10 de junho de 2026

Superando a falta de diálogo para a inovação, por Augusto Rocha

Sem uma união estreita entre empresas, universidades e governo será difícil deixarmos a condição de fornecedores de commodities
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Superando a falta de diálogo para a inovação

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por Augusto Cesar Barreto Rocha

Universidades não são empresas. Empresários dificilmente entendem de pesquisa, tal qual universitários dificilmente entendem de empreendimentos comerciais. Governos dificilmente acolhem as aspirações de universidades e empresários. Mesmo assim, com esta pouca compreensão mútua, é muito importante que consigamos superar os abismos entre as instituições de pesquisa para que o ambiente empresarial seja mais inovador. Sem uma união estreita entre empresas, universidades e governo será difícil deixarmos a condição de fornecedores de commodities, como um “fazendão” do mundo.

A agregação de valor com a ciência e a tecnologia é uma necessidade. Todavia, para a construção do progresso é fundamental compreender e acolher os problemas do presente para superarmos os desafios. Há uma avaliação ignorante entre os elos de nossa sociedade. O pesquisador não entende como pode ser difícil pagar uma folha de pagamento, tal qual o empresário não entende que o professor universitário faz muitas coisas além de pesquisar. Os dois acreditam que o trabalho do governo é simples, mas como é difícil fazer apenas o que a lei permite.

O entendimento do outro é um passo que precisa ser dado, pois há muito mais desinformação do que acolhimento e a inovação é uma soma de esforços e não um embate. Como não temos um grande volume de empresas nacionais de alta tecnologia, ainda não há uma cultura empresarial forte para a pesquisa, desenvolvimento e a inovação. Isso pode ser construído, mas precisaremos de um esforço para a compreensão mútua, com muito diálogo.

A criação de um espaço cooperado é um passo relevante que precisa ser tomado. Os Institutos de Pesquisa que podem fazer este papel têm tido pouco orçamento para este trabalho de construção de pontes. Faltam pesquisadores que tenham a visão empresarial e faltam empresários que tenham a visão científica. Os ambientes onde há volume de recursos para Pesquisa & Desenvolvimento são tomados por multinacionais que (quase) certamente não possuem interesse em desenvolver países estrangeiros. Seus enfoques são voltados para o desenvolvimento de seus próprios países e as cooperações locais serão as mínimas possíveis para cumprir as obrigações. Aliás, também fazemos isso, quando empresas brasileiras se posicionam no exterior.

É uma falácia considerar que as universidades ou empresas nacionais não inovam. A questão é que convém ao interesse estrangeiro que sigamos a acreditar nisso. Convém que sigamos trocando soja, gado ou frango por acesso aos ambientes da alta tecnologia. Podemos seguir a chutar as nossas próprias escadas ou podemos realizar as nossas fortalezas. As Missões de Desenvolvimento nacionais só avançarão quando tivermos a capacidade de encarar tantas falácias que temos propagado ao longo dos últimos anos, tipicamente atacando. Encontrar as bases do diálogo é o caminho para a transformação e a inovação. Duvidar de si ao encontrar os diferentes pode ser um bom começo.

Augusto Cesar Barreto Rocha – Professor da UFAM.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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Augusto Cesar Barreto Rocha

Augusto César Barreto Rocha é Professor Associado da UFAM. Possui Doutorado em Engenharia de Transportes pela UFRJ (2009), mestrado em Engenharia de Produção pela UFSC (2002), especialização em Gestão da Inovação pela Universidade de Santiago de Compostela-Espanha (2000) e graduação em Processamento de Dados pela UFAM (1998).

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