10 de junho de 2026

China estuda retaliação após sobretaxa a veículos elétricos

Resposta à União Europeia pode envolver acordos, retaliação em itens considerados "emblemáticos" ou mesmo apresentar o caso à OMC
Foto: European Union, 2023

A China pode utilizar uma série de instrumentos comerciais que poderiam ser aplicados como contrapartida à decisão tomada pela União Europeia recentemente, mas analistas acreditam que o governo pode estar cauteloso com eventuais impactos nas relações bilaterais.

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Na última quarta-feira, a União Europeia anunciou aumento das tarifas sobre os veículos elétricos chineses em até 38% a partir de 04 de julho, de forma a atingir todas as importações de veículos elétricos do país, que representaram mais de um quarto das vendas para a Europa.

A investigação durou em torno de sete meses, e revelou que algumas das principais montadoras de veículos elétricos chineses contaram com vastos subsídios do Estado para reduzir seus preços na comparação com a concorrência europeia.

A Comissão Europeia, o braço executivo da UE, terá quatro meses para recolher as opiniões dos Estados-membros antes de as sobretaxas passarem a ser permanentes.

O Ministério do Comércio chinês chegou a afirmar que usaria “todas as medidas necessárias” em resposta, incluindo o direito de levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC), para defender os direitos das empresas chinesas, argumentando que o “protecionismo” da UE vai afetar a cooperação entre a China e a Europa, cujas relações já estão tensas por questões geopolíticas.

Em nota, a Câmara de Comércio da China para Importação e Exportação de Máquinas e Produtos Eletrónicos (CCCME) também afirmou que utilizará “vários meios” para defender os fabricantes de veículos elétricos, e criticou a investigação da UE por supostas “falhas graves” e falta de transparência.

Em entrevista ao South China Morning Post, Sebastian Contin Trillo-Figueroa, especialista UE-Ásia da Universidade de Hong Kong, destacou que a China possui diferentes ferramentas comerciais para responder à medida da UE e “retaliará onde puder infligir mais danos”, como restringir matérias-primas cruciais que o bloco necessidades para a sua transição ecológica.

Além disso, o governo poderia mirar “setores de alto valor, simbólicos ou emblemáticos”, como o conhaque da França ou as importações de carne suína de países da UE como a Espanha, para exercer pressão econômica sobre as respectivas indústrias que “fariam lobby com seus governos para a resolução”.

“A China já retaliou [anteriormente] com restrições à exportação de matérias-primas cruciais como o gálio, o germânio, o grafite e os principais elementos de terras raras… Pequim sabe onde dói mais”.

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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1 Comentário
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  1. Frederico Firmo

    13 de junho de 2024 7:33 pm

    Eu tenho a sensação que a estupidez tomou conta definitiva de Americanos e Europeus. Cada vez mais eles jogam China e Rússia ( e consequentemente os BRICS) para criação de um mundo em separado. As sanções contra a Rússia e o apoio a Ucrânia( desde 2014) foram o primeiro passo. A estupidez americana confunde a China e Rússia com Cuba e Venezuela. A guerra da Ucrânia continua sendo a tentativa máxima de abalar a economia Russa enquanto destrói a economia européia. Só a estupidez os fará tentar o mesmo com Taipé e China. Os estragos economicos na comunidade européia não foram suficientes para revisarem as políticas. A insistência só fará aumentar os fracionamentos internos com a extrema-direita no interior de cada país. O fascismo nacionalista na Europa se quiser repetir o nazismo será apenas como farsa de um lado e sangue do outro. A guerra em Israel serviu apenas para a destruição de Gaza, um genocídio e fatalmente vai levar a um conflito interno e auto destruição em Israel. Os assentados da Cisjordânia e seus partidários em Israel não vão aceitar qualquer acordo de paz. O norte de Israel já está se esvaziando daqueles que um dia pensaram Israel como um refúgio seguro. Os refugiados não serão apenas palestinos. E tudo isto faz o caldo das sanções econômicas contra a China e Rússia cada vez mais amargo.

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