5 de junho de 2026

A supervisão dos sistemas bancários na Zona do Euro

Por zanuja castelo branco

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De Opera Mundi

Europa negocia “união bancária” para resgatar sistema financeiro da Espanha

Angela Merkel disse estar “aberta” à idéia de criar um órgão de fiscalização dos principais bancos do continente

Efe

Merkel ensaiou apoio à criação dos polêmicos eurobônus, mas foi corrigida na sequência por porta-voz

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse nesta segunda-feira (04/06) que está aberta à proposta da Espanha de criação de uma autoridade de supervisão dos sistemas bancários na Zona do Euro. A medida seria uma contrapartida para o resgate de diversos bancos espanhóis que enfrentam uma grave crise.

“A médio prazo, temos de esclarecer a questão da supervisão bancária e em que medida colocamos os bancos de importância sistêmica sob um controle específico”, disse Merkel, num encontro com o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso. “Precisamos de mais Europa, não menos Europa”, completou a alemã.

A mesma proposta já havia recebido o apoio do novo governo da França e de porta-vozes do BCE (Banco Central Europeu). Uma Europa federalizada – ao menos no que se refere ao sistema financeiro – passou a ser encarada como a solução para a crise das dívidas públicas.

Ainda não está claro qual seria o alcance desse novo mecanismo de controle, que inclusive poderia estar subordinado ao BCE. O jornal britânico The Guardian traz a informação de que autoridades financeiras européias cogitam a emissão dos famigerados eurobônus – títulos que substituiriam as dívidas dos países em crise – em troca da “entrega da soberania sobre orçamentos e políticas fiscais a uma autoridade da zona do euro central”.

Apesar das declarações de Merkel, membros de sua equipe econômica continuam céticos a respeito da emissão dos eurobônus. “O governo alemão considera que, neste momento, a emissão de eurobônus não é a resposta adequada à crise”, disse o porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert. Perguntado se os títulos seriam adequados em “outro momento”, afirmou que, após “um processo de anos”, seria possível chegar a uma situação em que se pudesse pensar em um instrumento semelhante.

O governo conservador da Alemanha reluta em apoiar a criação dos títulos europeus, que diluiríam os efeitos do endividamento público em países periféricos por todos os membros da Zona do Euro.

A proposta do governo espanhol veio após a ampliação da crise bancária que levou à estatização do Bankia – quarta maior instituição financeira do país. Outros dois bancos espanhóis apelaram a uma fusão para enfrentar a turbulência. Já Emílio Botín, presidente do gigante Santander, disse que o sistema financeiro do país precisa de mais 40 bilhões de euros para se salvar, além dos 19 bilhões já injetados pelo governo do conservador Mariano Rajoy no Bankia.

Enquanto isso, a população espanhola enfrenta políticas de austeridade fiscal que mergulharam o país na recessão com os índices de desemprego superando os 22%.

Nas próximas semanas, o euro terá um teste decisivo com as novas eleições legislativas na Grécia. O pleito pode marcar a rejeição do plano de ajuste imposto pela UE em troca de ajuda financeira e perdão de parte da dívida do país. As pesquisas mostram uma divisão entre a frente de esquerda Syriza, que defende a rejeição dos cortes de gastos públicos e demissões de funcionários públicos, e os conservadores da Nova Democracia, que governavam o país e assinaram os acordos com a Troika. A votação será no dia 16 de junho.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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