
No passado, a cara de um jornal não estava nos editoriais. Especialmente nos anos 90 houve a busca da pluralidade, que se manifestava especialmente nas colunas. Mas a cara, mesmo, estava na manchete e na primeira página.
Hoje os tempos são outros e, curiosamente, os editoriais passaram a ter um peso enorme na imagem dos jornais.
Os da Folha, por exemplo, são de um conservadorismo assustador, em contraste absoluto com a história do jornal que, em outros tempos, teve editorialistas como José Serra e Fernando Henrique Cardoso.
Em mais de 50 anos acompanhando a imprensa, poucas vezes vi editorialistas mais sem noção que os atuais da Folha, ultrapassando os limites do conservadorismo e enveredando em conceitos e adjetivações próximos da ultradireita.
Não raras vezes, em temas novos, os editoriais da Folha partem em uma direção e, nos dias seguintes, à luz dos editoriais do Estadão e de O Globo, fazem uma mudança de rumo para se adequar aos demais. Não se trata apenas de conservadorismo, mas de um problema claro de amadorismo e de ausência de um norte editorial.
Em contraposição, os editoriais do Estadão ganharam uma dimensão que eu não via desde os tempos de reação contra a ditadura. São editoriais corajosos, em cima dos fatos, levando em conta aspectos políticos maiúsculos, muito acima da mesquinharia da disputa política local.
Foi assim com os editoriais sobre o tarifaço de Trump e sobre o julgamento de 8 de janeiro.
Não sei quem são os editorialistas. Mas a diferença de lastro teórico e de visão de país entre ambos é chocante.
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Joel Palma
16 de setembro de 2025 5:23 pmJosé Serra, o “amigo” de Flavio Bierrembach como referência? Não, obrigado…
Luiz
16 de setembro de 2025 5:34 pmCertamente, no estado comatoso em que estão os jornais brasileiros, atirar barro na parede seja bem mais fácil que manter coerência com uma linha mínima de pensamento sério, claro e objetivo quanto ao rumo deste pobre mundo em que, quem se jactava de democrático, liberal e inteligente nos últimos 80 anos, agora tem como líder um indigente intelectual, cercado da mesma matéria pantanosa, a combater fantasmas inexistentes, com os dedos no botão atômico a produzir chantagens. Então, como os editorialistas podem caminhar na linha de corte se podem contrariar os donos, na maioria das vezes, cachorros do império decadente? Quem deseja no dia a dia acompanhar boas ideias, debates e noticiário atual vêm aqui ou noutros portais com gente de boa qualidade. Parece que os editorialistas paulistanos e cariocas trabalham na mesma sala… o que antes se chamava aquário.
fernando
17 de setembro de 2025 11:20 amAquário Luiz? Hoje poderíamos qualificar de pocilga, ou, no popular bem mais significante: Chiqueiro!!!
Rui Ribeiro
17 de setembro de 2025 11:03 amTá todo mundo estarrecido com a aprovação da Pec da Blindagem na Câmara.
Mas democracia é o poder do povo, pelo povo e para o povo. Assim, mesmo que o povo seja contrário, viva a Blindagem e a carta branca para os parlamentares simpáticos aos poderosos praticarem crimes impunemente.
Paulo Dantas
17 de setembro de 2025 6:22 pmA importância é entres vocès jornalistas creio.
A população em geral (@6@ para isto.
Mesmo porque teria de pagar duas assinaturas para ler os mesmos , foia e istadão.