
Jornal GGN – A Bovespa fechou em queda nesta quinta-feira, com agentes financeiros apreensivos acerca do cenário político conturbado e instável, embora a recuperação dos papéis da Petrobras e da Vale tenha limitado a queda do principal índice da bolsa paulista. O Ibovespa (índice da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo) fechou as operações em queda de 0,55%, aos 50.011 pontos e com um volume negociado de R$ 7,046 bilhões.
Segundo profissionais consultados da agência de notícias Reuters, a falta de sinalizações mais claras sobre os desdobramentos no ambiente político tende a manter o clima de incerteza e instabilidade nos mercados. A baixa teria sido maior se as ações da Vale e da Petrobras não tivessem compensado, em parte, o resultado final. A ação preferencial da Petrobras (PETR4) subiu 3,1%, a R$ 10,32; enquanto o papel ordinário da Vale (VALE3) avançou 3%, a R$ 19,58.
“O Ibovespa iniciou em baixa, reagiu no final da manhã, mas, tornou a sucumbir de tarde. Em suma, o índice ficou “brigando” ao redor dos 50 mil pts (-0,57%) ao longo de todo o pregão, encerrando colado nesta pontuação, bem como, paulatinamente, foi tendendo em direção à trajetória do Dow Jones”, dizem os analistas do BB Investimentos, em relatório. “Os investidores optaram pela cautela hoje, diante da esperada divulgação amanhã da criação de vagas na economia (payroll) dos Estados Unidos”.
Além disso, o Banco Central divulgou a ata do Copom, de sua última decisão em 29 de julho de 2015. Parte do mercado considerou que o documento referendou o comunicado daquela data, crendo que a taxa básica de juros (Selic) vai estacionar no atual patamar de 14,25%. “Todavia, parcela dos agentes interpretou que o órgão deixou certo espaço para continuar no ciclo de aperto monetário, devido ao balanço futuro de riscos, com a citação “exigem que a política monetária se mantenha vigilante em caso de desvios significativos das projeções de inflação em relação à meta””, pontuam os analistas.
Em um novo dia de alta, a cotação da moeda norte-americana ultrapassou R$ 3,50 e fechou no maior valor em 12 anos. O dólar comercial encerrou o dia vendido a R$ 3,537, com alta de R$ 0,048 (1,39%). A cotação está no maior nível desde 5 de março de 2003, quando havia fechado em R$ 3,555. A moeda chegou a se aproximar de R$ 3,60. Na máxima do dia, a moeda chegou a R$ 3,571, mas o ritmo de alta diminuiu nas horas seguintes. A divisa acumula alta de 3,29% em agosto e de 33% no ano.
Segundo informações da Agência Brasil, o dólar começou a subir desde que a equipe econômica anunciou, há duas semanas, a redução para 0,15% do Produto Interno Bruto (PIB) da meta de superávit primário (economia para pagar os juros da dívida pública). Para economistas, a possibilidade de o país perder o grau de investimento das agências de classificação de risco tem pressionado o câmbio.
O avanço também foi influenciado pelo fato de o Banco Central (BC) ter reduzido as rolagens (renovações) das operações de swap cambial, equivalentes à venda de dólares no mercado futuro e que ajudam a segurar a cotação do dólar. No mês passado, a autoridade monetária renovou apenas 60% dos contratos de swap em vigor.
Nesta quinta-feira, o BC leiloou 6 mil contratos. Em agosto, a autoridade monetária rolou até agora 12% do lote total. Se o ritmo de leilões for mantido, a rolagem fechará agosto em 60%.
Além da repercussão dos resultados trimestrais da Petrobras, o mercado brasileiro aguarda a publicação do IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) e do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) referentes ao mês de julho. No setor externo, destaque para os dados de mercado de trabalho e de crédito ao consumidor nos Estados Unidos, produção industrial e balança comercial na Alemanha; balança comercial e produção industrial na França; balança comercial na Grã-Bretanha;e a balança comercial da China. No calendário corporativo, destaque para os resultados de AES Tietê e Eletropaulo.
(com Agência Brasil e Reuters)
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