10 de junho de 2026

Os editoriais da Folha e do Estadão

Em contraposição à Folha, os editoriais do Estadão ganharam uma dimensão que eu não via desde os tempos de reação contra a ditadura.
Reprodução

No passado, a cara de um jornal não estava nos editoriais. Especialmente nos anos 90 houve a busca da pluralidade, que se manifestava especialmente nas colunas. Mas a cara, mesmo, estava na manchete e na primeira página.

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Hoje os tempos são outros e, curiosamente, os editoriais passaram a ter um peso enorme na imagem dos jornais. 

Os da Folha, por exemplo, são de um conservadorismo assustador, em contraste absoluto com a história do jornal que, em outros tempos, teve editorialistas como José Serra e Fernando Henrique Cardoso.

Em mais de 50 anos acompanhando a imprensa, poucas vezes vi editorialistas mais sem noção que os atuais da Folha, ultrapassando os limites do conservadorismo e enveredando em conceitos e adjetivações próximos da ultradireita.

Não raras vezes, em temas novos, os editoriais da Folha partem em uma direção e, nos dias seguintes, à luz dos editoriais do Estadão e de O Globo, fazem uma mudança de rumo para se adequar aos demais. Não se trata apenas de conservadorismo, mas de um problema claro de amadorismo e de ausência de um norte editorial.

Em contraposição, os editoriais do Estadão ganharam uma dimensão que eu não via desde os tempos de reação contra a ditadura. São editoriais corajosos, em cima dos fatos, levando em conta aspectos políticos maiúsculos, muito acima da mesquinharia da disputa política local.

Foi assim com os editoriais sobre o tarifaço de Trump e sobre o julgamento de 8 de janeiro.

Não sei quem são os editorialistas. Mas a diferença de lastro teórico e de visão de país entre ambos é chocante.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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5 Comentários
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  1. Joel Palma

    16 de setembro de 2025 5:23 pm

    José Serra, o “amigo” de Flavio Bierrembach como referência? Não, obrigado…

  2. Luiz

    16 de setembro de 2025 5:34 pm

    Certamente, no estado comatoso em que estão os jornais brasileiros, atirar barro na parede seja bem mais fácil que manter coerência com uma linha mínima de pensamento sério, claro e objetivo quanto ao rumo deste pobre mundo em que, quem se jactava de democrático, liberal e inteligente nos últimos 80 anos, agora tem como líder um indigente intelectual, cercado da mesma matéria pantanosa, a combater fantasmas inexistentes, com os dedos no botão atômico a produzir chantagens. Então, como os editorialistas podem caminhar na linha de corte se podem contrariar os donos, na maioria das vezes, cachorros do império decadente? Quem deseja no dia a dia acompanhar boas ideias, debates e noticiário atual vêm aqui ou noutros portais com gente de boa qualidade. Parece que os editorialistas paulistanos e cariocas trabalham na mesma sala… o que antes se chamava aquário.

    1. fernando

      17 de setembro de 2025 11:20 am

      Aquário Luiz? Hoje poderíamos qualificar de pocilga, ou, no popular bem mais significante: Chiqueiro!!!

  3. Rui Ribeiro

    17 de setembro de 2025 11:03 am

    Tá todo mundo estarrecido com a aprovação da Pec da Blindagem na Câmara.

    Mas democracia é o poder do povo, pelo povo e para o povo. Assim, mesmo que o povo seja contrário, viva a Blindagem e a carta branca para os parlamentares simpáticos aos poderosos praticarem crimes impunemente.

  4. Paulo Dantas

    17 de setembro de 2025 6:22 pm

    A importância é entres vocès jornalistas creio.

    A população em geral (@6@ para isto.

    Mesmo porque teria de pagar duas assinaturas para ler os mesmos , foia e istadão.

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