O crédito na economia brasileira manteve trajetória de expansão em fevereiro, mas com sinais de desaceleração e aumento do custo, segundo dados do Banco Central do Brasil.
O crédito ampliado ao setor não financeiro — que inclui empréstimos bancários e títulos de dívida — atingiu R$ 21,0 trilhões, o equivalente a 163,7% do PIB, com alta de 1,1% no mês e avanço de 11,8% em 12 meses. O crescimento foi puxado principalmente pelos títulos públicos (+17,2%) e privados (+18,5%).
No recorte por empresas, o crédito ampliado somou R$ 7,0 trilhões (54,4% do PIB), com leve alta mensal de 0,2%. O resultado reflete o avanço das emissões de dívida privada, enquanto os empréstimos externos recuaram, influenciados pela valorização do real.
Já o estoque de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) chegou a R$ 7,1 trilhões, com crescimento mais moderado de 0,4% no mês e 9,6% em 12 meses — abaixo do ritmo observado anteriormente. O crédito às famílias seguiu como principal motor, com alta mensal de 0,6% e avanço de 11,2% em um ano, enquanto o crédito às empresas mostrou estabilidade no mês e desaceleração no acumulado.
No crédito com recursos livres, que costuma refletir melhor as condições de mercado, o crescimento foi mais contido: alta de 0,1% no mês e 7,7% em 12 meses. Entre as famílias, houve expansão disseminada, com destaque para crédito consignado, financiamento de veículos e crédito pessoal. Já entre empresas, houve retração em modalidades como desconto de duplicatas e financiamento às exportações.
As concessões totais somaram R$ 602,3 bilhões em fevereiro, com recuo de 0,5% na série com ajuste sazonal. A queda foi puxada pelas operações com empresas, enquanto o crédito às famílias manteve leve alta.
O custo do crédito continuou em elevação. A taxa média de juros das novas concessões atingiu 33,0% ao ano, com alta de 0,3 ponto percentual no mês e de 2,6 pontos em 12 meses. No crédito livre, os juros chegaram a 48,6% ao ano — com destaque para o custo às famílias, que atingiu 62,0% ao ano, pressionado principalmente pelo aumento nas taxas do cartão de crédito rotativo.
O spread bancário também avançou, chegando a 22,1 pontos percentuais, enquanto o Indicador de Custo do Crédito (ICC) atingiu 24,2% ao ano.
Ao mesmo tempo, a inadimplência subiu para 4,3% da carteira total, com avanço tanto entre empresas quanto entre famílias. No crédito livre, a taxa chegou a 5,5%.
Os dados também mostram aumento da pressão sobre o orçamento doméstico. O endividamento das famílias permaneceu em 49,7% da renda, mas o comprometimento com o serviço da dívida subiu para 29,3%, indicando maior peso das parcelas no orçamento.
Nos agregados monetários, a base monetária somou R$ 449,2 bilhões, com leve queda de 0,3% no mês. Já os meios de pagamento mais amplos mostraram comportamento misto: o M1 recuou 2,3%, refletindo a queda dos depósitos à vista, enquanto o M3 e o M4 avançaram 0,4%, impulsionados pelos fundos e títulos públicos.
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