No momento atual, neutralidade é covardia, por Ricardo Mezavila

É pedagógico lembrar Dante Alighieri: "Os lugares mais sombrios do inferno são reservados àqueles que se mantiveram neutros em tempos de crise moral".

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No momento atual, neutralidade é covardia

por Ricardo Mezavila

Ficar neutro em uma discussão política é comum, inclusive muitos concordam que política não se discute. Contudo, a questão da neutralidade em relação ao governo cujo lema é “Brasil acima de tudo, terra em cima de todos”, deixa de ser uma opção e passa a ser omissão e covardia. 

Não bastassem os isentões que lavam as mãos como o histórico governador da província romana da Judeia, e os bastardos eleitores de João Amoedo, agora surgem os ‘neutros’, que são os mesmos bastardos de mãos lavadas. 

É pedagógico lembrar Dante Alighieri: “Os lugares mais sombrios do inferno são reservados àqueles que se mantiveram neutros em tempos de crise moral”. 

Omitir-se diante de um Estado genocida é ser conivente com tudo o que ele representa. Já está provado pela CPI da pandemia, que o presidente da república é o responsável pelo seu agravamento.  

A estratégia de Bolsonaro era passar pela pandemia sem diminuir o fluxo da economia, na busca de um crescimento caudaloso. Para tanto, era necessário que a pandemia causasse vítimas como em uma guerra. Daí uma de suas frases: “Na guerra morrem inocentes”. 

O segredo é um instrumento eficaz de batalha, por isso optaram em não realizar campanhas publicitárias de como a população deveria se comportar diante da pandemia. As campanhas mobilizam, criam pânico, elevam o tom para a gravidade do fato, tornando o alvo contraditório mais difícil de ser atingido. 

Na cabeça de Bolsonaro, a imunidade de rebanho é a solução para que seu governo não seja dilapidado moralmente pelo fracasso econômico, afinal, ele precisa entregar na bandeja o que foi acordado com o capital, e o lockdown é o seu maior inimigo. 

Tendo a imunidade de rebanho como objetivo, Bolsonaro entrou de cabeça por uma alternativa ao isolamento social, surgindo então a indefectível cloroquina como solução para o tratamento precoce.  

Bolsonaro importou cloroquina, fabricou cloroquina, disseminou cloroquina, prescreveu cloroquina, tentou alterar a bula da cloroquina e até demitiu ministros que eram contrários à cloroquina. Uma verdadeira overdose de tentativas que foram frustradas pela ciência, que nunca recomendou o tratamento, muito pelo contrário. Foi um tiro n’água. 

Sentado em uma montanha de cloroquina sem ter como prestar contas, com quase meio milhão de mortes nas costas, Bolsonaro sabe, mas não vai admitir, que teria sido melhor ter seguido as orientações da ciência, incentivado o isolamento e ter comprado vacinas oferecidas em 2020. Acuado, vai resistir até o fim com suas convicções e com seus crimes. 

Em outra página do livro, sinalizando que ‘neutro’ é detergente, o povo foi às ruas no 29M, fechando o cerco contra Bolsonaro, que precisa ser apeado da presidência, senão o Brasil ficará cada vez mais vulnerável às pilhagens dos corsários e à ira dos deuses nascidos do caos. 

 #ForaBolsonaro 

Ricardo Mezavila, cientista político

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