4 de junho de 2026

A indústria das armas no México

O tráfico da morte: as armas americanas alimentam a violência dos cartéis do México – e sobre isso, Hillary não falou.

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Cartéis mexicanos receberam cerca de 15 mil armas dos EUA entre 2005 e 2009

DA EFE, EM SAN DIEGO (EUA)

Os cartéis de drogas mexicanos receberam cerca de 15 mil armas vindas dos EUA de 2005 a 2009, segundo um estudo divulgado nesta sexta-feira pelo Instituto Trans-Fronterizo da Universidade de San Diego.

O estudo destaca que uma das tendências significativas foi o aumento no número de rifles de estilo militar e munição, apesar dos esforços dos governos dos EUA e do México para evitar o tráfico.

O estudo foi elaborado por Colby Goodman e Michel Marizco, em colaboração com o Centro Wilson da Universidade de San Diego. Os autores afirmam que essas armas estão sendo usadas pelos cartéis para atacar a polícia, funcionários e jornalistas no México, impor impostos ilegais à população mexicana, e inclusive para atacar funcionários do Departamento de Estado nos EUA.

“Essas ações também contribuem para criar fluxos de imigração para sair das zonas de violência, em alguns casos para os EUA”, segundo o estudo.

Em maio de 2010, o governo mexicano indicou que das 75 mil armas de fogo que apreendeu nos últimos três anos, cerca de 80%, ou 60 mil delas, procedia dos EUA, particularmente do Texas, Arizona e Califórnia.

Um dos indicadores de aumento da demanda de armas procedentes dos EUA no México é a alta de preço dos rifles semiautomáticos AK-47, os quais podem ser comprados por entre US$ 1.200 e US$ 1.600 nos EUA, mas que são vendidos por entre US$ 2.000 e US$ 4.000 no sul do México.

O estudo indicou que as duas principais armas de fogo usadas no México que foram compradas originalmente nos EUA foram rifles semiautomáticos AK-47 e rifles clonados AR-15 de fabricação romena, que foram importados pelos EUA, apesar do embargo a rifles semiautomáticos.

Outras armas cada vez mais traficadas são os rifles calibre .50 BMG, pistolas de 5,7 mm, além de tambores de revistas para o AK-47 com cartuchos de munições de 50, 75 e 100 tiros.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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