Eduardo Bolsonaro reforça agressão a Miriam Leitão ao questionar tortura

Deputado federal se sentiu no direito de falar em nome da jornalista e dizer que ela “certamente não se sentiu ofendida” por seu comentário no Twitter

Reprodução Redes Sociais

Quem esperava autocrítica de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) sobre sua agressão verbal contra Miriam Leitão no Twitter, debochando da tortura sofrida pela jornalista na época da ditadura, se equivocou.

Apesar da possibilidade de julgamento do caso pelo Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, o parlamentar não voltou atrás em suas declarações, muito pelo contrário. Em entrevista nesta segunda-feira (4/4) ao Expressão Brasil (canal bolsonaristas do YouTube), o filho do presidente Jair Bolsonaro foi além e se sentiu no direito de falar em nome da jornalista, ao assegurar que ela “certamente não se sentiu ofendida” por seu comentário no Twitter.

“A Miriam Leitão certamente não se sentiu ofendida, ela só tem a palavra dela, dizendo que foi vítima de uma tortura psicológica quando foi jogada dentro de uma cela junto com uma cobra. Eu já fico com a pulga atrás da orelha, porque você não tem um vídeo, não tem outras testemunhas, não tem uma prova documental, não tem absolutamente nada”, explicou.

Em comentário publicado no domingo (3/4) para refutar a uma crítica de Miriam às ideias antidemocráticas do seu pai, Eduardo Bolsonaro fez alusão à tortura sofrida por Miriam Leitão, dizendo ter “pena da cobra” que foi usada nas sessões de tortura contra ela, quando era presa política, nos Anos 70.

O caso está sendo estudado pelo Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, após representação será apresentada por parlamentares do PSOL, PCdoB e PT. A bancada do PSOL na Câmara pede a cassação de Eduardo Bolsonaro.

O ex-presidente e atualmente pré-candidato presidencial Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou a respeito do episódio e expressou sua “solidariedade à jornalista Miriam Leitão, vítima de ataques daqueles que defendem o indefensável: as torturas e os assassinatos praticados pela ditadura. Seres humanos não precisam concordar entre si, mas comemorar o sofrimento alheio é perder de vez a humanidade”.

Já a ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), que também foi presa política e torturada durante a ditadura militar, lembrou que as opiniões de Eduardo Bolsonaro se assemelham àquelas que ele e seu pai manifestaram durante a sessão do impeachment que ela sofreu em 2016, ocasião em que eles homenagearam o torturador Carlos Alberto Ustra. “Os Bolsonaro têm compromisso com a tortura”, definiu.

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