6 de junho de 2026

A invasão dos cassinos eletrônicos, por Luis Nassif

No início de 2019, a Bet365 foi apontada como a segunda maior contribuinte do Reino Unido, em um total de 156 milhões de libras. Atualmente, emprega mais de 1.700 pessoas.
Familia Oates

Nos últimos meses, sites jornalísticos e blogs foram assediados por intermediários oferecendo patrocínio da Bet365, um site de apostas eletrônicas. Podia ter anunciado através de publicidade programática. Mas preferiu o contato direto com os veículos, oferecendo quantias fixas de publicidade.

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Aqui no GGN recebemos pelo menos três propostas e recusamos por questão de princípio. Além de ser uma questão de saúde pública, os jogos – em cassinos eletrônicos ou virtuais – são ferramentas de lavagem de dinheiro. Por isso mesmo, em muitos países são controlados pelas máfias nacionais. É o que acontece na Itália, Espanha, em Los Angeles e, há muito tempo, no Brasil.

Aqui,  o artigo “Xadrez de como os cassinos financiaram a ultradireita e negociam com os Bolsonaro”, onde traçamos a ofensiva pela legalização do jogo e os escândalos promovidos pelo setor desde o governo Itamar.

O Bet365 conseguiu alguns troféus relevantes. Espalhou publicidade por dezenas de veículos, conseguiu matérias favoráveis em vários jornais regionais, e o troféu mais vistoso deles, pela Organizações Globo. A Bet365  passou a anunciar no banner principal do jornal O Globo e apareceu em comerciais do Jornal Nacional.

Conseguiu – provavelmente como bônus – um artigo assinado pelo colunista Nelson Motta, “O jogo da vida”, encampando todos os argumentos em favor do jogo. 

Segundo seus argumentos, os cassinos são os mais fiscalizados do mundo; enriqueceram tribos paupérrimos. A saúde pública é tratada com argumentos que nada ficam a dever ao terraplanismo bolsonarista: “Jogadores compulsivos, que jogam tudo da família e perdem, não precisam de cassinos para sua sina, mas de tratamento. Ao menos nos cassinos o dinheiro deles vira impostos e empregos”.

Mas, afinal, quem é essa influente Bet365? A empresa foi fundada em 2000 por Denise Coates, dona de uma loja de apostas de Londres. Levantou um empréstimo junto ao Royal Bank of Scotland. O empréstimo foi pago em 2005 com a venda da rede de apostas.

Em 2009, Peter Coates, o pai de Denise, foi acusado de pagar 100 mil libras ao Partido Trabalhista, por ter relaxado as leis de apostas no país. A flexibilização passou a permitir às casas de apostas anunciar na TV. De acordo com reportagens da época, os Coates pagaram mais de 400 mil libras em cinco anos.

As proibições tinham propósito de saúde, por identificar na explosão da publicidade o aumento do vício, atraindo crianças vulneráveis para o mundo das apostas online.

O balanço de 2018 registrou 52,6 bilhões de libras em apostas, receitas de 2,9 bilhões e lucro operacional de 600 milhões de libras.

No início de 2019, a Bet365 foi apontada como a segunda maior contribuinte do Reino Unido, em um total de 156 milhões de libras. Atualmente, emprega mais de 1.700 pessoas.

A família Coates – Denise, o irmão John e o pai Peter – apareceram em 17o lugar entre os mais ricos do Reino Unido, na lista do Sunday Times. 

Apenas no ano passado, Denise ganhou um salário de 421 milhões de libras, além de dividendos de 48 milhões. É apenas um dos cassinos online que invadem o país, em cima da leniência do governo, do judiciário e da mídia.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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3 Comentários
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  1. PAULO GONCALVES CARVALHO

    15 de julho de 2021 8:18 pm

    Finalmente um questionamento sobre o funcionamento destes sites de jogos!

  2. paulo rogerio da silva

    16 de julho de 2021 7:43 pm

    E o por fora vale qto nessas negociatas….ou sera q pensam que é so na Saude

  3. ed.

    16 de julho de 2021 8:53 pm

    421 milhões de libras (~R$ 3 bilhões/ano) de salário (sem contar os dividendos de R$ 0,4 bilhões) para UMA pessoa, num mundo onde há milhões em fome e miséria é uma acinte, principalmente se levarmos em conta que explora o vicio e a esperança de pessoas, levando sempre mais do que oferece, ainda que pague impostos.
    Com os ganhos de UM ano, ela pode gastar R$ MEIO MILHÃO por DIA por toda a era cristã (DC).
    Ou há algum erro de cálculo?

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