10 de junho de 2026

A luta prioritária é contra a fome, por Luis Nassif

A reconstrução do país passará pela continuidade de um árduo trabalho de reconstrução interrompido pela irresponsabilidade e oportunismo

Entre uma pesquisa e outra, os brasileiros sujeitos à fome aumentaram de 16 para 32 milhões de pessoas. O quadro atual seguramente é pior. É fato inédito na história do Brasil, explica Tereza Campello, a grande planejadora dos programas sociais na era Lula. Possivelmente apenas na seca do Nordeste, em 1917, houve tragédia semelhante.

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Até o governo Temer, tinha-se uma política social integrada, em torno do cadastro único do Bolsa Família. O cadastro era rico de informações. Permitia saber da condição da criança na escola, a situação dos lares brasileiros. A partir dele, eram articuladas as demais ações sociais, Luz para Todos, Cisternas, Brasil Sorriso. E, especialmente, a alimentação nas escolas, o mais longevo programa social brasileiro, heranças da era Vargas.

Com o governo Temer, o cadastro único foi abandonado. Na era Bolsonaro, foi destruído. Com o Auxílio Brasil, trocou-se o cadastro único por um aplicativo da Caixa Econômica Federal. Quando se decidiu pelo novo programa de renda básica, voltou-se ao cadastro único, mas já totalmente desmantelado.

Na nova etapa, haverá uma recomposição gradativa do cadastro único mas, paralelamente, deverão ser deflagradas as ações contra a fome, já que é tema emergencial.

A sorte é o fato da estrutura anterior ainda estar na memória de técnicos das áreas federal, estadual e municipal. E, mais que isso, há uma energia enorme de solidariedade, de vontade de reconstruir o país, pronta para vir à tona assim que houver governo.

Aliás, o ex-governador Geraldo Alckmin tem sido uma surpresa positiva na campanha de Lula. Especialmente após um discurso em que mostrou a continuidade das políticas pós-ditadura, passando pelos governos Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma. A reconstrução do país passará por isso, pela continuidade de um árduo trabalho de reconstrução, que foi interrompido pela irresponsabilidade e oportunismo dos que achavam que poderiam cavalgar impunes a cadela do impeachment.

Bolsonaro, Pedro Guimarães, Paulo Guedes, Almirante Heleno, general Braga Neto são apenas os vírus oportunistas, que se valeram de um organismo fragilizado pela irresponsabilidade da mídia, do Supremo, do Ministério Público.

Haverá um longo caminho pela frente, de autocrítica, de aprendizado, de aprender que a imagem da democracia como plantinha frágil não era mera figura de linguagem. O país e as instituições precisam começar a se guiar por princípios.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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4 Comentários
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  1. josssimar

    30 de junho de 2022 10:52 am

    “E, mais que isso, há uma energia enorme de solidariedade, de vontade de reconstruir o país, pronta para vir à tona assim que houver governo.”

    Será mesmo?

    Me parece que os endinheirados de verdade – não aqueles que pensam que são – não tem muito interesse nisso não.

    Estão mais interessados em saquear o que resta de estado nacional.

  2. Moacir R. de Pontes

    30 de junho de 2022 6:00 pm

    Nem se deveria pensar nos endinheirados quando se fala de solidariedade e vontade de reconstruir o país. Mas além de um governo de verdade (e o compromisso de seus técnicos), será preciso o apoio de grande parte da sociedade mais esclarecida.
    Ah! sim, FFAAs e almirantes amenos que não atrapalhem seriam bem vindos!

  3. Martins Andrade

    30 de junho de 2022 6:39 pm

    Nassif, se você leu a entrevista do general Villas Boas com o jornalista argentino Marcelo Falak, vai descobrir que tem mais oportunistas.

  4. Antonio Uchoa Neto

    30 de junho de 2022 8:15 pm

    Mas, Nassif, já houve governo no Brasil. E onde foram parar a energia da solidariedade, a vontade de reconstruir o país? Não sucumbiram, sem resistência, à força da reação, à força da grana que ergue e destrói coisas belas? Não continuam, hoje e sempre, em face das primeiras dificuldades, correndo atrás do primeiro que aparece com uma cruz ou uma espada – às vezes as duas juntas – prometendo a salvação? Qual o valor de mercado da energia da solidariedade, da vontade de reconstruir? Em que Bolsa são negociadas? Como é possível prosperar verdadeiramente, se só o que temos é o agro pop/tecno/tudo, cujos bilhões tem como contrapartida a fome e a miséria no campo e na cidade?

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