Comentário ao post “Inflação para os mais pobres dispara na pandemia”, por Antonio Uchoa Neto

Para os pobres, que vivem de vender sua força de trabalho, é sempre um horror. Os preços sobem, os salários continuam os mesmos. E quem ganha com isso?

Comentário ao post “Inflação para os mais pobres dispara na pandemia”

Por Antonio Uchoa Neto

Inflação para os mais pobres.

O que significa, na prática, que existe uma inflação para os mais ricos.

Para os pobres, que vivem de vender sua força de trabalho – enquanto ainda existir quem a compre – é sempre um horror. Os preços sobem, os salários continuam os mesmos. Ora, se os preços das mercadorias sobem, e os salários permanecem os mesmos, quem ganha com isso?

Por que, em nome de Deus, ou do diabo, isso fica ao gosto de quem estiver lendo isso, não se diz, claramente, que a inflação é benéfica para alguns, durante um certo tempo? E é mantida, deliberadamente, apenas e tão somente para beneficiar esses alguns? Por que não se diz, claramente, que a inflação só é combatida quando, vis-à-vis o dólar, os ativos em reais começam a se desvalorizar, e os mais ricos começam a sentir os efeitos disso? E que os juros são jogados para cima para atrair moeda estrangeira (dólar) e assim, com a retirada de moeda nacional de circulação, pelo crédito mais caro, os ativos – em moeda nacional – voltam a se equilibrar em relação à moeda estrangeira?

Vejam, sou leigo em economia, mas, pela simples leitura, aqui e ali, de matérias sobre esse assunto, essa é a conclusão a que cheguei. Estou dizendo algum absurdo? Talvez, mas sinto que essas coisas não podem ser ditas claramente, ou certas relações de causa e efeito não podem ser explicadas em linguagem simples, como a desse post, para que ninguém, como eu, leigo, possa perceber que a política monetária de um país como o nosso é totalmente direcionada para manter os ganhos da elite, numa ponta ou na outra.

Com inflação, sem inflação, com pleno emprego, com desemprego, somente um lado ganha, e sempre. Pleno emprego, salário valorizado? Quem ganha? A indústria, o comércio. O que o trabalhador ganha? A felicidade de consumir, seja um carro ou uma universidade para o filho, seja um espelho ou uma miçanga, uma viagem para a Disney. Seriam esses os tais vôos de galinha? Então, deixem-me dizer uma coisa, as galinhas trabalham para os patrões, e não apenas nós, assalariados. Por que as pessoas tem salários, e portanto demandam mercadorias e serviços, e isso gera…inflação.

Vivemos debaixo de uma fraude, uma fraude ímpia, em que o símbolo do valor – a moeda – e a representação do valor – os títulos, os ativos – só dependem do valor real, ou seja, o trabalho, os serviços, para serem paridos nesse mundo, e a partir daí, ganham vida própria e se reproduzem como baratas, vermes, qualquer coisa nesse mundo que se reproduza em proporções inimagináveis e sem termo de comparação com a realidade.

E o nome dessa fraude é MERCADO.

E vai chegar o tempo em que o MERCADO não mais necessitará de força de trabalho, nem de produção de valor, nem de trabalho socialmente realizado. O Capital terá derrotado Marx, graças a nós mesmos, os que fornecemos as bases para essa fraude.

Alguém já disse que o fascismo – a última linha de defesa do Capitalismo – faz um apelo à natureza real do homem, enquanto o socialismo apela à natureza ideal do homem.

A realidade se impõe à idéia. Porque nós abandonamos essa última pensando em alcançar a primeira. Onde, supomos, há luxo, vinhos caros e iates, para todos. Mas essa realidade existe para poucos, porque nós a tornamos possível a eles.

E eles não querem convivas nessa festa, que não eles mesmos.

Este texto não expressa necessariamente a opinião do Jornal GGN

3 Comentários

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Bruno Cabral

- 2021-11-02 15:40:32

Você está certo quando diz que o capitalismo não mais irá precisar de força de trabalho, pois já produz apenas para quem pode consumir. Esse mesmo capitalismo não tem solução para a pobreza, então a solução é que a pobreza morra de fome, ou sem acesso a remédios e vacinas, ou na ponta da bala das polícias que atiram primeiro e perguntam depois. Falta apenas combinar com as igrejas para esquecer o "crescei e multiplicai-vos" (que servia para criar a massa de trabalho a ser explorada) e parar de impedir os fiéis de usar anticoncepcional e camisinha, pois é "pecado".

Antonio Uchoa Neto

- 2021-11-01 11:38:11

Não sou autor, amigo, sou leitor, e nada entendo de economia. Não posso abordar o assunto com argumentos teóricos, ou conceitos, sequer com dados empíricos. Falo apenas sobre minha condição de ser humano, desempregado e pobre, e como consigo perceber, como tal, essa gigantesca movimentação financeira que parece não gerar um palito de fósforo, um alfinete, um empreguinho sequer. E, como ando por aí, com uma lanterna, qual Diógenes, à procura de umaexplicação, gostaria de ouvi-lo apontar meu erro e a visão correta. Por favor? Muito embora eu desconfie de que alguém que se autodenomina, no século XXI, Monarquista Republicano, também não entenda grande coisa de coisa nenhuma. E se você for economista, por favor, esqueça que eu existo. E esqueça o que escrevi.

Monarquista Republicano

- 2021-10-31 22:36:08

Realmente o autor não entende a economia.. que salada!

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