências específicas de quem enuncia esse tipo de discurso.

    Deixei algumas pistas disso na minha resposta abaixo ao colega Misógeno.

    1. Ricardo Cavalcanti-Schiel

      12 de maio de 2015 3:25 pm

      Desculpem!

      Trata-se do nosso colega Oxigênio.

      Errei o nome.

      1. Mogisenio

        12 de maio de 2015 3:28 pm

        ops

        kkk,

        você se equivocou:

        é Molibdênio 42, mas nada de chumbo hein…kkk

  7. Álvaro Noites

    12 de maio de 2015 3:34 pm

    Quando cheguei na tal

    Quando cheguei na tal “pedalada”, já deixei de considerar a pouca seriedade que já estava considerando desta “carta” da Defesanet.

  8. Djijo

    12 de maio de 2015 7:30 pm

    Emparedaram a Dilma

    Com a tal história de Polônio 210 (http://www.brasildefato.com.br/node/12453) parece que emparedaram a Dilma, quem sabe por meio de sua Neta, obedece ou vai vc e sua familia para a quimioterapia, o que escolhe? Nos tempos de atuação de John Perkins (https://www.youtube.com/watch?v=vO8vPa_H71g) era mais direto, na bala.

    Ou para ver o contexto, Maria Lúcia Fattorelli: https://www.youtube.com/watch?v=4YvIGZ2NQMA

  9. junior50

    12 de maio de 2015 8:48 pm

    Menos, defesanet, bem menos

     Vai cortar, vai, aliás já cortou faz tempo, e nem adianta ficar pedindo pinico para o Levy , o que se tem é que planejar o futuro.

     E tem mais umas coisinhas: O corte de alguns programas da industria de defesa, e do próprio MinDefesa, vão proporcionar a estas instancias que elas reavaliem suas iniciativas, algumas delas que são francamente megalomaniacas, completamente fora da realidade, como a reforma, por mais de R$ 1,0 Bilhão do A-12 São Paulo, a aquisição dos Pantsyr de “prateleira”,  a “ucraniana ACS”,melhor dizendo: aprender a gastar as verbas com mais sensatez, privilegiar a C & T nacional , as exportações e “destravar” no Congresso e SRF as determinações fiscais da 12598/13.

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