25 de junho de 2026

Petroleiros entram com recurso no CADE contra venda da Reman, de Manaus

Os petroleiros têm 15 dias para encaminhar o processo antes que a venda da refinaria chegue ao tribunal do CADE, responsável pela votação final do órgão.
Divulgação Petrobras-Reman

Os petroleiros decidiram entrar com recurso de terceiro interessado no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) contra a decisão do órgão que aprovou a venda, sem restrições, da refinaria Isaac Sabbá (Reman) da Petrobras, em Manaus, ao grupo Atem.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

O recurso foi impetrado por meio da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Associação Nacional dos Petroleiros Acionistas Minoritários da Petrobras (Anapetro) e Sindicato dos Petroleiros do Amazonas (Sindipetro-AM).

Os petroleiros têm 15 dias para encaminhar o processo antes que a venda da refinaria chegue ao tribunal do CADE, responsável pela votação final do órgão. A operação é questionada também por outras partes, inclusive empresas distribuidoras como Raízem, Fogás, Equador e Ipiranga, que apontam riscos de desabastecimento, de práticas abusivas e de fechamento de mercado. Essas empresas, como terceiras interessadas, também se opuseram à venda e também têm 15 dias para o recurso.

“A venda da Reman é uma fraude explícita à concorrência; um negócio realizado abaixo do preço de mercado e que vai gerar mais um nocivo monopólio regional privado, com prejuízos aos consumidores de combustíveis da região”, ressalta o presidente da Anapetro, Mário Dal Zot, observando que a Reman é a única refinaria da região Norte, responsável pelo abastecimento local.

A decisão da superintendência-geral do CADE surpreendeu não só o mercado, como feriu parecer da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que havia apontado a necessidade de evitar concentração de mercado. Tal decisão atropelou a avaliação do Tribunal de Contas da União (TCU).

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: www.catarse.me/jornalggn

Estudos do TCU indicam que “o tipo de infraestrutura logística para movimentação de combustíveis, a intermodalidade e o volume de investimentos associados podem afetar a competitividade nos mercados resultantes dos desinvestimentos e, consequentemente, o custo logístico da movimentação, aspecto determinante da percepção de vantajosidade em preços pelos consumidores finais”.

“A venda da Reman está longe de ser concluída e vamos barrá-la. É um dos mais absurdos casos de monopólio privado regional no refino, tanto que praticamente todas as empresas que atuam nesse mercado também foram ao CADE questionar a operação”, destacou o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar.

O preço negociado pela Petrobrás para a venda da Reman ao grupo Atem é cerca de 70% inferior ao seu valor em comparação com os cálculos estimados em estudo realizado pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep).

A refinaria, negociada em agosto do ano passado, foi avaliada pelo Ineep pelo valor mínimo de US$ 279 milhões, quando o valor negociado pela estatal com o comprador foi de US$ 189 milhões.

Para chegar ao valor, o Ineep utilizou o método do Fluxo de Caixa Descontado (FCD), que se baseia no valor presente dos fluxos de caixa, projetando-os para o futuro. Do resultado, são descontadas: taxa que reflete o risco do negócio, despesas de capital (investimento em capital fixo) e necessidade adicionais de giro.

Parte do contexto de desmonte da Petrobras,  privatização da Reman é mais uma ação do governo Bolsonaro. O discurso oficial enaltece a privatização e a realidade demonstra que após privatização, com venda abaixo do valor de mercado, o combustível fica muito mais caro, como aconteceu após a privatização da Rlam, na Bahia.

Com informações da FUP

Leia também:

Guedes inicia escalada para privatizar a Petrobras

Privatização de refinarias da Petrobras aumentaria a gasolina em 19% e diesel, 12%

Bolsonaro promove “dança das cadeiras” na Petrobrás e no MME, para se eximir da culpa do alto preço dos combustíveis

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados