Em meio a sucessivos aumentos dos preços dos combustíveis, da energia e dos alimentos, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) encerrou a primeira reunião de 2022 aumentando a taxa básica de juros em 1,50 ponto percentual, para 10,75% ao ano.
A decisão foi tomada de forma unânime, e recoloca a taxa Selic na marca dos dois dígitos pela primeira vez desde 2017.
Segundo a nota divulgada pela autoridade monetária após a reunião, a taxa de juros deve continuar a subir até que a inflação esteja mais controlada no médio prazo, mas que o ritmo de ajuste deve ser menor uma vez que os ajustes anteriores ainda estão sendo absorvidos pela economia.
“O Copom considera que, diante do aumento de suas projeções e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, é apropriado que o ciclo de aperto monetário avance significativamente em território contracionista”, diz o colegiado.
“O Comitê enfatiza que irá perseverar em sua estratégia até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas”.
Segundo a economista-chefe do banco Ourinvest, Fernanda Consorte, o Banco Central optou por não aumentar o ritmo de ajuste dos juros mesmo com a inflação surpreendendo de forma negativa.
Além disso, a economista afirma que é possível ver revisões do crescimento para baixo – o que deve reduzir a pressão inflacionária no médio prazo.
“De qualquer forma, o comunicado trouxe novamente tom de alerta, principalmente sobre o quadro fiscal e possíveis impactos que um aumento nos gastos poderia ter sobre a inflação. Ou seja, mercado pode interpretar que o ciclo de ajuste da Selic pode ser um pouco mais longo do que o previsto anteriormente”, ressalta, em nota.
Segundo Simone Pasianotto, economista-chefe da Reag Investimentos, o Banco Central adotou uma postura “hawkish” (postura austera, com juros mais altos, menor demanda e inflação controlada) tanto pelo endurecimento da postura do Federal Reserve – o Banco Central dos Estados Unidos – com sua política monetária, como pelas expectativas com a inflação brasileira.
“Com a continuidade de sua política, o Copom tenta alinhar a inflação às metas da autoridade monetária, apesar de sua estratégia atrapalhar o crescimento econômico em meio a uma recessão declarada no terceiro trimestre”, ressalta Simone.
Acer Augusto Torres Vianna
3 de fevereiro de 2022 8:44 amVemos o filme de terror se repetir. Valorização do real frente ao dólar de forma artifical, com o aumento da vinda de dólares especulativos (ARBITRAGEM). Sensação momentânea de que as coisas estão melhorando (proximidade das eleições) para depois o pau cantar nas costas do sofrido povo brasileiro. Só Deus na causa, afff.