4 de junho de 2026

Ameaças tarifárias de Trump podem ter efeito reverso

Para analista, esforços do futuro presidente dos EUA para impor hegemonia global do dólar estão “fadados a sair pela culatra”
Foto: Lance Cheung/USDA - via fotospublicas.com

O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, fez uma série de ameaças econômicas aos países dos BRICS caso o debate em torno da adoção de uma nova moeda como alternativa ao dólar ganhe força, mas esses esforços estão fadados a sair pela culatra.

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“Embora a retórica de Trump sugira que ele vê uma moeda BRICS como uma ameaça séria, tal projeto provavelmente fracassará de qualquer maneira, independentemente de suas ações ou ultimatos”, explica Jeffrey Frankel, professor de formação de capital e crescimento na Harvard University, em artigo publicado no Project Syndicate.

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva é um defensor de uma alternativa ao dólar norte-americano, e os líderes políticos dos BRICS (China, Índia, Rússia, África do Sul e Brasil) começaram a discutir o tema em 2023 – e que foi inclusive promovida pelo presidente russo Vladimir Putin na última cúpula do BRICS em outubro.

Essa questão atraiu a ira de Trump em meio à campanha eleitoral. Em postagem na sua rede Truth Social, o político ameaçou impor tarifas de 100% aos países que se afastarem do dólar e exigiu um compromisso de que os BRICS não vão criar ou apoiar outra moeda “para substituir o poderoso dólar americano”.

Na visão de Frankel, se a moeda discutida pelos BRICS for destinada a existir ao lado das respectivas moedas nacionais, ela não vai ganhar força, uma vez que “uma moeda internacional bem-sucedida requer uma base”.

Entretanto, existe uma mudança global gradual para longe do dólar já em andamento, e que ganhou força justamente por conta das mais frequentes sanções financeiras impostas pelos Estados Unidos.

Caso o governo Trump retalie contra o BRICS com tarifas de 100%, Frankel afirma que “a medida poderia sair pela culatra, levando os bancos centrais a recorrerem ao renminbi, moedas menores ou até mesmo ouro para suas reservas internacionais”.

Além disso, tal medida contraria inclusive outras promessas de campanha feitas pelo republicano, como a melhora da balança comercial dos EUA desvalorizando o dólar em relação ao renminbi e às moedas de outros países que têm superávits bilaterais com os EUA.

“Desvalorizar o dólar se alinha com outras promessas inflacionárias de Trump, como suas ameaças de enfraquecer a independência do Federal Reserve e suas propostas de deportações em massa. Mas uma moeda de reserva internacional propensa à inflação e depreciação dificilmente é atraente. As ameaças tarifárias de Trump não resolverão essa contradição”, pontua o articulista.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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1 Comentário
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  1. JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO

    18 de dezembro de 2024 8:41 am

    Embora o aumento de possibilidades de uma guerra nuclear, a humanidade poderá comemorar o governo de Trump (se ele fizer o que prometeu) como o que acelerou o fim do domínio dos EUA.

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