8 de julho de 2026

Cesta básica sobe em 17 capitais e salário mínimo necessário chega a R$ 8,1 mil, aponta DIEESE

Levantamento aponta aumento dos alimentos básicos; trabalhador precisaria receber cinco vezes o salário mínimo atual para manter uma família
Foto de Eduardo Soares na Unsplash

Em junho de 2026, a cesta básica subiu em 17 das 27 capitais, com os maiores aumentos em Boa Vista e Palmas.
São Paulo teve a cesta básica mais cara, a R$ 965,47, enquanto Aracaju registrou a mais barata, a R$ 630,40.
O DIEESE calcula que o salário mínimo ideal para uma família de quatro pessoas seria R$ 8.110,92, cinco vezes o piso atual.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O custo da alimentação básica voltou a pressionar o orçamento das famílias brasileiras. Em junho de 2026, o valor da cesta básica aumentou em 17 das 27 capitais pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

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Os maiores reajustes mensais foram registrados em:

  • Boa Vista: alta de 3,28%;
  • Palmas: alta de 3,01%;
  • Rio Branco: alta de 2,20%;
  • Porto Alegre: alta de 2,18%.

Na comparação anual, entre junho de 2025 e junho de 2026, o avanço dos preços atingiu 26 capitais brasileiras, indicando que a pressão sobre os alimentos permaneceu ao longo dos últimos 12 meses.

Considerando a cesta mais cara do país, registrada em São Paulo, o DIEESE calculou que o salário mínimo necessário para uma família de quatro pessoas seria de R$ 8.110,92 em junho de 2026. O valor equivale a aproximadamente cinco vezes o salário mínimo vigente, de R$ 1.621.

São Paulo registra a cesta básica mais cara do país

Entre as capitais pesquisadas, São Paulo manteve a liderança como a cidade com maior custo para a cesta básica. Em junho, o conjunto dos alimentos básicos chegou a:

CapitalValor da cesta básica
São PauloR$ 965,47
CuiabáR$ 937,93
Rio de JaneiroR$ 920,94
FlorianópolisR$ 918,42

Na outra ponta, as menores médias foram registradas principalmente nas regiões Norte e Nordeste, onde a composição da cesta considerada pelo DIEESE é diferente:

CapitalValor da cesta básica
AracajuR$ 630,40
São LuísR$ 654,73
MaceióR$ 671,41
NatalR$ 686,07

A diferença entre os valores reflete não apenas o comportamento dos preços, mas também características regionais de consumo, produção agrícola, logística e distribuição.

Alta dos alimentos avança em todas as capitais no primeiro semestre

O movimento de pressão sobre a cesta básica aparece também no acumulado de 2026. Nos primeiros seis meses do ano, todas as capitais registraram aumento nos preços dos alimentos básicos.

As altas variaram entre:

  • São Luís: +4,02%;
  • Fortaleza: +21,48%.

Entre as maiores elevações acumuladas no período estão justamente algumas capitais nordestinas, indicando que a inflação dos alimentos não segue necessariamente a mesma dinâmica dos grandes centros urbanos.

Na comparação de 12 meses, os maiores aumentos foram:

CapitalAlta da cesta básica em 12 meses
Cuiabá14,71%
Aracaju13,12%
Belo Horizonte12,52%

Em São Luís, o movimento foi praticamente de estabilidade, com variação de -0,09%.

O peso dos alimentos no orçamento das famílias

A inflação dos alimentos possui impacto social maior do que outros grupos de preços porque atinge diretamente itens essenciais do cotidiano.

Famílias de menor renda destinam uma parcela proporcionalmente maior do orçamento à alimentação. Dessa forma, aumentos em produtos básicos como arroz, feijão, carnes, leite, frutas e hortaliças reduzem a capacidade de consumo de outros bens e serviços.

Esse efeito ajuda a explicar por que a cesta básica é considerada um importante indicador das condições econômicas da população trabalhadora. Mesmo quando a inflação geral apresenta desaceleração, uma alta concentrada nos alimentos pode manter a percepção de perda de poder de compra.

Com base no valor da cesta mais cara, o DIEESE calcula mensalmente quanto deveria ser o salário mínimo capaz de atender às necessidades previstas na Constituição Federal.

A legislação estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para cobrir despesas de um trabalhador e sua família com:

  • alimentação;
  • moradia;
  • saúde;
  • educação;
  • vestuário;
  • higiene;
  • transporte;
  • lazer;
  • previdência.

Em junho de 2026, o DIEESE estimou que esse valor deveria ser de R$ 8.110,92

O cálculo representa 5 vezes o salário mínimo atual de R$ 1.621, acima do visto em junho de 2025, quando o mínimo necessário era estimado em R$ 7.416,07.

A diferença revela um desafio estrutural da economia brasileira: mesmo com reajustes no piso nacional, o custo de reprodução das condições básicas de vida permanece muito acima da renda mínima oficial.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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