A retomada parcial dos serviços presenciais após o auge da pandemia de covid-19 ajuda a explicar o crescimento de 4,8% do PIB brasileiro em 2021, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O crescimento foi revisado de 5% para 4,8%, por conta da incorporação de novos dados a respeito das atividades de serviços – cujo desempenho foi revisado de 5,2% para 4,8%, por conta da queda de Transporte, armazenagem e correio (de 12,9% para 6,5%).
Segundo os dados divulgados, o valor adicionado dos serviços cresceu 4,8% puxado pela recuperação do consumo das famílias (2,9%). Em valores correntes, o PIB foi de R$ 9 trilhões e o PIB per capita, de R$ 42.247,52.
Já o ritmo de crescimento da Indústria foi revisado para cima, de 4,8% para 5,0%, enquanto a Agropecuária foi revisada de 0,3% para 0,0%.
Onze dos doze grupos de atividades econômicas apresentaram crescimento ou estabilidade no período de análise, com destaque para Informação e comunicação (13,9%) e Construção (12,6%).
Consumo das famílias cresceu 2,9%
As despesas de consumo final, que englobam o consumo das famílias, governos e instituições sem fins de lucro, cresceram 3,3%, após terem caído 4,4% em 2020. Já a despesa de consumo final do governo, que engloba as despesas com bens e serviços oferecidos pelo governo à coletividade, cresceu 4,2%.
De acordo com o IBGE, o consumo das famílias, que representa 60,1% do PIB, cresceu 2,9%. A variação de preço dos bens e serviços consumidos pelas famílias, foi de 11,9%.
Ao se analisar a participação de bens e serviços no consumo final das famílias, observa-se que, em 2021, os serviços cresceram 4,0%, enquanto os bens cresceram 1,9%.
“O crescimento maior dos serviços não chega a recuperar toda a queda observada em 2020 em decorrência da pandemia, quando os serviços, mais afetados, caíram 10,2% e os bens caíram -0,7%”, diz o IBGE.
Remuneração do capital atinge maior patamar da história
Em 2021, verificou-se aumento da participação no PIB do excedente operacional bruto de 35,3% em 2020 para 37,5% em 2021 – recorde da série histórica iniciada em 2000 – e dos impostos líquidos de subsídios sobre a produção e a importação (de 14,5% para 15,5% do PIB). Em contrapartida houve redução nas parcelas referentes às remunerações (39,2% do PIB) e ao rendimento misto bruto (7,8%).
A análise pela ótica da renda engloba a soma das remunerações dos fatores de produção, ou seja, a renda gerada no período mais os impostos líquidos de subsídios sobre a produção e a importação.
“A participação do excedente operacional bruto no PIB foi recorde da série histórica iniciada em 2000. Esse aumento esteve associado, principalmente, ao desempenho do valor adicionado bruto das indústrias extrativa e de transformação, além da agropecuária, que registraram as maiores variações nos preços”, diz o IBGE.
Por outro lado, a parcela das remunerações no total do PIB vem caindo desde 2017, chegando a 39,2% do PIB em 2021 e retornando ao nível de 2005. As remunerações incluem os salários e contribuições sociais, que representavam, respectivamente, 31,0% e 8,2% do PIB. Em 2021, a participação do rendimento misto bruto recuou ao menor nível da série”.
Formação Bruta de Capital Fixo cresce 12,9%
A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) cresceu 12,9% em 2021. O valor corrente chegou a R$ 1,6 trilhão e a taxa de investimento, que é a razão entre a FBFC e o PIB, chegou a 17,9%, alta de 1,3 ponto percentual em relação a 2020.
O crescimento da FBCF em Máquinas e equipamentos foi de 11,1%. O grupo Construção cresceu 11,9%, os Produtos de propriedade intelectual cresceram 23,9%, enquanto a FBCF de Outros ativos fixos cresceu 7,7%.
Em 2021, o desempenho do grupo Máquinas e equipamentos superou a Construção como o maior peso na Formação Bruta de Capital Fixo, e sua participação subiu de 41,5% para 43,8%. A Construção respondeu por 41,9% da FBCF, os Produtos de propriedade intelectual por 12,1% e os Outros ativos fixos, por 2,2%.
Necessidade de financiamento da economia aumenta 165%
A necessidade de financiamento da economia brasileira foi de R$ 213,5 bilhões em 2021, com um aumento de 165% em relação a 2020, quando atingiu R$ 80,5 bilhões.
O saldo externo de bens e serviços manteve-se positivo, passando de um superávit de R$ 46,0 bilhões em 2020 para R$ 50,7 bilhões em 2021.
O setor empresas não financeiras apresentou em 2021 a maior necessidade de financiamento da série iniciada em 2000: R$ 321,8 bilhões a preços correntes.
Já o setor empresas financeiras teve aumento nominal na capacidade de financiamento de 2,8%, ao passar de 216,9 bilhões, em 2020, para R$ 222,9 bilhões, em 2021.
Contudo, o valor adicionado do setor de seguros apresentou queda de 22,6% em 2021 devido tanto a queda no valor da produção de 10,3% como um aumento de 3,2% do consumo intermediário – e está relacionado ao aumento das despesas com saúde suplementar por conta do auge da pandemia de covid-19.
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