20 de junho de 2026

Comunidade internacional deve se unir contra caos tarifário de Trump

Estratégia do presidente norte-americano pode gerar uma economia mundial fragmentada, com crescimento mais lento e maior instabilidade
Foto de Kelly via pexels.com

As políticas comerciais adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estão comprometendo o sistema baseado em regras adotado após a Segunda Guerra Mundial e, na falta de uma resposta internacional coordenada, a incerteza gerada pode levar a uma economia marcada por crescimento mais lento e instabilidade crônica.

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“A governança do comércio internacional mudou drasticamente após a Segunda Guerra Mundial, quando os Estados Unidos emergiram como uma potência econômica e militar dominante”, explica Anne Krueger, professora sênior de Economia Internacional na Escola de Estudos Internacionais Avançados da Universidade Johns Hopkins.

Em artigo publicado no site Project Syndicate, a ex-economista-chefe do Banco Mundial lembra que, na ocasião, os líderes norte-americanos defenderam a criação de um sistema comercial aberto e baseado em regras, um sistema multilateral e institucionalizado pelo Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATC) e sua sucessora, a Organização Mundial do Comércio (OMC) –, inaugurando oito décadas de crescimento econômico sem precedentes.

Ao longo do tempo, as barreiras comerciais para o livre comércio foram gradualmente removidas conforme a OMC promovia o comércio global aberto, resolvia disputas e facilitava negociações para reduções tarifárias recíprocas e a eliminação de outras restrições comerciais.

“Após Donald Trump vencer a eleição presidencial americana de 2016, ele começou a reverter esse progresso”, diz Anne Krueger, citando o rompimento do apoio bipartidário ao livre comércio e o início da guerra comercial norte-americana com a China.

Seu sucessor, o democrata Joe Biden, manteve muitas das tarifas e restrições comerciais da era Trump. Reeleito, o político republicano rompeu acordos comerciais e começou uma guerra comercial global.

Atualmente, todas as mercadorias que entram nos EUA estão sujeitas a uma tarifa básica de 10%, com um prazo de 90 dias para negociações bilaterais a fim de evitar taxas muito mais altas.

As tarifas sobre as importações chinesas foram aumentadas para 145%, após uma semana de aumentos recíprocos, durante os quais a China elevou suas próprias tarifas sobre produtos americanos para 125%.

Contudo, a abordagem imprevisível agrava o problema e, caso não sejam registradas mudanças, os prognósticos de crescimento global vão ser reduzidos de forma significativa – e respostas individuais dos países podem gerar uma economia mundial fragmentada, marcada por crescimento mais lento e maior instabilidade.

Na visão de Krueger, a maneira mais eficiente para restaurar os prognósticos de crescimento seria os EUA reverterem a situação e garantirem que a mudança é genuína e duradoura, mas outra alternativa seria a formação de uma nova aliança comercial que defenda os princípios da OMC, operando independentemente dos EUA.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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