A combinação de aumento de tributos estaduais, alta do preço do etanol e ampliação das margens de distribuição e revenda pressionaram os preços dos combustíveis durante o mês de janeiro, mesmo em um cenário internacional ainda relativamente moderado.
No mercado externo, o petróleo tipo Brent registrou em janeiro sua primeira alta mensal após seis meses de recuo. O barril passou de US$ 62,54 em dezembro para US$ 66,60 — uma elevação significativa, embora ainda em patamar historicamente considerado baixo.
A tendência, contudo, pode ser temporária. A Administração de Informações Energéticas (EIA), dos Estados Unidos, projeta aumento dos estoques globais em pelo menos 1,4 milhão de barris por dia em 2026, o que, sem expansão equivalente da demanda, tende a pressionar os preços internacionais para baixo.
Contudo, os fatores domésticos pesaram mais no comportamento dos preços no Brasil, conforme destaca boletim de preços elaborado pelo Ineep (Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).
Gasolina: ICMS e etanol puxam alta
A gasolina iniciou o ano cotada a R$ 6,32, refletindo dois movimentos centrais: o reajuste do ICMS, que adicionou R$ 0,10 ao preço final, e a alta do etanol anidro, componente obrigatório na mistura.
Em 27 de janeiro, a Petrobras anunciou redução de R$ 0,14 por litro nas refinarias (queda de cerca de 5,2%). No entanto, o curto intervalo entre o anúncio e o fechamento dos dados impede avaliar se o corte será integralmente repassado ao consumidor — uma dinâmica que historicamente depende da estrutura de distribuição e revenda.
O diesel S10 também ficou mais caro, apesar de o biodiesel — parte obrigatória da mistura — ter registrado queda de preço. O aumento foi impulsionado pelo reajuste de R$ 0,05 no ICMS e, principalmente, pela ampliação de R$ 0,13 na margem bruta de distribuição e revenda.
Já o gás de cozinha (GLP) teve aumento mais contido. Embora os tributos estaduais tenham subido R$ 1,04, houve redução na margem de distribuição e revenda, o que suavizou parcialmente o impacto final.
O caso mais expressivo é o do etanol, que acumula elevação de 10,1% desde agosto de 2025. A alta é atribuída a fatores climáticos adversos e ao maior direcionamento da cana para a produção de açúcar, segundo o Cepea/Esalq-USP.
Mas há também um componente estrutural: a ampliação da participação obrigatória de etanol e biodiesel nas misturas de gasolina e diesel S10 coincidiu com o ciclo de alta.
Além disso, o reajuste do ICMS acrescentou R$ 0,10 ao preço do etanol na revenda, gerando assim um efeito em cadeia: o encarecimento do biocombustível pressiona diretamente a gasolina e, indiretamente, a inflação.
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