21 de maio de 2026

Cinco senadores e governadora de Pernambuco têm ascendentes escravocratas

Quinto avô de Veneziano Vital do Rêgo fez fortuna com comércio de pessoas escravizadas; mulheres tinham de encarar gestações seguidas

Um levantamento da Agência Pública, a partir de registros em cartórios, jornais e pesquisas acadêmicas, constatou que a governadora Raquel Lyra (PSDB-PE) e cinco senadores são integrantes de famílias escravocratas nos períodos colonial e imperial do Brasil. 

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O senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) é um deles. Francisco Jorge Torres, português que aportou no país no início do século 19, é o quinto avô do parlamentar e construiu um casarão na cidade de Areia. 

Dos 19 quartos da residência, 12 eram ocupados por pessoas escravizadas. Havia, inclusive, um esquema de reprodução dos escravizados, em que as mulheres enfrentavam gestações seguidas para, logo após o parto, terem seus filhos retirados delas. 

As crianças eram cuidadas para que crescessem fortes e, depois, eram vendidas no comércio local. 

Pesquisadores encontraram registros em cartório da venda de um homem de 23 anos, pelo que hoje corresponderia a cerca de R$ 91 mil.

Cid Gomes 

O senador Cid Gomes (PSB-CE), irmão do ex-presidenciável Ciro Gomes, também é trineto de um escravocrata: Cesário Ferreira Gomes. 

Registros apontam que além de um registro de uma menina filha de uma escravizada, há um anúncio no jornal de Diogo Gomes Parente, também ancestral dos políticos cearenses, que relata a fuga de um escravizado. 

Tereza Cristina

Ex-ministra da Agricultura na gestão Bolsonaro, Tereza Cristina (PP-MS) vem de uma família que além de tradição política, também tem passado escravocrata. 

O quinto avô da senadora, Francisco Corrêa da Costa, foi descrito em uma tese de mestrado como um proprietário médio de escravos. Mas seu filho, Antônio, herdou o engenho do pai e multiplicou o patrimônio da família. Ele chegou a ter 194 escravos, 81 deles africanos. 

A senadora também é parente de Quintino Bocaiuva, um dos mais importantes abolicionistas da história, que defendia a causa no jornal O Paiz. 

Ciro Nogueira 

Antônio Sousa Mendes, tenente-coronel e quinto-avô de Ciro Nogueira (PP-PI) tinha dois escravos quando embarcou em um navio no Rio de Janeiro, em maio de 1853, conforme registro no jornal O Constitucional. 

Apesar de não constar nos registros oficiais, Nogueira seria ainda descendente do português Valério Correia Rodrigues, que colecionava fazendas e pessoas escravizadas, batizando, inclusive, os filhos das mulheres escravizadas. 

Apesar de compor a Frente Parlamentar Mista pela Erradicação do Trabalho Escravo em 2010, Ciro Nogueira foi um dos senadores que votaram a favor da medida que proíbe que auditores fiscais do trabalho apontem vínculo empregatício diante de irregularidades, o que dificulta o combate ao trabalho escravo. 

Efraim Filho 

O senador Efraim Filho também vem de uma família com um passado escravocrata, porque seu tataravô, Manoel de Araújo Pereira II, figura na relação de senhores de escravos em Santa Luzia, na Paraíba. Não há, porém, o registro do número de pessoas escravizadas que ele tinha. 

Raquel Lyra

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, é trineta de José Soares da Silva Lyra, que teve pessoas escravizadas, mas os manteve depois da alforria. 

Já o quinto avô de Raquel, José Paes de Lura, foi dono de 23 pessoas, que correspondiam a 34% do seu patrimônio. 

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

8 Comentários
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  1. Douglas da Mata

    26 de novembro de 2024 9:10 am

    Nassif, salvo engando meu, o correto é “têm ascendentes escravocratas”, eles (os governadores) é que são os descendentes.

    1. Lourdes Nassif

      26 de novembro de 2024 9:14 am

      obrigada pelo alerta!

  2. Vera

    26 de novembro de 2024 9:12 am

    ascendentes!

  3. José de Almeida Bispo

    26 de novembro de 2024 2:28 pm

    O problema nem é o passado; e sim como se lida com ele e ate tem tiques do vício no presente.

  4. Paulo Dantas

    26 de novembro de 2024 6:45 pm

    E …

  5. Marcus

    27 de novembro de 2024 6:03 am

    Hoje, os descendentes, herdeiros da riqueza, são limpinhos e suas riquezas também. Ao fim das contas, são inocentes, mas a riqueza permanece com a família. E nenhum ex-escravo foi indenizado.

  6. AMBAR

    27 de novembro de 2024 10:34 am

    Ué, mas só 5?

  7. JOEL PALMA

    27 de novembro de 2024 2:48 pm

    QUEM não tem algum ancestral escravocrata?
    A grande questão é: como agem ou agiram estes políticos com relação aos trabalhadores em sua carreira?
    Ter meu pai feminicida não me define.

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