
O posicionamento mais firme do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central na reunião desta quarta-feira (17/09) foi um ponto de atenção entre analistas, que também destacaram o tom ‘hawkish’ (que prioriza o controle da inflação) do documento.
O Copom manteve a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano pela necessidade de cautela diante do cenário internacional instável e das pressões inflacionárias persistentes no Brasil.
O colegiado ressaltou que a manutenção dos juros em patamar elevado por um período prolongado é essencial para garantir a convergência da inflação à meta. A decisão, acrescenta o comunicado, também busca suavizar oscilações na atividade econômica e fomentar o pleno emprego.
Confira abaixo alguns comentários sobre a decisão do Copom
Gabriel Lago, planejador financeiro e sócio da The Hill Capital
“O tom do comunicado veio claramente mais hawkish, até um pouco mais do que veio em julho. Então, além de repetir que a Selic seguirá no patamar mais contracionista por um tempo prolongado, o Copom, desta vez, fez questão de falar que vai retomar o ciclo de alta se julgar necessário. Isso de fato me chamou a atenção.
O ponto que me chamou a atenção também foi essa menção explícita às tarifas comerciais dos EUA contra o Brasil. Isso não tinha sido feito no comunicado, foi algo novo, isso mostra que ele está preocupado não apenas com a inflação interna, mas o que esse choque externo pode vir a pressionar o câmbio.
Na minha visão, o comunicado vem com uma postura bem mais firme contra a inflação e reforça que não há espaço para cortes. Como a decisão foi unânime, e já era esperado que não haveria redução, mas o recado foi muito mais duro que o esperado”.
Bruna Centeno – economista, sócia e advisor da Blue3 Investimentos
A respeito da decisão do Copom, então o Banco Central decide pela manutenção de forma unânime mais uma vez, ou seja, ainda mostrando ali a união do colegiado em relação à perspectiva para a parte de inflação, que foi o ponto principal, e eles fazem a manutenção da decisão da taxa de juros e isso já era esperado pelo mercado(…)
Eles (Copom) frisaram bastante ali na decisão, no comunicado, que o cenário atual tem sido marcado ali com uma elevada incerteza, então eles justificaram essa condução da política monetária, mas eles focaram muito na questão da conjuntura de inflação e já trazendo um tom um pouco mais, digamos assim, considerável, diferente da decisão passada, entre a conjuntura da função institucional do Brasil e dos Estados Unidos, então isso trouxe ali, como consequência, dentro da volatilidade das diferentes classes de ativos, esses reflexos das condições financeiras globais (…) Então, bem em consenso com o que o mercado esperava essa decisão, e mostrando que, de fato, o Banco Central segue bastante determinado em percorrer o objetivo de fazer o controle de forma saudável e estrutural da inflação”.
Natalie Victal – Economista chefe da SulAmérica Investimentos
“O Copom manteve a Selic em 15%, entregando um comunicado bastante “hawk”. No conjunto, a decisão veio na cauda mais dura do espectro de possibilidades: manteve a projeção de inflação em 3,4% apesar da melhora do câmbio, não suavizou a avaliação do cenário e reforçou o risco fiscal como motivo de cautela.
Na sinalização, seguiu em modo de avaliação do nível adequado de juros, sem descartar nova alta. Para o mercado, trata-se de um comunicado duro, sem concessões, que dificulta uma mudança rápida de tom. Dada a comunicação de hoje, flexibilizações em 2025 só ocorreriam diante de melhora relevante de cenário”.
Ricardo Pegnoratto – especialista em finanças e investimentos da MIDE Mesa Proprietária
“A decisão do Comitê foi de manter a taxa básica de juros em 15% ao ano, uma postura que pode ser considerada cautelosa (hawkish) diante do panorama econômico, aguardando sinais mais concretos e duradouros de que a inflação está convergindo para a meta, antes de iniciar um movimento de flexibilização monetária.
Embora as expectativas de inflação para 2025 tenham tido uma leve revisão para baixo (de 4,9% para 4,8%), o número ainda está consideravelmente distante do centro da meta para 2026, que é de 3%.
Manter os juros em um patamar restritivo é a principal ferramenta do Banco Central para conter a demanda e forçar a convergência da inflação para a meta. A autoridade monetária sinaliza que não hesitará em manter o custo do dinheiro elevado pelo tempo que for necessário para ancorar as expectativas”.
Edivaldo Dias de Oliveira
18 de setembro de 2025 9:39 amTá dura a vida de Galípolo e sua gangue.
E o governo não facilita nada.Vou traduzir o ecnomês:
Desemprego na maior baixa da história.
Renda média salarial maior da história
Pesquisa eleitoral mostra Lula vencendo todos os adversário.
Tarcísio recua da candidatura presidencial pela enésima vez.
Só resta a nossa gangue carcar na SELIC,